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Ciência

Físicos ampliam busca por buracos negros quânticos nas entranhas do LHC

Um novo estudo elimina mais um possível “esconderijo” para minúsculos buracos negros que poderiam ser produzidos pelo Grande Colisor de Hádrons. Encontrá-los poderia revelar algo ainda mais extraordinário: dimensões espaciais ocultas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quando o Grande Colisor de Hádrons (LHC) estava prestes a entrar em operação, em 2008, algumas previsões ganharam muito mais atenção do que a possível descoberta do bóson de Higgs, confirmada quatro anos depois. Havia quem afirmasse que o acelerador poderia criar pequenos buracos negros capazes de crescer descontroladamente e, no pior cenário, engolir a Terra.

A comunidade científica, porém, nunca levou esse risco a sério.

Com poucas exceções, pesquisadores concordavam que eventuais buracos negros microscópicos produzidos pelo LHC não teriam energia suficiente nem permaneceriam ativos por tempo necessário para representar qualquer ameaça ao planeta.

O medo de que o LHC destruísse a Terra

Cern Big Bang
© CERN

Uma das vozes mais conhecidas na época foi a do químico alemão Otto Rössler. Ele chegou a afirmar que um desses buracos negros microscópicos poderia crescer exponencialmente e consumir a Terra por dentro em apenas 50 meses.

A hipótese encontrou pouco apoio entre especialistas, mas foi suficiente para alimentar manchetes alarmistas ao redor do mundo.

Jornais questionavam se o LHC poderia desencadear “o fim do mundo”, enquanto tabloides britânicos chegaram a tratar uma possível catástrofe global como uma ameaça iminente.

Quase duas décadas depois, nada disso aconteceu. O LHC realizou incontáveis colisões de partículas, ajudou a confirmar a existência do bóson de Higgs e continua funcionando sem produzir qualquer buraco negro capaz de ameaçar o planeta.

Mas existe um detalhe importante nessa história: a possibilidade de o acelerador produzir buracos negros microscópicos não é completamente absurda do ponto de vista teórico.

Buracos negros quânticos ainda são procurados

As equações de Einstein escondem um objeto que faria exatamente o contrário de um buraco negro
© Unsplash

Alguns modelos da física permitem que colisões realizadas nas enormes energias alcançadas pelo LHC produzam buracos negros extremamente pequenos e de vida muito curta.

Esses objetos hipotéticos são conhecidos como buracos negros quânticos.

Por isso, físicos continuam procurando sinais de sua existência nos dados produzidos pelo acelerador.

Agora, uma equipe liderada por Tamas Vami e Danyi Zhang, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB), ampliou essa busca.

Em um estudo publicado na revista Progress in High Energy Physics, os pesquisadores investigaram novas possibilidades para detectar esses objetos e conseguiram excluir mais uma região onde eles poderiam estar escondidos nos dados experimentais.

Dimensões extras poderiam mudar a força da gravidade

A existência desses pequenos buracos negros dependeria de uma condição bastante intrigante: nosso Universo poderia possuir dimensões espaciais adicionais além das três que percebemos no cotidiano.

Em alguns modelos teóricos, essas dimensões extras fariam com que a gravidade se tornasse muito mais intensa em escalas extremamente pequenas.

Isso poderia permitir que colisões de partículas de altíssima energia produzissem buracos negros microscópicos dentro do LHC.

Caso existam, porém, eles não representariam uma ameaça à Terra. Esses objetos seriam extremamente pequenos e desapareceriam rapidamente.

Sua descoberta teria importância por outro motivo.

Encontrar evidências de buracos negros quânticos poderia revelar a existência de dimensões espaciais ocultas e oferecer pistas importantes para um dos maiores problemas da física moderna: desenvolver uma teoria capaz de conciliar a gravidade com a mecânica quântica.

Por enquanto, os pequenos buracos negros continuam sem aparecer. Mas, à medida que os físicos analisam novas regiões dos dados do LHC, o espaço onde eles poderiam permanecer escondidos fica cada vez menor.

 

[ Fonte: ABC ]

 

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