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Trump nega planos de atacar a Venezuela em meio a crescente tensão militar no Caribe

Após reportagens do Wall Street Journal e do Miami Herald afirmarem que os Estados Unidos estariam prestes a atacar bases venezuelanas, o ex-presidente Donald Trump negou qualquer decisão nesse sentido. Mesmo assim, o envio de navios e caças à região intensificou o clima de alerta em Caracas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

As tensões entre Estados Unidos e Venezuela voltaram a escalar nesta sexta-feira (31), após rumores de uma possível ofensiva militar norte-americana no Caribe. Questionado a bordo do Air Force One, o presidente Donald Trump negou que tenha ordenado ataques ao território venezuelano. “Não”, respondeu de forma direta, ao ser interrogado por jornalistas sobre a possibilidade de uma ação armada.

Rumores e movimentação militar

Maduro Trump
© X-@elestimulo

As declarações de Trump ocorreram poucas horas depois de reportagens do The Wall Street Journal e do Miami Herald apontarem que Washington estaria se preparando para atacar instalações militares da Venezuela, com a ofensiva podendo ocorrer “a qualquer momento”.

Embora a Casa Branca negue planos de agressão, a presença militar norte-americana no Caribe aumentou significativamente nas últimas semanas. O Pentágono confirmou o envio de oito navios da Marinha à região, além de caças furtivos F-35 posicionados em Porto Rico. Um grupo de ataque de porta-aviões também estaria se deslocando em direção ao Caribe, compondo uma das maiores concentrações navais recentes dos Estados Unidos na área.

Oficialmente, o governo norte-americano afirma que o objetivo dessas operações é combater o tráfico internacional de drogas, mas autoridades venezuelanas e observadores internacionais veem o movimento como uma demonstração de força com motivações políticas.

“Guerra às drogas” ou operação encoberta?

Segundo o Departamento de Defesa, a campanha militar lançada no início de setembro mira embarcações suspeitas de tráfico no Caribe e no Pacífico oriental. As ações, descritas por Washington como parte de uma ofensiva contra o narcotráfico, já resultaram na morte de pelo menos 62 pessoas e na destruição de 14 barcos e um semissubmersível.

O governo Trump sustenta que pequenas embarcações são uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos por transportarem drogas destinadas ao mercado norte-americano. No entanto, especialistas em direito internacional alertam que os ataques configuram execuções extrajudiciais, mesmo quando direcionados a suspeitos de tráfico.

Fontes diplomáticas ouvidas por veículos latino-americanos afirmam que a intensificação das operações no Caribe coincide com o aumento das tensões políticas com Caracas, sugerindo que a “luta contra o narcotráfico” pode servir como pretexto para pressões militares indiretas sobre o governo de Nicolás Maduro.

Aviões bombardeiros e demonstrações de poder

EUA enviam porta-aviões ao Caribe em nova escalada com a Venezuela
© https://x.com/isonmayu/

Além das operações navais, os Estados Unidos têm realizado voos de bombardeiros estratégicos B-52 e B-1B próximos ao litoral venezuelano. O mais recente, ocorrido em 27 de outubro, foi interpretado por analistas como um aviso simbólico a Maduro.

Essa postura, de acordo com o Departamento de Estado, visa “proteger os interesses dos EUA e de seus aliados” na região. Já o governo venezuelano considera as manobras uma provocação militar direta.

Caracas denuncia conspiração

Em resposta, Nicolás Maduro acusou Washington de “fabricar uma guerra” e de promover uma campanha de desestabilização para justificar uma intervenção estrangeira. “Eles querem o petróleo da Venezuela e usam o discurso antidrogas como disfarce”, afirmou o presidente durante um pronunciamento transmitido pela televisão estatal.

A chancelaria venezuelana também enviou uma nota de protesto à Organização das Nações Unidas (ONU), denunciando as manobras norte-americanas como uma “ameaça à soberania e à paz regional”.

Um impasse que reacende velhas feridas

O episódio reacende a histórica rivalidade entre Washington e Caracas, marcada por sanções econômicas, acusações mútuas de interferência e o apoio dos EUA à oposição venezuelana desde 2019.

Embora Trump tenha negado qualquer plano de ataque, o aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe e a fragilidade interna da Venezuela mantêm o clima de incerteza sobre os próximos passos.

Entre negações diplomáticas e demonstrações de força, o tabuleiro geopolítico da América Latina volta a mostrar que, mesmo sem tiros, a tensão já está no ar.

 

[ Fonte: DW ]

 

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