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Ciência

Eclipse de 12 de agosto pode mudar o comportamento dos animais — e cientistas estarão observando

Enquanto milhões de pessoas olharão para o céu durante o eclipse solar de 12 de agosto, pesquisadores estarão atentos ao que acontece no chão. Insetos, aves e até animais domésticos podem apresentar mudanças temporárias de comportamento.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O eclipse solar de 12 de agosto será um dos grandes eventos astronômicos do ano. Na Espanha e em outras regiões onde o fenômeno será particularmente impressionante, milhões de pessoas devem acompanhar o momento em que a Lua encobrir o Sol e transformar temporariamente o dia em algo parecido com o anoitecer.

Mas os humanos não serão os únicos a perceber que alguma coisa mudou.

A rápida redução da luminosidade e as alterações de temperatura provocadas pelo eclipse podem interferir nos sinais ambientais utilizados por diversas espécies para organizar suas atividades.

Por isso, enquanto astrônomos e turistas estarão olhando para cima, biólogos estarão observando atentamente o comportamento dos animais.

Cientistas querem descobrir o que acontece com os insetos

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© Pexels

Um dos principais experimentos será liderado por Tom Sheehan, da Universidade da Geórgia, com a participação de pesquisadores de diferentes universidades e centros científicos.

O objetivo é analisar como os insetos respondem à mudança repentina de luminosidade durante o eclipse.

Marcos Méndez, pesquisador da Universidade Rey Juan Carlos e participante do projeto, explica que algumas espécies normalmente ativas no início da noite podem interpretar o escurecimento provocado pelo eclipse como a chegada antecipada do crepúsculo.

Para investigar essa possibilidade, pesquisadores instalarão pontos de monitoramento em diferentes regiões da Península Ibérica.

Entre os equipamentos utilizados estarão armadilhas luminosas capazes de atrair insetos que normalmente começam suas atividades durante a noite.

Os dados poderão revelar não apenas mudanças de comportamento, mas também fornecer informações sobre a abundância e a vulnerabilidade de determinadas espécies.

Eclipses anteriores provocaram comportamentos surpreendentes

Não seria a primeira vez que cientistas observam reações curiosas durante um eclipse solar.

Zoológicos são locais especialmente interessantes para esse tipo de pesquisa porque concentram muitas espécies diferentes em uma área relativamente pequena.

Durante o eclipse solar de 2017 nos Estados Unidos, pesquisadores registraram comportamentos incomuns em animais de um zoológico da Carolina do Sul.

Algumas tartarugas-gigantes-de-galápagos ficaram mais ativas do que o normal e um casal começou a acasalar.

Girafas foram vistas galopando, enquanto flamingos se agruparam ao redor de seus filhotes.

Gibões também apresentaram vocalizações diferentes das observadas normalmente naquele horário.

Essas reações podem estar relacionadas à mudança repentina das condições ambientais.

Entretanto, especialistas alertam que os comportamentos observados em um eclipse não necessariamente se repetem em outro.

Cada eclipse cria condições diferentes

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© Jongsun Lee – Unsplash

O comportamento animal depende de diversos fatores.

Horário, temperatura, localização geográfica, duração do eclipse e quantidade de luz solar bloqueada podem influenciar as respostas.

Por isso, as observações realizadas nos Estados Unidos em 2017 não podem ser simplesmente aplicadas ao eclipse de 12 de agosto na Espanha.

O horário será particularmente importante.

Espécies que utilizam a luminosidade como referência para iniciar atividades noturnas podem interpretar o eclipse como um anoitecer temporário.

Quando a luz retornar poucos minutos depois, o ambiente voltará rapidamente às condições anteriores.

Para os pesquisadores, essa mudança abrupta funciona como uma espécie de experimento natural.

Cachorros e gatos também podem perceber o eclipse?

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© Micah Giszack – Unsplash

Animais domésticos também podem apresentar pequenas alterações de comportamento durante o fenômeno.

Cachorros e gatos podem ficar menos ativos, procurar um lugar para dormir ou até demonstrar comportamentos associados ao início da noite.

Isso não significa necessariamente que eles compreendam o que está acontecendo.

Os animais utilizam diferentes sinais ambientais para organizar suas rotinas, incluindo luminosidade, temperatura e comportamento das pessoas ao redor.

E justamente os humanos podem ser um dos fatores mais importantes para os pets.

Sua reação pode afetar mais o pet que o próprio eclipse

No dia do fenômeno, milhões de pessoas estarão fora de casa, viajando ou reunidas em locais de observação.

Essa movimentação incomum pode causar mais impacto sobre determinados animais domésticos do que o próprio escurecimento do céu.

Um cachorro mais sensível, por exemplo, pode perceber rapidamente a agitação das pessoas, mudanças na rotina e grandes concentrações de desconhecidos.

Por isso, não existe necessidade de preparar cães ou gatos de maneira especial para o eclipse.

Segundo a veterinária Yasmina Domínguez, a melhor estratégia é justamente manter a rotina habitual.

Horários de alimentação, passeios e descanso podem continuar normalmente.

Evite levar animais para grandes aglomerações

A principal recomendação é evitar levar animais domésticos para locais com grandes concentrações de pessoas reunidas para observar o eclipse.

Barulho, trânsito, movimentação intensa e mudanças na rotina podem provocar estresse, principalmente em animais tímidos ou mais sensíveis.

Deixá-los em um ambiente conhecido e tranquilo tende a ser uma opção melhor.

Enquanto isso, cientistas aproveitarão o fenômeno para observar algo que normalmente é impossível reproduzir em grande escala: uma mudança repentina do dia para condições semelhantes às do crepúsculo e, poucos minutos depois, o retorno da luz.

Para milhões de pessoas, o eclipse de 12 de agosto será um espetáculo no céu.

Para biólogos, será também um enorme experimento natural capaz de revelar como diferentes formas de vida respondem quando, por alguns minutos, o relógio ambiental parece sair completamente do ritmo.

 

[ Fonte: El Confidencial ]

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