O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, passou a aplicar novas tarifas de importação entre 10% e 12,5% sobre produtos provenientes de mais de 80 países e economias. Segundo Washington, essas nações não possuem mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
As novas tarifas começaram a valer à 0h01 desta sexta-feira e substituem a tarifa global temporária de 10% que expirou na quinta-feira.
EUA justificam novas tarifas com investigação sobre trabalho forçado

A Casa Branca baseou a decisão em uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza o governo americano a responder a práticas comerciais consideradas injustificadas ou discriminatórias.
A administração Trump recorreu a esse instrumento após tribunais limitarem parte das tarifas globais anteriormente impostas com base na Seção 122.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que “a taxa e o alcance das isenções são apropriados” para incentivar a eliminação das práticas apontadas na investigação sobre trabalho forçado.
Mesmo assim, o anúncio provocou uma reação imediata de diversos governos, que contestaram os argumentos apresentados por Washington e prometeram buscar negociações ou adotar medidas diplomáticas.
Brasil acusa EUA de usar trabalho forçado como justificativa para protecionismo

O Brasil foi um dos primeiros países a responder.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os Estados Unidos utilizaram a questão do trabalho forçado como justificativa para reforçar uma política comercial protecionista.
Em comunicado oficial, o governo brasileiro declarou que, diante da falta de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, Washington optou por manipular um tema de grande relevância para justificar a imposição das novas tarifas.
A medida representa o segundo aumento tarifário aplicado pelos Estados Unidos contra o Brasil em menos de uma semana. Na quarta-feira, já havia entrado em vigor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas comerciais desleais.
Segundo um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a carga tarifária acumulada sobre as exportações brasileiras chegará a 37,5%.
México evita impacto graças ao T-MEC
O México informou que conseguiu escapar das novas tarifas graças ao Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC).
A Secretaria de Economia mexicana explicou que cerca de 85% das exportações do país continuarão entrando no mercado americano com tarifa zero.
Os demais produtos seguirão sujeitos à tarifa de 10%, sem alterações em relação ao regime anterior.
“Uma tarifa substitui a outra, portanto o tratamento tarifário permanece o mesmo”, informou o órgão.
Chile tenta ficar fora da lista de países afetados
O governo chileno também criticou a decisão dos Estados Unidos e anunciou que buscará ser retirado da lista de países atingidos pelas novas tarifas.
O Ministério das Relações Exteriores do Chile afirmou que o país possui uma sólida estrutura institucional na área trabalhista e argumentou que a aplicação da medida não condiz com esses padrões nem com os argumentos técnicos, políticos e jurídicos apresentados durante toda a investigação.
Já o presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, Antonio Walker, afirmou que a decisão prejudica a competitividade das exportações chilenas e cria um cenário de incerteza para milhares de produtores e trabalhadores.
Japão considera medida dos EUA “lamentável”
O Japão também demonstrou insatisfação com a nova política comercial americana.
O porta-voz do governo, Minoru Kihara, classificou a decisão como “lamentável” e afirmou que a indústria e o comércio japoneses atuam em conformidade com as normas internacionais.
Segundo ele, não faz sentido impor tarifas ao Japão sob o argumento de que o país não adota medidas suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Kihara também lembrou que Tóquio e Washington mantêm em vigor o acordo comercial bilateral firmado em 2025, que estabeleceu uma tarifa de 15% para a maioria das importações japonesas em troca de investimentos de US$ 550 bilhões nos Estados Unidos.
Com esse acordo ainda válido, o governo japonês reiterou que continuará dialogando com Washington para tentar solucionar as divergências comerciais surgidas após a entrada em vigor das novas tarifas.
[ Fonte: Infobae ]