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Argentina decide: o futuro de Milei e a aposta de Trump

A votação de domingo (26/10) na Argentina vai muito além da renovação parcial do Congresso — é o grande teste para o presidente Javier Milei e a aliança geopolítica com os EUA de Donald Trump. A interpretação está em quem assume o controle das bancadas e o destino da “agenda de mudança” no país.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A disputa legislativa já não é apenas sobre cadeiras: meio Parlamento — “metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado” — estará em jogo.

Se nesse pleito o governo conseguir ampliar seu poder, poderá aprovar reformas duras. Se não, pode ficar engessado.

Além disso, para os EUA e Trump, a aposta não é apenas política interna da Argentina: está em jogo uma aliança estratégica na América do Sul.

Argentina decide: o futuro de Milei e a aposta de Trump
© https://x.com/TommyShelby_30

O que está em jogo para Milei

Teste de força para seu programa

Milei assumiu prometendo uma ruptura: reformas radicais no Estado, alívio inflacionário e abertura econômica.

Nesse momento, esta eleição serve como referendo à sua visão política. Se a base não se mantiver, tudo fica mais difícil.

Avanços econômicos — mas com preço

Ele conseguiu queda da inflação mensal de 25% para cerca de 2% quando assumiu, e o país teve superávit fiscal inédito. No entanto, isso ocorreu junto a sacrifícios — a renda real caiu para muitos servidores e aposentados, e a pobreza ainda atingia 31,6% (14,5 milhões de pessoas) no meio do ano.

Escândalos também entram no prato

Para complicar, o governo viu uma série de casos que minam o capital político: lançamento de criptomoeda que despencou, áudios com suspeitas envolvendo pessoas influentes no governo, renúncias e ligações controversas com narcotráfico. Todos esses fatores podem pesar na eleição.

A questão dos vetos e alianças

Milei precisa de um terço da Câmara para garantir seus vetos presidenciais — se não conseguir sozinho, terá de negociar.

E negociar significa talvez moderar posições radicais ou buscar alianças que talvez não quisesse. O resultado deste domingo dirá se ele segue “sozinho” ou refém de acordos.

O que está em jogo para a oposição

Retomar o protagonismo

A oposição quer aproveitar o momento para assumir maior controle da agenda a partir do Congresso. Já conseguiu barrar vetos, temato bloqueios pontuais e sinaliza que pode reagrupar forças.

Fragmentação política, mas oportunidade

O bloco opositor é diverso — há setores do peronismo, governadores regionais com perfil próprio e até novas alianças como o “Províncias Unidas”.

Directorio Legislativo

Essa diversidade pode ser vantagem se for bem conduzida, ou armadilha se não for.

De olho em 2027

Essa eleição legislativa também serve como prelúdio para a disputa presidencial de 2027. Se a oposição conseguir mostrar força agora, embarca melhor posicionada no próximo ciclo.

O que está em jogo para Trump e os EUA

Apoio condicionado

Os EUA apoiaram a Argentina de Milei — há linha swap de US$ 20 bilhões, compra de US$ 1 bilhão em pesos para evitar derrocada da moeda e promessa de mais investimentos.

Mas Trump deixou claro: se Milei não vencer ou se a oposição dominar, “vamos embora”.

Interesses estratégicos e geopolíticos

A realidade: a Argentina tem ativos (gás natural, lítio, terras raras) que interessam aos EUA. A ajuda à Argentina é vista como parte de uma competição com a China na região.

Para os EUA, a eleição de Milei ou não influi diretamente em sua influência regional.

Risco e recompensa

O risco é que os EUA precisem continuar despejando dinheiro sem garantias, caso Milei não tenha musculatura para tocar reformas ou enfrentar crise.

Em resumo: o que essa eleição vai definir

  • Se as reformas de Milei vão continuar ou ficam emperradas.
  • Se a oposição assume protagonismo no Congresso ou segue marginalizada.
  • Se os EUA mantêm seu apoio estratégico ou recuam diante de um resultado adverso.
  • Se a Argentina converte promessas em estabilidade ou corre risco de novo colapso.

Este domingo, 26/10, não é só mais uma eleição legislativa na América Latina. É um ponto de inflexão para a Argentina, para sua economia e para o tabuleiro geopolítico da região.

[Fonte: Correio Braziliense]

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