A disputa legislativa já não é apenas sobre cadeiras: meio Parlamento — “metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado” — estará em jogo.
Se nesse pleito o governo conseguir ampliar seu poder, poderá aprovar reformas duras. Se não, pode ficar engessado.
Além disso, para os EUA e Trump, a aposta não é apenas política interna da Argentina: está em jogo uma aliança estratégica na América do Sul.

O que está em jogo para Milei
Teste de força para seu programa
Milei assumiu prometendo uma ruptura: reformas radicais no Estado, alívio inflacionário e abertura econômica.
Nesse momento, esta eleição serve como referendo à sua visão política. Se a base não se mantiver, tudo fica mais difícil.
Avanços econômicos — mas com preço
Ele conseguiu queda da inflação mensal de 25% para cerca de 2% quando assumiu, e o país teve superávit fiscal inédito. No entanto, isso ocorreu junto a sacrifícios — a renda real caiu para muitos servidores e aposentados, e a pobreza ainda atingia 31,6% (14,5 milhões de pessoas) no meio do ano.
Escândalos também entram no prato
Para complicar, o governo viu uma série de casos que minam o capital político: lançamento de criptomoeda que despencou, áudios com suspeitas envolvendo pessoas influentes no governo, renúncias e ligações controversas com narcotráfico. Todos esses fatores podem pesar na eleição.
A questão dos vetos e alianças
Milei precisa de um terço da Câmara para garantir seus vetos presidenciais — se não conseguir sozinho, terá de negociar.
E negociar significa talvez moderar posições radicais ou buscar alianças que talvez não quisesse. O resultado deste domingo dirá se ele segue “sozinho” ou refém de acordos.
O que está em jogo para a oposição
Retomar o protagonismo
A oposição quer aproveitar o momento para assumir maior controle da agenda a partir do Congresso. Já conseguiu barrar vetos, temato bloqueios pontuais e sinaliza que pode reagrupar forças.
Fragmentação política, mas oportunidade
O bloco opositor é diverso — há setores do peronismo, governadores regionais com perfil próprio e até novas alianças como o “Províncias Unidas”.
Directorio Legislativo
Essa diversidade pode ser vantagem se for bem conduzida, ou armadilha se não for.
De olho em 2027
Essa eleição legislativa também serve como prelúdio para a disputa presidencial de 2027. Se a oposição conseguir mostrar força agora, embarca melhor posicionada no próximo ciclo.
O que está em jogo para Trump e os EUA
Apoio condicionado
Os EUA apoiaram a Argentina de Milei — há linha swap de US$ 20 bilhões, compra de US$ 1 bilhão em pesos para evitar derrocada da moeda e promessa de mais investimentos.
Mas Trump deixou claro: se Milei não vencer ou se a oposição dominar, “vamos embora”.
Interesses estratégicos e geopolíticos
A realidade: a Argentina tem ativos (gás natural, lítio, terras raras) que interessam aos EUA. A ajuda à Argentina é vista como parte de uma competição com a China na região.
Para os EUA, a eleição de Milei ou não influi diretamente em sua influência regional.
Risco e recompensa
O risco é que os EUA precisem continuar despejando dinheiro sem garantias, caso Milei não tenha musculatura para tocar reformas ou enfrentar crise.
Em resumo: o que essa eleição vai definir
- Se as reformas de Milei vão continuar ou ficam emperradas.
- Se a oposição assume protagonismo no Congresso ou segue marginalizada.
- Se os EUA mantêm seu apoio estratégico ou recuam diante de um resultado adverso.
- Se a Argentina converte promessas em estabilidade ou corre risco de novo colapso.
Este domingo, 26/10, não é só mais uma eleição legislativa na América Latina. É um ponto de inflexão para a Argentina, para sua economia e para o tabuleiro geopolítico da região.
[Fonte: Correio Braziliense]