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Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro movimenta Bolsa e dólar antes do segundo turno

A disputa presidencial brasileira movimenta investidores, enquanto o peso mexicano registra perdas expressivas. Pesquisas eleitorais, juros americanos e incertezas econômicas pressionam os mercados latino-americanos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A poucos dias de uma eleição presidencial decisiva, os mercados financeiros da América Latina atravessam um período de forte cautela. No Brasil, investidores acompanham cada nova pesquisa eleitoral em busca de sinais sobre os rumos da economia. Ao mesmo tempo, o México enfrenta uma desvalorização acentuada de sua moeda, provocada por mudanças nas expectativas de juros. Os movimentos revelam como política e decisões monetárias podem alterar rapidamente o comportamento das bolsas e do câmbio.

Eleição brasileira coloca investidores em alerta

O segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para domingo, 25 de outubro, tornou-se um dos principais fatores de influência sobre o mercado financeiro nacional.

A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) permanece apertada, segundo os levantamentos mais recentes.

Uma pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) mostrou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, configurando empate técnico.

No levantamento anterior, o senador aparecia com 46%, enquanto Lula registrava 44%.

A redução da diferença aumentou a cautela dos investidores, que procuram avaliar quais políticas econômicas poderão ser adotadas a partir de 2027.

O principal ponto de atenção é a política fiscal, especialmente o controle dos gastos públicos, a trajetória da dívida e as perspectivas para os juros.

Ibovespa recua após superar os 209 mil pontos

Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro movimenta Bolsa e dólar antes do segundo turno
© Pexels

O mercado brasileiro começou a quarta-feira com sinais de otimismo, mas perdeu força ao longo da sessão.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, chegou a ultrapassar os 209 mil pontos ontem, antes de inverter sua trajetória, terminando em 206.495 pontos (-0,86%). E o dólar comercial: R$ 5,027 (+0,17%)

Além das pesquisas eleitorais, a temporada de resultados corporativos contribuiu para o desempenho negativo.

As ações da WEG sofreram uma queda superior a 7%, depois que seus resultados trimestrais ficaram abaixo das expectativas de parte dos analistas.

Vale e Petrobras também recuaram, pressionando o índice devido ao peso que possuem na carteira do Ibovespa.

O movimento ocorreu após uma sessão de forte valorização na terça-feira (20), quando o indicador havia avançado 1,57%.

A realização de lucros, portanto, também ajudou a explicar a mudança de direção da Bolsa.

Peso mexicano registra uma das maiores quedas entre moedas emergentes

Enquanto o Brasil acompanha as eleições, o México enfrenta pressões de natureza principalmente monetária e comercial.

Na manhã desta quarta-feira, o peso mexicano recuava aproximadamente 1,2%, sendo negociado perto de 18,65 unidades por dólar. O movimento colocou a moeda entre as mais desvalorizadas dos mercados emergentes.

Uma das explicações envolve o chamado carry trade, estratégia utilizada por investidores que captam recursos em países com juros menores e aplicam em mercados que oferecem rendimentos superiores.

Durante anos, o diferencial entre as taxas de juros do México e dos Estados Unidos tornou essa operação atraente.

Entretanto, com a redução dessa diferença, investidores passaram a desfazer posições, aumentando a procura por dólares e pressionando o peso.

Segundo o Banco Base, o diferencial de juros havia diminuído para 250 pontos-base desde setembro.

Além disso, a falta de avanços nas negociações comerciais entre México e Estados Unidos também contribuiu para a cautela, conforme relatado pela Bloomberg Línea em sua cobertura do mercado mexicano.

Outras moedas latino-americanas também enfrentam pressão

Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro movimenta Bolsa e dólar antes do segundo turno
© Unsplash – Jason Leung.

A instabilidade não ficou restrita às duas maiores economias da América Latina.

Na Colômbia, o peso recuava cerca de 0,63%, enquanto investidores acompanhavam questionamentos sobre a tramitação do orçamento público de 2027.

No Chile, a moeda local perdia aproximadamente 0,28%, acompanhada por uma queda de 0,19% no principal índice acionário do país.

Na Argentina, o peso atacadista apresentava desvalorização de 0,13%, enquanto a Bolsa de Buenos Aires avançava cerca de 1,1% durante o período observado pela Reuters.

O cenário evidencia que os mercados regionais respondem a fatores diferentes, embora compartilhem a influência dos juros americanos e dos movimentos internacionais de capital.

O que os investidores esperam depois da eleição brasileira?

No Brasil, a principal questão é como o próximo governo administrará as contas públicas.

De acordo com uma análise da Reuters sobre as propostas fiscais dos candidatos, a dívida bruta brasileira alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto, ampliando a pressão por medidas de equilíbrio fiscal.

Flávio Bolsonaro propõe melhorar o resultado primário em 1,5% do PIB ao longo de 18 meses, enquanto Lula defende uma consolidação fiscal mais gradual, com preservação de políticas voltadas à população de menor renda.

Ambas as propostas ainda enfrentam questionamentos sobre sua implementação e capacidade de estabilizar a dívida.

O resultado das urnas poderá alterar as expectativas dos investidores, mas a direção dos mercados dependerá também das medidas efetivamente adotadas, do Congresso Nacional e das condições econômicas internacionais.

Até lá, novas pesquisas, balanços empresariais e decisões sobre juros continuarão influenciando o real, o dólar e a Bolsa brasileira.

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