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Ciência

Gliese 12 b: planeta parecido com a Terra pode revelar pistas sobre mundos habitáveis

Localizado a apenas 40 anos-luz, Gliese 12 b tem dimensões próximas às da Terra e uma temperatura potencialmente moderada. O exoplaneta é considerado um dos melhores candidatos próximos para estudar atmosferas de mundos rochosos, embora ainda não existam evidências de que seja uma “nova Terra”.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Astrônomos encontraram um mundo que reúne algumas características particularmente interessantes para a busca por planetas potencialmente habitáveis. Chamado Gliese 12 b, ele possui tamanho semelhante ao da Terra, orbita uma estrela relativamente próxima e apresenta condições que poderão permitir estudos detalhados de sua possível atmosfera.

Mas existe uma diferença importante entre aquilo que sabemos e algumas manchetes mais empolgadas sobre a descoberta: cientistas ainda não confirmaram uma atmosfera semelhante à terrestre, muito menos “assinaturas químicas idênticas” às encontradas em nosso planeta.

Na realidade, descobrir justamente quais gases existem ao redor de Gliese 12 b será uma das próximas etapas da investigação.

Gliese 12 b está a apenas 40 anos-luz

Gliese 12 b orbita uma estrela anã vermelha localizada na constelação de Peixes, aproximadamente 40 anos-luz distante da Terra.

O planeta completa uma volta ao redor de sua estrela a cada 12,8 dias e recebe cerca de 1,6 vez a quantidade de energia que a Terra recebe do Sol.

Caso não possua atmosfera, sua temperatura superficial de equilíbrio poderia ficar próxima de 42 °C. Entretanto, uma eventual camada de gases poderia alterar significativamente essas condições.

Seu tamanho também chama atenção.

O diâmetro é comparável ao de Vênus e ligeiramente menor que o terrestre, colocando Gliese 12 b entre os mundos rochosos mais interessantes encontrados nas proximidades do Sistema Solar.

TESS ajudou a encontrar o planeta

A descoberta começou com dados do telescópio espacial TESS, da NASA.

O equipamento procura pequenas reduções periódicas no brilho das estrelas. Quando um planeta passa diante de sua estrela em relação ao observador, bloqueia uma pequena quantidade de luz.

Esse fenômeno, conhecido como trânsito, permite aos astrônomos estimar características como tamanho e período orbital.

Observatórios terrestres posteriormente ajudaram a confirmar e caracterizar Gliese 12 b.

Pesquisadores espanhóis participaram desse processo utilizando instrumentos como o Carmenes, instalado no Observatório de Calar Alto, e o MuSCAT2, localizado no Observatório do Teide.

Estrela pequena facilita a investigação

Nova Tecnologia Promete Ajudar TelescópiOS A Encontrar Planetas Habitáveis Escondidos Pelo Brilho Das Estrelas
© Getty Images- Unsplash

Gliese 12 possui aproximadamente 27% do tamanho do Sol e uma temperatura superficial equivalente a cerca de 60% da temperatura da nossa estrela.

Essas características ajudam os astrônomos.

Como as anãs vermelhas são menores e menos luminosas, um pequeno planeta passando diante delas bloqueia proporcionalmente uma parcela maior da luz. Isso facilita a detecção do trânsito.

Gliese 12 b orbita muito próximo de sua estrela, a uma distância equivalente a aproximadamente 7% daquela existente entre Terra e Sol.

Mesmo assim, isso não significa necessariamente temperaturas extremas porque Gliese 12 produz muito menos energia que o Sol.

A grande pergunta está na atmosfera

Saber se Gliese 12 b possui atmosfera é agora uma das principais questões.

Esse detalhe pode determinar se o planeta apresenta condições mais semelhantes às da Terra, de Vênus ou até um cenário completamente diferente.

A comparação com Vênus é particularmente interessante.

Terra e Vênus possuem tamanhos semelhantes, mas desenvolveram ambientes radicalmente diferentes. Enquanto nosso planeta preservou oceanos e temperaturas compatíveis com a vida, Vênus passou por um intenso efeito estufa e hoje apresenta temperaturas superficiais superiores a 460 °C.

Gliese 12 b pode oferecer aos pesquisadores uma terceira possibilidade para entender como mundos rochosos evoluem.

James Webb poderá procurar assinaturas químicas

A proximidade do sistema torna Gliese 12 b um excelente candidato para observações com o Telescópio Espacial James Webb.

Quando o planeta passa diante da estrela, uma pequena quantidade da luz estelar pode atravessar sua eventual atmosfera antes de chegar aos telescópios.

Moléculas presentes nessa atmosfera absorvem comprimentos de onda específicos, produzindo uma espécie de impressão digital química.

Dessa maneira, os astrônomos podem procurar gases e tentar determinar a composição atmosférica do planeta.

Por enquanto, porém, nenhuma composição semelhante à atmosfera terrestre foi confirmada.

Gliese 12 b não é uma “segunda Terra” — pelo menos ainda

A descoberta é importante justamente porque permite investigar questões que ainda permanecem sem resposta.

Não sabemos se Gliese 12 b possui atmosfera, água líquida ou condições adequadas para sustentar vida. Também não existem evidências de organismos no planeta.

Por isso, classificá-lo atualmente como uma “nova Terra” seria precipitado.

Sua verdadeira importância científica está em outro ponto: trata-se de um planeta rochoso, relativamente temperado, próximo e com características extremamente favoráveis para futuras observações.

Gliese 12 b pode não ser uma segunda Terra. Mas poderá ajudar os astrônomos a compreender por que alguns planetas rochosos se tornam ambientes potencialmente habitáveis enquanto outros seguem caminhos completamente diferentes.

 

[ Fonte: Ok Diario ]

 

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