Jeff Bezos e Lauren Sanchez desembarcaram em Veneza para celebrar um casamento de proporções hollywoodianas, avaliado em até 75 milhões de dólares. No entanto, o que prometia ser uma celebração impecável rapidamente ganhou contornos políticos e contestatários. Grupos ativistas locais e internacionais lançaram uma ofensiva criativa para expor o que consideram os excessos dos super-ricos — e o evento sofreu um abalo significativo.
Protesto criativo ganha repercussão global

O plano inicial previa uma recepção no imponente Scuola Grande della Misericordia, uma construção histórica do século XVI. Mas essa localização acabou sendo trocada após a ameaça dos manifestantes de inundar os canais com crocodilos, flamingos, unicórnios e patos infláveis, dificultando o acesso dos convidados. A pressão veio de grupos como Greenpeace, No Space for Bezos e o coletivo britânico Everyone Hates Elon.
“Conseguimos! Somos pessoas comuns, sem dinheiro, sem poder. Mas conseguimos forçar um dos homens mais ricos do mundo a mudar de planos”, comemorou Tommaso Cacciari, organizador do movimento, em entrevista à BBC. O novo local da festa é o Arsenal de Veneza, uma fortificação medieval mais fácil de proteger contra manifestações externas.
Crítica à desigualdade e ao papel dos bilionários
Os organizadores do protesto deixaram claro que a indignação vai além de Bezos e Sanchez: “Os mais ricos vivem no excesso, enquanto o resto do mundo sofre com as consequências de uma emergência climática que não causou”, afirmou um porta-voz do Greenpeace. Cartazes espalhados pela cidade diziam: “Se você pode alugar Veneza para seu casamento, pode pagar mais impostos.”
O perfil do grupo No Space for Bezos no Instagram exibiu vídeos com críticas explícitas, inclusive uma faixa com o nome do bilionário riscado em vermelho e músicas satíricas. Uma publicação celebrava a mudança de local como uma vitória simbólica: “Veneza continua rebelde, não será serva dos poderosos.”
Lista de convidados e tensões políticas
Com cerca de 200 convidados, o casamento inclui nomes como Elon Musk, Oprah Winfrey, Kim Kardashian, Leonardo DiCaprio e Ivanka Trump. A visibilidade do evento fez crescer o desconforto entre moradores e ativistas, que também aproveitaram para criticar a ligação de Bezos com questões geopolíticas.
Uma imagem publicada pelos ativistas mostrava Bezos com um capacete militar da Segunda Guerra Mundial com a sigla “AWS”, em alusão à divisão de serviços de nuvem da Amazon, que presta serviços a órgãos de defesa dos EUA. A legenda dizia: “Sem Bezos, sem guerra.”
Bezos, a imprensa e o pano de fundo político
Outro ponto levantado pelos manifestantes envolve o controle de Bezos sobre o jornal The Washington Post, que ele adquiriu em 2013. Embora inicialmente tenha respeitado a independência editorial, Bezos teria interferido recentemente, impedindo o jornal de declarar apoio a Kamala Harris durante as eleições de 2024 — um movimento interpretado como alinhamento aos interesses de Donald Trump.
Curiosamente, uma reportagem publicada pelo próprio Washington Post sobre o casamento tenta minimizar os protestos, comparando os transtornos ao burburinho normal causado pelo Festival de Cinema de Veneza, e elogiando o “dinheiro que flui para a cidade”.