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Brasil, Japão e outros países rejeitam novos tarifas dos EUA e preparam resposta diplomática

As novas tarifas dos Estados Unidos, que variam entre 10% e 12,5%, entraram em vigor para mais de 80 países e economias. Brasil, Japão, Chile e outros governos contestaram a medida e anunciaram negociações ou ações diplomáticas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, passou a aplicar novas tarifas de importação entre 10% e 12,5% sobre produtos provenientes de mais de 80 países e economias. Segundo Washington, essas nações não possuem mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

As novas tarifas começaram a valer à 0h01 desta sexta-feira e substituem a tarifa global temporária de 10% que expirou na quinta-feira.

EUA justificam novas tarifas com investigação sobre trabalho forçado

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© Kevin Dietsch

A Casa Branca baseou a decisão em uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza o governo americano a responder a práticas comerciais consideradas injustificadas ou discriminatórias.

A administração Trump recorreu a esse instrumento após tribunais limitarem parte das tarifas globais anteriormente impostas com base na Seção 122.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que “a taxa e o alcance das isenções são apropriados” para incentivar a eliminação das práticas apontadas na investigação sobre trabalho forçado.

Mesmo assim, o anúncio provocou uma reação imediata de diversos governos, que contestaram os argumentos apresentados por Washington e prometeram buscar negociações ou adotar medidas diplomáticas.

Brasil acusa EUA de usar trabalho forçado como justificativa para protecionismo

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© YouTube

O Brasil foi um dos primeiros países a responder.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os Estados Unidos utilizaram a questão do trabalho forçado como justificativa para reforçar uma política comercial protecionista.

Em comunicado oficial, o governo brasileiro declarou que, diante da falta de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, Washington optou por manipular um tema de grande relevância para justificar a imposição das novas tarifas.

A medida representa o segundo aumento tarifário aplicado pelos Estados Unidos contra o Brasil em menos de uma semana. Na quarta-feira, já havia entrado em vigor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas comerciais desleais.

Segundo um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a carga tarifária acumulada sobre as exportações brasileiras chegará a 37,5%.

México evita impacto graças ao T-MEC

O México informou que conseguiu escapar das novas tarifas graças ao Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC).

A Secretaria de Economia mexicana explicou que cerca de 85% das exportações do país continuarão entrando no mercado americano com tarifa zero.

Os demais produtos seguirão sujeitos à tarifa de 10%, sem alterações em relação ao regime anterior.

“Uma tarifa substitui a outra, portanto o tratamento tarifário permanece o mesmo”, informou o órgão.

Chile tenta ficar fora da lista de países afetados

O governo chileno também criticou a decisão dos Estados Unidos e anunciou que buscará ser retirado da lista de países atingidos pelas novas tarifas.

O Ministério das Relações Exteriores do Chile afirmou que o país possui uma sólida estrutura institucional na área trabalhista e argumentou que a aplicação da medida não condiz com esses padrões nem com os argumentos técnicos, políticos e jurídicos apresentados durante toda a investigação.

Já o presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, Antonio Walker, afirmou que a decisão prejudica a competitividade das exportações chilenas e cria um cenário de incerteza para milhares de produtores e trabalhadores.

Japão considera medida dos EUA “lamentável”

O Japão também demonstrou insatisfação com a nova política comercial americana.

O porta-voz do governo, Minoru Kihara, classificou a decisão como “lamentável” e afirmou que a indústria e o comércio japoneses atuam em conformidade com as normas internacionais.

Segundo ele, não faz sentido impor tarifas ao Japão sob o argumento de que o país não adota medidas suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Kihara também lembrou que Tóquio e Washington mantêm em vigor o acordo comercial bilateral firmado em 2025, que estabeleceu uma tarifa de 15% para a maioria das importações japonesas em troca de investimentos de US$ 550 bilhões nos Estados Unidos.

Com esse acordo ainda válido, o governo japonês reiterou que continuará dialogando com Washington para tentar solucionar as divergências comerciais surgidas após a entrada em vigor das novas tarifas.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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