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A nova aposta da NASA já está a caminho e pode encontrar aquilo que outros telescópios não conseguem ver

Um novo observatório espacial acaba de iniciar uma viagem ambiciosa. Sua capacidade de enxergar regiões gigantescas do cosmos pode transformar mapas, descobrir mundos e desafiar teorias antigas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A humanidade passou décadas observando o Universo através de pequenas janelas extremamente detalhadas. Agora, a NASA decidiu ampliar radicalmente esse enquadramento. Uma missão lançada neste domingo, 30 de agosto, combina imagens de alta resolução com uma visão panorâmica inédita, preparando o terreno para um gigantesco levantamento cósmico que poderá revelar fenômenos escondidos, planetas desconhecidos e pistas sobre alguns dos maiores enigmas da física moderna.

Um lançamento que abre uma nova janela para o cosmos

O protagonista dessa missão é o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, que decolou às 7h26 no horário da costa leste dos Estados Unidos a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX. O lançamento aconteceu no Complexo 39A do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Pouco depois, o observatório se separou com sucesso do segundo estágio do foguete e iniciou sua jornada independente.

Seu destino está a aproximadamente 1,6 milhão de quilômetros da Terra, nas proximidades do ponto de Lagrange L2, uma região especialmente conveniente para observatórios espaciais. O Roman deverá levar cerca de três meses para chegar à sua órbita operacional.

O local já é conhecido dos astrônomos. É também nessa região que opera o Telescópio Espacial James Webb. Mas os dois instrumentos foram projetados para desempenhar funções bastante diferentes.

Enquanto o Webb consegue mergulhar profundamente em determinados objetos e regiões do Universo, o Roman foi concebido para observar áreas enormes do céu de uma só vez. É justamente aí que começa a dimensão impressionante dessa missão.

O detalhe que faz o Roman parecer um Hubble em escala gigantesca

O espelho principal do Roman possui 2,4 metros de diâmetro, dimensão semelhante à do Hubble. Entretanto, seu campo de visão é pelo menos 100 vezes maior. Segundo a NASA, o novo observatório poderá pesquisar o céu até mil vezes mais rapidamente, mantendo sensibilidade e resolução infravermelha comparáveis às do veterano telescópio.

Na prática, isso muda completamente a escala da observação.

Em vez de produzir apenas retratos extremamente detalhados de pequenas regiões, o Roman poderá construir panoramas gigantescos sem abrir mão da nitidez. A expectativa é observar bilhões de objetos cósmicos e transformar essa quantidade colossal de informações em uma espécie de novo atlas do Universo.

Durante sua missão científica, prevista inicialmente para cerca de cinco anos, o telescópio produzirá volumes extraordinários de dados. A NASA estima uma capacidade de transmissão de aproximadamente 11 terabits por dia.

Esse fluxo permitirá acompanhar galáxias, estrelas, buracos negros e fenômenos transitórios em uma escala difícil de alcançar com os observatórios atuais. Mais do que obter imagens bonitas, o objetivo é identificar padrões que só aparecem quando os cientistas conseguem analisar enormes porções do cosmos simultaneamente.

O mapa pode ajudar a responder uma pergunta desconfortável sobre o Universo

A nova aposta da NASA já está a caminho e pode encontrar aquilo que outros telescópios não conseguem ver
© NASA – Unsplash

Entre os principais alvos científicos do Roman estão dois dos maiores mistérios da cosmologia: matéria escura e energia escura.

A matéria escura não pode ser observada diretamente, mas seus efeitos gravitacionais aparecem no comportamento de estrelas e galáxias. Já a energia escura é o nome dado ao fenômeno associado à expansão acelerada do Universo, uma descoberta que colocou novas perguntas diante dos modelos cosmológicos.

Ao mapear enormes quantidades de galáxias e estudar como elas estão distribuídas pelo espaço e pelo tempo, o Roman poderá fornecer pistas sobre como essa expansão evoluiu durante bilhões de anos.

Mas existe outro objetivo capaz de produzir resultados igualmente fascinantes.

O telescópio também realizará um grande levantamento de sistemas planetários da Via Láctea. Técnicas como a microlente gravitacional permitirão encontrar mundos que seriam extremamente difíceis de detectar por outros métodos. Além disso, seu instrumento coronógrafo testará tecnologias capazes de bloquear a intensa luz das estrelas para facilitar a observação direta de planetas ao redor delas.

O nome do telescópio carrega uma história ligada ao próprio Hubble

A nova aposta da NASA já está a caminho e pode encontrar aquilo que outros telescópios não conseguem ver
© Por NASA – https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=46063335

A missão homenageia Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da NASA e uma figura fundamental para o desenvolvimento da astronomia espacial norte-americana.

Roman foi uma das grandes defensoras da criação de observatórios instalados fora da atmosfera terrestre e teve papel decisivo no caminho que posteriormente levaria ao Hubble. Por isso, ficou conhecida como a “mãe do Hubble”.

Décadas depois, seu nome está ligado a um instrumento que não pretende simplesmente substituir os telescópios anteriores.

Hubble, Webb e Roman poderão trabalhar de maneira complementar. O novo observatório identificará objetos e fenômenos interessantes em enormes áreas do céu, enquanto outros instrumentos poderão realizar análises mais específicas desses alvos.

E talvez a parte mais intrigante seja justamente aquilo que ninguém colocou na lista de objetivos.

Ao observar uma parcela tão grande do Universo com resolução inédita, o Roman abre espaço para descobertas que seus próprios criadores ainda não sabem antecipar. É possível que seu legado mais importante não esteja entre as perguntas que motivaram sua construção, mas escondido em algum ponto dos bilhões de objetos que agora entrarão em seu campo de visão.

[Fonte: P12]

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