As tensões entre Estados Unidos e Venezuela voltaram a escalar nesta sexta-feira (31), após rumores de uma possível ofensiva militar norte-americana no Caribe. Questionado a bordo do Air Force One, o presidente Donald Trump negou que tenha ordenado ataques ao território venezuelano. “Não”, respondeu de forma direta, ao ser interrogado por jornalistas sobre a possibilidade de uma ação armada.
Rumores e movimentação militar

As declarações de Trump ocorreram poucas horas depois de reportagens do The Wall Street Journal e do Miami Herald apontarem que Washington estaria se preparando para atacar instalações militares da Venezuela, com a ofensiva podendo ocorrer “a qualquer momento”.
Embora a Casa Branca negue planos de agressão, a presença militar norte-americana no Caribe aumentou significativamente nas últimas semanas. O Pentágono confirmou o envio de oito navios da Marinha à região, além de caças furtivos F-35 posicionados em Porto Rico. Um grupo de ataque de porta-aviões também estaria se deslocando em direção ao Caribe, compondo uma das maiores concentrações navais recentes dos Estados Unidos na área.
Oficialmente, o governo norte-americano afirma que o objetivo dessas operações é combater o tráfico internacional de drogas, mas autoridades venezuelanas e observadores internacionais veem o movimento como uma demonstração de força com motivações políticas.
“Guerra às drogas” ou operação encoberta?
Segundo o Departamento de Defesa, a campanha militar lançada no início de setembro mira embarcações suspeitas de tráfico no Caribe e no Pacífico oriental. As ações, descritas por Washington como parte de uma ofensiva contra o narcotráfico, já resultaram na morte de pelo menos 62 pessoas e na destruição de 14 barcos e um semissubmersível.
O governo Trump sustenta que pequenas embarcações são uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos por transportarem drogas destinadas ao mercado norte-americano. No entanto, especialistas em direito internacional alertam que os ataques configuram execuções extrajudiciais, mesmo quando direcionados a suspeitos de tráfico.
Fontes diplomáticas ouvidas por veículos latino-americanos afirmam que a intensificação das operações no Caribe coincide com o aumento das tensões políticas com Caracas, sugerindo que a “luta contra o narcotráfico” pode servir como pretexto para pressões militares indiretas sobre o governo de Nicolás Maduro.
Aviões bombardeiros e demonstrações de poder

Além das operações navais, os Estados Unidos têm realizado voos de bombardeiros estratégicos B-52 e B-1B próximos ao litoral venezuelano. O mais recente, ocorrido em 27 de outubro, foi interpretado por analistas como um aviso simbólico a Maduro.
Essa postura, de acordo com o Departamento de Estado, visa “proteger os interesses dos EUA e de seus aliados” na região. Já o governo venezuelano considera as manobras uma provocação militar direta.
Caracas denuncia conspiração
Em resposta, Nicolás Maduro acusou Washington de “fabricar uma guerra” e de promover uma campanha de desestabilização para justificar uma intervenção estrangeira. “Eles querem o petróleo da Venezuela e usam o discurso antidrogas como disfarce”, afirmou o presidente durante um pronunciamento transmitido pela televisão estatal.
A chancelaria venezuelana também enviou uma nota de protesto à Organização das Nações Unidas (ONU), denunciando as manobras norte-americanas como uma “ameaça à soberania e à paz regional”.
Um impasse que reacende velhas feridas
O episódio reacende a histórica rivalidade entre Washington e Caracas, marcada por sanções econômicas, acusações mútuas de interferência e o apoio dos EUA à oposição venezuelana desde 2019.
Embora Trump tenha negado qualquer plano de ataque, o aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe e a fragilidade interna da Venezuela mantêm o clima de incerteza sobre os próximos passos.
Entre negações diplomáticas e demonstrações de força, o tabuleiro geopolítico da América Latina volta a mostrar que, mesmo sem tiros, a tensão já está no ar.
[ Fonte: DW ]