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Depois de 17 anos sem relações, Israel e Venezuela encontram na tecnologia uma possível ponte

Uma relação diplomática interrompida em 2009 começa a mudar rapidamente. Agora, agricultura, água, energia e saúde aparecem entre as áreas capazes de aproximar novamente os dois países.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante 17 anos, Israel e Venezuela permaneceram sem relações diplomáticas formais. Agora, em questão de semanas, uma sequência de movimentos começa a modificar esse cenário. Depois da cooperação humanitária provocada pelos terremotos de junho e da criação de um mecanismo para serviços consulares, representantes dos dois países discutiram uma etapa muito mais ampla. O próximo elo dessa aproximação pode estar na tecnologia e na reconstrução econômica venezuelana.

Uma reunião na ONU colocou novos assuntos sobre a mesa

Depois de 17 anos sem relações, Israel e Venezuela encontram na tecnologia uma possível ponte
© pexels

Danny Danon, representante permanente de Israel nas Nações Unidas, reuniu-se recentemente com sua contraparte venezuelana, Coromoto Godoy Calderón.

Segundo informações obtidas pela JNS, a conversa não ficou limitada à diplomacia.

Os representantes discutiram possibilidades de ampliar a cooperação econômica, identificar setores de interesse comum e explorar áreas nas quais conhecimento e inovação israelenses poderiam ser utilizados pela Venezuela.

Entre os campos mencionados estão agricultura, gestão da água, energia, saúde e tecnologias avançadas.

Ainda não foram anunciados contratos específicos nem projetos comerciais concretos nessas áreas.

Por enquanto, portanto, trata-se principalmente da exploração de possibilidades de cooperação.

Mas o simples fato de essas conversas estarem acontecendo representa uma mudança importante depois de quase duas décadas de afastamento.

Tudo começou a mudar depois de uma emergência

Existe um acontecimento recente que ajudou a aproximar os dois países: os terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho.

Depois de 17 anos sem relações, Israel e Venezuela encontram na tecnologia uma possível ponte
© YouTube

Israel enviou uma delegação de ajuda humanitária ao país.

Especialistas trabalharam com autoridades e organismos locais na avaliação de edifícios e áreas afetadas. A cooperação também avançou para a elaboração de estratégias relacionadas à recuperação das regiões atingidas.

Esse contato abriu um canal que posteriormente continuou no campo diplomático.

Em 11 de agosto, os governos venezuelano e israelense anunciaram oficialmente que permitiriam a continuidade da cooperação técnica bilateral iniciada durante a resposta aos terremotos.

Também decidiram estabelecer um mecanismo de coordenação para prestar serviços consulares aos cidadãos de ambos os países.

Era um passo significativo.

Mas ainda não representava a restauração completa das relações diplomáticas.

A ruptura aconteceu há 17 anos

Para entender o tamanho da mudança, é preciso voltar a 2009.

Naquele ano, durante o governo de Hugo Chávez, a Venezuela rompeu relações diplomáticas com Israel em protesto contra a operação militar israelense na Faixa de Gaza.

Nos anos seguintes, Caracas aprofundou sua relação com o Irã.

Nicolás Maduro manteve grande parte dessa orientação depois de assumir o poder.

Esse contexto tornou a distância entre Venezuela e Israel muito maior do que uma simples ausência de embaixadas.

Os dois países acabaram posicionados em lados bastante diferentes de importantes disputas geopolíticas.

A situação começou a mudar significativamente em 2026, acompanhando uma reorganização mais ampla da política externa venezuelana.

A tecnologia israelense pode encontrar um enorme campo de aplicação

Entre as áreas discutidas na recente reunião, uma das mais interessantes é a gestão da água.

Israel desenvolveu ao longo das últimas décadas tecnologias relacionadas à dessalinização, reutilização de água e irrigação eficiente, impulsionado em grande medida pelas próprias limitações hídricas de seu território.

Depois de 17 anos sem relações, Israel e Venezuela encontram na tecnologia uma possível ponte
© Orhan Akbaba – Pexels

Na agricultura, sistemas de irrigação e tecnologias voltadas ao uso eficiente de recursos também representam áreas nas quais empresas e instituições israelenses acumularam experiência.

Para a Venezuela, tecnologias desse tipo poderiam ser relevantes em projetos de modernização de infraestrutura e produção.

Energia e saúde também aparecem entre os setores discutidos.

Mas ainda existe uma distância considerável entre conversar sobre possibilidades e transformar essas ideias em investimentos concretos.

A cooperação também pode ir muito além da economia

Danon afirmou que Israel e Venezuela pretendem continuar trabalhando para aprofundar a cooperação tanto internacionalmente quanto dentro das Nações Unidas.

Essa parte da declaração mostra que a aproximação não está limitada à transferência de tecnologia.

Existe também uma dimensão diplomática.

Depois de 17 anos de ruptura, reconstruir canais formais permite que ambos os governos voltem a discutir interesses diretamente, inclusive dentro de organismos multilaterais.

Ao mesmo tempo, a comunidade judaica venezuelana aparece como outro elemento dessa reconstrução.

No comunicado conjunto divulgado em agosto, os governos reconheceram explicitamente a importância histórica dessa comunidade como uma ponte entre os dois países.

Ainda falta o passo diplomático mais importante

Apesar da velocidade das mudanças, Israel e Venezuela ainda não restauraram plenamente suas relações diplomáticas.

Esse detalhe é fundamental.

O mecanismo consular anunciado em agosto permite atender cidadãos dos dois países, enquanto a cooperação técnica mantém aberto um canal institucional.

As novas conversas econômicas acrescentam outra camada.

Mas restabelecer formalmente as relações diplomáticas envolveria um passo político adicional.

Por enquanto, os acontecimentos mostram uma reconstrução gradual: primeiro ajuda humanitária, depois cooperação técnica, serviços consulares e agora discussões sobre economia e tecnologia.

Uma crise abriu uma porta que permaneceu fechada durante quase duas décadas

Talvez o aspecto mais curioso dessa história seja justamente a velocidade da transformação.

Durante 17 anos, as relações permaneceram interrompidas.

Então uma emergência natural criou uma necessidade prática de cooperação. Especialistas começaram a trabalhar juntos. Governos abriram canais de comunicação. Serviços consulares voltaram à discussão.

Agora aparecem agricultura, água, energia, saúde e tecnologia.

Ainda é cedo para saber quantos desses projetos realmente sairão do papel.

Mas existe uma mudança concreta: dois países que durante quase duas décadas praticamente não mantiveram relações oficiais agora estão discutindo como trabalhar juntos.

E a tecnologia pode acabar sendo uma das pontes utilizadas para reconstruir uma relação que a política interrompeu em 2009.

[Fonte: JNS]

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