A crise política na Nicarágua ganhou um novo capítulo após uma declaração do presidente Daniel Ortega que rapidamente repercutiu além das fronteiras do país. A resposta dos Estados Unidos veio poucas horas depois, com críticas diretas ao governo nicaraguense e um apelo para que a comunidade internacional adote uma posição mais firme diante dos rumos da democracia no país centro-americano.
Rubio afirma que os nicaraguenses têm direito de escolher seus governantes

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, criticou duramente as declarações do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que descartou a realização de novas eleições capazes de permitir que a oposição volte a disputar o poder no país.
Em comunicado divulgado pelo Departamento de Estado, Rubio afirmou que a fala de Ortega evidencia o caráter autoritário do governo nicaraguense.
Segundo o chefe da diplomacia americana, a população da Nicarágua deve ter garantido o direito de escolher seus líderes por meio de eleições livres e democráticas.
Rubio também declarou que Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, copresidente da Nicarágua, abandonaram até mesmo a aparência de governar com respaldo popular, reforçando as críticas que Washington vem fazendo ao regime nos últimos anos.
Além das críticas, o secretário de Estado fez um apelo à comunidade internacional para que outros países adotem uma postura conjunta diante da situação política nicaraguense.
Segundo Rubio, o governo de Ortega e Murillo não pode esperar manter relações diplomáticas normais com outras nações enquanto, na avaliação dos Estados Unidos, continua enfraquecendo princípios considerados fundamentais para a democracia no continente.
A manifestação reforça o endurecimento da política externa americana em relação ao governo da Nicarágua, que já enfrenta sanções e constantes questionamentos por parte de diversos organismos internacionais.
Declaração de Ortega amplia a tensão política e adia expectativas por eleições
A reação americana ocorreu após Daniel Ortega afirmar publicamente que a Nicarágua não voltará a realizar eleições que permitam à oposição assumir o governo.
Durante um ato em comemoração ao 47º aniversário da Revolução Sandinista, realizado em Manágua, o presidente declarou que não haverá novas eleições para que adversários políticos possam chegar ao poder.
A declaração acontece em um contexto de mudanças recentes na legislação do país.
Há cerca de um ano e meio, uma reforma constitucional ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos. Com isso, as eleições gerais que inicialmente estavam previstas para ocorrer antes foram adiadas para novembro de 2027.
Daniel Ortega é uma das figuras mais duradouras da política nicaraguense. Ele governou o país em dois períodos distintos: o primeiro durante a década de 1980 e o segundo iniciado em 2007, quando retornou ao poder e permanece desde então.
Nos últimos anos, organismos internacionais, governos estrangeiros e entidades de direitos humanos vêm manifestando preocupação com a situação política da Nicarágua, especialmente em relação às restrições impostas à oposição, ao funcionamento das instituições democráticas e ao espaço para participação política.
As declarações de Ortega e a resposta imediata de Marco Rubio indicam que o tema continuará no centro das discussões diplomáticas nas próximas semanas. Ao mesmo tempo, aumentam as pressões internacionais sobre o governo nicaraguense em meio às incertezas sobre o futuro político do país e sobre a realização de eleições competitivas nos próximos anos.
[Fonte: Cadena3]