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A nova aposta de Trump envolvendo Kim Jong-un está causando dúvidas até entre aliados

Um encontro com jornalistas na Casa Branca ganhou outro rumo quando uma pergunta sobre a aproximação com Pyongyang provocou uma resposta dura de Donald Trump.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O que deveria ser mais uma rodada de perguntas no Salão Oval rapidamente se transformou em um novo confronto entre Donald Trump e a imprensa. No centro da discussão estavam a Coreia do Norte, os exercícios militares realizados com Seul e as recentes mensagens enviadas a Kim Jong-un. Mas foi a insistência de uma correspondente da CNN que acabou elevando a temperatura do encontro e desviando parte das atenções.

Trump interrompe jornalista durante perguntas sobre Kim Jong-un

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, protagonizou nesta segunda-feira um momento de tensão com a correspondente da CNN na Casa Branca, Kristen Holmes. Durante um encontro com jornalistas no Salão Oval, o republicano mandou a repórter se calar em diferentes momentos enquanto ela tentava obter respostas sobre a Coreia do Norte.

Holmes questionava o presidente sobre seus recentes contatos com Kim Jong-un e também sobre a decisão de Washington de diminuir a escala dos exercícios militares realizados em conjunto com a Coreia do Sul.

Trump interrompeu a jornalista enquanto ela formulava as perguntas. Em seguida, chamou Holmes de “barulhenta” e “agitada” e voltou a recorrer a uma acusação frequente em seus confrontos com veículos de comunicação, dizendo que ela fazia “notícias falsas”.

A correspondente buscava esclarecer principalmente por que Kim ainda não havia se pronunciado publicamente depois que Trump anunciou a redução das manobras militares conjuntas entre Estados Unidos e Coreia do Sul.

Apesar do confronto, o presidente respondeu a parte das perguntas. Segundo Trump, o líder norte-coreano teria, sim, respondido às mensagens enviadas por ele recentemente.

O republicano descreveu essas conversas como “muito positivas”, mas não revelou o conteúdo das comunicações nem explicou quando elas ocorreram.

A decisão militar que está por trás da nova aproximação

O episódio com a jornalista aconteceu justamente quando Trump tenta defender uma mudança significativa na postura americana diante da península coreana.

No domingo, o presidente havia anunciado pelas redes sociais que o Pentágono reduziria a escala dos exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul. Para Trump, essas operações enviariam um sinal inadequado à Coreia do Norte.

Ao explicar sua posição, o presidente afirmou considerar Pyongyang respeitosa durante seus mandatos e voltou a destacar sua relação pessoal com Kim Jong-un. Nesta segunda-feira, reiterou que o líder norte-coreano sempre o tratou “com respeito” e sustentou que os dois conseguem se entender.

Trump também argumentou que sua estratégia ajudará a tornar a península coreana “mais segura”, rejeitando as críticas de que estaria se aproximando excessivamente de Pyongyang em detrimento dos aliados tradicionais de Washington.

A relação entre os dois líderes não começou agora. Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump encontrou Kim pessoalmente em três ocasiões, em uma tentativa de chegar a um acordo sobre o programa nuclear norte-coreano.

Os encontros produziram imagens históricas e uma mudança significativa no tom entre os governos, mas não resultaram no esperado acordo de desnuclearização.

As negociações acabaram travando depois que Washington considerou insuficientes as propostas apresentadas por Pyongyang. Nos anos seguintes, a Coreia do Norte ampliou sua aproximação com a Rússia, adicionando outra camada de complexidade ao cenário geopolítico da região.

Trump também aumenta a pressão sobre a Coreia do Sul

A nova aposta de Trump envolvendo Kim Jong-un está causando dúvidas até entre aliados
© Unsplash

A retomada dos contatos com Kim ocorre em um momento particularmente delicado para as relações entre Washington e Seul.

Trump voltou a questionar a postura da Coreia do Sul e afirmou que o país não teria apoiado os Estados Unidos em sua guerra para “desnuclearizar” o Irã. O presidente também retomou críticas relacionadas aos gastos militares compartilhados entre os dois aliados.

Segundo Trump, o governo de Joe Biden teria reduzido o aumento da contribuição financeira sul-coreana que havia sido negociado anteriormente para ajudar a bancar os custos da presença militar americana.

Esse discurso reforça uma característica recorrente da política externa defendida pelo republicano: a cobrança para que aliados dos Estados Unidos assumam uma parcela maior dos custos relacionados à própria defesa.

Ao mesmo tempo, a redução dos exercícios conjuntos desperta questionamentos porque essas manobras historicamente representam uma demonstração da aliança militar entre Washington e Seul diante das ameaças norte-coreanas.

Foi justamente essa aparente contradição que alimentou algumas das perguntas feitas no Salão Oval.

Questionado sobre as críticas de que sua estratégia poderia colocar os Estados Unidos mais próximos da Coreia do Norte do que de parceiros tradicionais, Trump voltou à mesma justificativa. Para ele, a política adotada não enfraquece Washington, mas aumenta a segurança na península.

O novo episódio deixa, portanto, duas discussões abertas ao mesmo tempo. Uma envolve a relação cada vez mais tensa entre Trump e determinados veículos da imprensa americana. A outra, muito mais ampla, diz respeito aos sinais que Washington está enviando a Pyongyang e Seul em um momento de rearranjo das alianças na Ásia.

[Fonte: EN]

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