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Ciência

China planeja levar cães-robôs à Lua para uma missão que parece saída da ficção científica

A China prepara máquinas capazes de caminhar, coletar recursos e trabalhar ao lado de astronautas na superfície lunar. O plano faz parte de uma ambição muito maior para as próximas décadas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Voltar à Lua é apenas o começo. Se os planos das grandes potências espaciais avançarem, o verdadeiro desafio será permanecer por lá durante períodos cada vez maiores, construindo estruturas, procurando recursos e realizando pesquisas em um ambiente extremamente hostil. A China acredita que parte desse trabalho poderá ser entregue a ajudantes bastante peculiares. Eles têm quatro patas, inteligência artificial e lembram animais que conhecemos muito bem na Terra.

A China quer colocar cães-robôs para trabalhar na superfície lunar

China planeja levar cães-robôs à Lua para uma missão que parece saída da ficção científica
© NASA – Unsplash

A China estuda enviar cães-robôs à Lua por volta de 2035 para acompanhar astronautas e auxiliá-los durante diferentes atividades na superfície do satélite.

A proposta está sendo desenvolvida por pesquisadores ligados à Academia Chinesa de Tecnologia Espacial e integra os planos do país para ampliar progressivamente sua presença lunar.

Esses robôs quadrúpedes não seriam enviados apenas como demonstração tecnológica. A ideia é transformá-los em ferramentas capazes de realizar trabalhos físicos e colaborar diretamente com astronautas.

Entre as possíveis funções estão coleta e movimentação de recursos lunares, exploração de áreas de difícil acesso e participação nas tarefas necessárias para estabelecer uma futura infraestrutura permanente.

Um dos objetivos mais ambiciosos está relacionado à Estação Internacional de Pesquisa Lunar, projeto que pretende criar instalações científicas para operações de longa duração.

Os pesquisadores acreditam que humanos e máquinas poderiam trabalhar de maneira complementar. Enquanto astronautas ficariam responsáveis pelas atividades que exigem julgamento, adaptação e conhecimento científico, os robôs assumiriam trabalhos repetitivos, fisicamente exigentes ou potencialmente perigosos.

Antes disso, porém, existe uma pergunta que os laboratórios na Terra não conseguem responder completamente: como essas máquinas realmente se comportariam na Lua?

Caminhar na Terra é muito diferente de caminhar na Lua

Os cães-robôs utilizariam sistemas de inteligência artificial para interpretar o ambiente, movimentar-se e executar diferentes comandos.

Os testes podem ser realizados em cenários que simulam características do terreno lunar, mas reproduzir perfeitamente as condições encontradas fora da Terra é extremamente difícil.

A Lua possui aproximadamente um sexto da gravidade terrestre, temperaturas extremas, poeira fina e abrasiva e terrenos irregulares. Uma máquina criada para caminhar sobre quatro patas precisaria permanecer estável e operacional nessas condições.

Por isso, o conceito ainda precisa passar por diversas etapas de desenvolvimento e experimentação.

A proposta chinesa considera uma missão na qual três astronautas trabalhariam em conjunto com os robôs.

Um tripulante poderia coordenar e controlar os cães-robôs, enquanto outro ficaria dedicado à coleta de rochas e materiais para investigação científica. O terceiro permaneceria responsável pela coordenação de outras partes da missão a partir de um veículo.

Nesse cenário, as máquinas funcionariam como uma extensão das capacidades humanas.

E a lista de tarefas imaginada pelos pesquisadores vai muito além de simplesmente carregar pedras.

Eles poderiam procurar gelo, explorar tubos de lava e até ajudar na cozinha

China planeja levar cães-robôs à Lua para uma missão que parece saída da ficção científica
© Pexels

Entre as funções estudadas para os cães-robôs está a coleta de gelo lunar, recurso considerado estratégico para futuras missões.

A água extraída poderia ser utilizada para consumo e, após processamento, fornecer elementos importantes para outras aplicações, incluindo a produção de propelentes.

Os robôs também poderiam auxiliar na manipulação de tubos e estruturas, trabalhar com materiais encontrados na própria Lua e participar de tarefas relacionadas à construção da futura estação chinesa.

Outra possibilidade envolve os chamados tubos de lava, enormes cavidades formadas pela antiga atividade vulcânica lunar. Essas estruturas despertam interesse porque poderiam oferecer proteção natural contra radiação, micrometeoritos e grandes variações de temperatura.

Os planos são ainda mais ambiciosos quando se considera a rotina de uma futura base.

Segundo os pesquisadores, versões avançadas desses robôs poderiam conversar e interagir com astronautas, realizar patrulhas de segurança, limpar áreas comuns e até auxiliar na preparação de refeições.

Um cão-robô lunar, portanto, poderia funcionar simultaneamente como explorador, transportador, assistente e sistema de vigilância.

A ideia pode parecer saída da ficção científica, mas faz parte de uma estratégia espacial chinesa com objetivos definidos para as próximas décadas.

O verdadeiro objetivo da China vai muito além dos cães-robôs

Os robôs quadrúpedes são apenas uma peça de um projeto consideravelmente maior.

A China pretende enviar seus astronautas à superfície lunar antes de 2030, estabelecendo uma nova etapa de seu programa espacial tripulado.

Depois disso viria a expansão das atividades científicas e tecnológicas necessárias para uma presença mais duradoura.

A Estação Internacional de Pesquisa Lunar deverá ser desenvolvida progressivamente, com planos que avançam até aproximadamente 2045, quando Pequim espera contar com uma infraestrutura muito mais completa para exploração e pesquisa.

Nesse futuro, robôs provavelmente desempenharão um papel fundamental.

Máquinas não precisam respirar, podem entrar em regiões consideradas arriscadas para humanos e são capazes de executar tarefas repetitivas durante longos períodos. Robôs quadrúpedes acrescentam ainda uma vantagem importante: pernas podem permitir maior mobilidade em determinados terrenos irregulares nos quais veículos com rodas enfrentariam dificuldades.

Ainda existem muitos obstáculos tecnológicos antes que uma dessas máquinas caminhe pela superfície lunar ao lado de um astronauta.

Mas, se os planos chineses avançarem, algumas das próximas pegadas deixadas na poeira da Lua talvez tenham um formato bastante diferente das registradas durante a era Apollo.

[Fonte: C26]

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