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Ciência

Uma simples mudança na iluminação pode ajudar idosos a dormir e se movimentar melhor

Passar muitas horas longe da luz natural pode afetar mais do que a disposição. Uma pesquisa europeia descobriu uma maneira simples de ajudar o organismo a reorganizar seus horários.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A luz é muito mais do que aquilo que permite enxergar o ambiente. Ela funciona como um sinal para o relógio biológico, ajudando o organismo a entender quando é hora de permanecer ativo e quando deve começar a desacelerar. Para pessoas mais velhas, essa sinalização pode ficar ainda mais importante, principalmente quando grande parte do dia é passada dentro de casa. Agora, pesquisadores encontraram uma pista interessante sobre como compensar essa falta.

O experimento levou a luz para dentro da rotina

Pesquisadores da Universidade de Surrey, no Reino Unido, analisaram mais de 200 adultos com idades entre 63 e 92 anos que viviam em Tartu, na Estônia, Bolonha, na Itália, e Amsterdã, nos Países Baixos.

A pesquisa fez parte do projeto europeu ENLIGHTENme e buscou verificar se os efeitos da exposição à luz observados anteriormente em ambientes controlados também poderiam aparecer na vida cotidiana.

Durante as duas primeiras semanas, os participantes mantiveram suas rotinas normais enquanto os pesquisadores acompanhavam seus padrões de sono, atividade e exposição luminosa.

Depois disso, parte do grupo passou a utilizar uma lâmpada de fototerapia instalada aproximadamente na altura da cabeça, no cômodo onde permanecia durante mais tempo.

A orientação era ligar o equipamento cerca de uma hora depois de acordar e interromper a exposição no máximo quatro horas antes de dormir. O procedimento foi mantido durante 12 semanas.

Para acompanhar as mudanças, os participantes usaram dispositivos de actigrafia no pulso, capazes de registrar movimentos e períodos de descanso. Sensores também mediram a quantidade de luz recebida ao longo do dia.

O objetivo era descobrir não apenas se mais luz faria diferença, mas também quando essa luz deveria ser recebida.

O horário parece ser tão importante quanto a quantidade

Os resultados indicaram que participantes naturalmente expostos a níveis maiores de luz apresentavam mais atividade física durante o dia, períodos de vigília mais consolidados e um sono de melhor qualidade.

A fototerapia também produziu efeitos interessantes. Entre os participantes que tinham hábitos mais voltados para o início do dia, aqueles que recebiam a luz mais cedo apresentaram maior atividade e períodos de descanso menos fragmentados.

O momento de encerrar a exposição também pareceu relevante. Reduzir a luz mais cedo durante a tarde estava associado a uma organização melhor do ritmo diário.

A explicação está no funcionamento do sistema circadiano. A luz é uma das principais informações usadas pelo organismo para sincronizar seu relógio interno com o ciclo de dia e noite. Por isso, uma exposição intensa pela manhã pode funcionar como um importante sinal de que o período de atividade começou.

A pesquisa também encontrou uma associação curiosa nos dados iniciais: participantes com condições metabólicas como hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares relatavam, em média, menor exposição à luz.

Isso, porém, não significa que a falta de luz provoque diretamente essas doenças. Os pesquisadores ressaltam que o estudo mostra uma associação, e não uma relação de causa e efeito.

Uma solução simples pode ter utilidade em residências e cuidados com idosos

A fototerapia já é utilizada em algumas situações relacionadas ao sono e a alterações sazonais do humor. O novo estudo amplia o interesse pela técnica ao sugerir que ela também pode ajudar a organizar os ciclos de atividade e descanso de adultos mais velhos.

A possibilidade chama atenção especialmente em residências para idosos, instituições de longa permanência e programas de atendimento comunitário.

Isso porque sair regularmente para receber luz natural nem sempre é fácil para pessoas com limitações de mobilidade ou problemas de visão. Uma fonte luminosa adequada dentro de casa poderia oferecer uma alternativa complementar.

Mas há uma ressalva importante: não basta simplesmente deixar uma lâmpada forte ligada durante todo o dia. Intensidade, duração e horário da exposição parecem desempenhar papéis diferentes.

O estudo, portanto, não mostra que uma lâmpada possa substituir completamente a luz do sol. O que os resultados sugerem é algo mais específico: para alguns adultos mais velhos, melhorar a exposição luminosa, especialmente nas primeiras horas do dia, pode ajudar o relógio biológico a manter uma rotina mais organizada.

No fim, uma mudança aparentemente banal no ambiente doméstico pode ter efeitos que vão muito além da iluminação.

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