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Ciência

Um especialista da NASA faz um alerta sobre asteroides: a humanidade precisa se preparar antes que seja tarde

O risco imediato é extremamente baixo, mas especialistas já trabalham em tecnologias capazes de enfrentar uma ameaça que, em algum momento, poderá voltar a colocar a Terra à prova.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A possibilidade de um grande asteroide atingir a Terra parece pertencer ao território dos filmes de ficção científica. Para quem estuda esses objetos, porém, a questão é encarada de maneira muito mais pragmática. Não há motivo para pânico hoje, mas existe uma razão poderosa para que governos e agências espaciais se preparem com antecedência. E algumas das ferramentas necessárias para isso já começaram a ser testadas.

O perigo não está à espreita, mas também não desapareceu

Um especialista da NASA faz um alerta sobre asteroides: a humanidade precisa se preparar antes que seja tarde
© NASA Hubble Space Telescope – Unsplash

Humberto Campins, especialista em asteroides ligado à NASA, defende uma ideia que pode parecer contraditória à primeira vista: ninguém deveria viver preocupado com a possibilidade de uma rocha espacial cair sobre sua cabeça, mas a humanidade, como civilização, precisa levar essa ameaça muito a sério.

Durante uma entrevista à EFE no congresso The Many Pathways to Spaces, realizado em Oviedo, na Espanha, Campins explicou que a probabilidade de um impacto perigoso acontecer durante a vida de uma pessoa é muito baixa. Atualmente, também não há conhecimento de algum asteroide que esteja prestes a atingir a Terra.

O problema aparece quando a escala de tempo deixa de ser individual e passa a ser planetária.

Eventos semelhantes ao impacto associado à extinção dos dinossauros podem voltar a acontecer ao longo da história do planeta. Por isso, segundo o especialista, uma civilização que pretende sobreviver por períodos muito longos precisa desenvolver mecanismos para detectar antecipadamente esses objetos e, se necessário, alterar suas trajetórias.

É justamente aí que entra um conceito que ganhou importância crescente nas últimas décadas: a defesa planetária.

A NASA já testou uma estratégia que parecia coisa de cinema

Campins lembra que, há pelo menos três ou quatro décadas, a NASA conseguiu convencer o governo dos Estados Unidos de que os asteroides deveriam ser tratados como uma ameaça potencial.

Desde então, uma rede internacional de telescópios e pesquisadores passou a procurar objetos próximos da Terra e calcular a probabilidade de suas trajetórias representarem algum perigo. Um dos instrumentos utilizados para comunicar esse risco é a escala de Torino.

A preparação também inclui exercícios periódicos. Agências espaciais e especialistas realizam simulações aproximadamente a cada três anos para preservar uma espécie de “memória institucional”, permitindo que governos e instituições saibam como reagir caso um objeto realmente perigoso seja descoberto.

Mas a defesa planetária já ultrapassou a fase puramente teórica.

Em 2022, a missão DART, da NASA, atingiu deliberadamente Dimorphos, pequeno corpo que orbita o asteroide Didymos. O experimento demonstrou que um impacto cinético pode modificar a órbita de um objeto espacial.

Na prática, a humanidade comprovou pela primeira vez que é possível alterar intencionalmente o movimento de um corpo celeste. A técnica não resolve todos os cenários possíveis, mas mostrou que desviar um asteroide deixou de ser apenas uma ideia de ficção científica.

Um gigante de 375 metros fará uma aproximação impressionante

A próxima grande oportunidade para entender melhor esses objetos chegará em abril de 2029. É quando Apophis, um asteroide com aproximadamente 375 metros, fará uma passagem extraordinariamente próxima da Terra.

Ele ficará a menos de 32 mil quilômetros da superfície terrestre, uma distância inferior à órbita de muitos satélites de comunicação. A aproximação será tão significativa que o objeto poderá ser observado da Terra sem equipamentos profissionais em determinadas regiões.

Apesar dos números impressionantes, Campins ressalta que essa passagem não representa risco de impacto.

O interesse científico está no que acontecerá com Apophis durante o encontro. A intensa influência gravitacional da Terra poderá produzir alterações físicas no asteroide, oferecendo aos pesquisadores uma oportunidade rara de observar de perto como esses corpos reagem a encontros planetários.

A NASA pretende estudar o fenômeno com a missão OSIRIS-APEX, da qual Campins participa. A Agência Espacial Europeia também prepara a missão Ramses.

Entre os objetivos está analisar possíveis deformações e mudanças provocadas pela gravidade terrestre. Esses dados poderão melhorar os modelos utilizados para prever o comportamento de asteroides que, no futuro, apresentem trajetórias realmente preocupantes.

Os mesmos asteroides que ameaçam a Terra podem virar uma fortuna espacial

Há ainda uma reviravolta curiosa nessa história. Os asteroides não são apenas possíveis ameaças: eles também podem se transformar em recursos extremamente valiosos para a exploração espacial.

Campins explica que objetos que se aproximam da Terra podem apresentar velocidades relativamente favoráveis para futuras operações de mineração espacial.

A missão OSIRIS-REx, predecessora da OSIRIS-APEX e da qual o pesquisador também participou, trouxe pistas importantes nesse sentido ao estudar Bennu. O asteroide possui silicatos hidratados, materiais semelhantes à argila dos quais seria possível obter água.

E água, fora da atmosfera terrestre, é um recurso estratégico.

Ela pode ser utilizada diretamente ou separada em hidrogênio e oxigênio, componentes que poderiam servir para produção de combustível no espaço. Em vez de transportar tudo da superfície terrestre, futuras operações poderiam aproveitar recursos encontrados em asteroides.

Esses corpos também podem conter platina, terras raras e outros materiais úteis. Até matérias-primas relativamente comuns teriam valor se fossem empregadas na fabricação de estruturas diretamente no espaço, reduzindo os enormes custos de lançamento a partir da Terra.

Campins acredita que esse cenário poderá começar a ganhar forma nas próximas uma ou duas décadas. Bases espaciais, centros de dados e outras infraestruturas poderiam, no futuro, depender parcialmente desses recursos.

Assim, os asteroides representam um paradoxo fascinante: são objetos capazes de ameaçar uma civilização inteira, mas também podem fornecer parte dos materiais necessários para que essa mesma civilização expanda sua presença para além da Terra.

[Fonte: informador]

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