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Onda de calor na Alemanha deixa 14 mil mortos e supera recorde de 2018

Estimativa do Instituto Robert Koch aponta que uma única semana de junho concentrou cerca de 9.600 mortes associadas ao calor extremo na Alemanha.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Alemanha enfrenta um dos impactos mais graves do calor extremo já registrados no país. Cerca de 14 mil pessoas morreram neste verão em decorrência das altas temperaturas, segundo estimativas divulgadas nesta quinta-feira (20) pelo Instituto Robert Koch (RKI), principal autoridade de saúde pública alemã. O número supera com ampla margem o recorde registrado em 2018.

Mortes por calor na Alemanha atingem nível recorde

O planeta está acumulando calor em um ritmo preocupante e 2026 pode terminar com um recorde histórico
© Evgeniy Beloshytskiy – Unsplash

Até então, 2018 era considerado o ano mais mortal relacionado às altas temperaturas na Alemanha. Naquele verão, aproximadamente 8.900 mortes foram associadas ao calor.

Os dados de 2026, porém, mostram uma situação significativamente mais grave. Segundo o RKI, cerca de 14 mil mortes relacionadas ao calor foram estimadas até 9 de agosto.

O período mais crítico ocorreu entre 22 e 28 de junho. Em apenas uma semana, aproximadamente 9.600 pessoas morreram em meio a uma intensa onda de calor.

Isso significa que quase 70% das mortes estimadas durante todo o período analisado aconteceram em apenas sete dias.

Naquela semana, diferentes regiões da Alemanha registraram temperaturas excepcionalmente elevadas. Em alguns locais, os termômetros ultrapassaram os 41 °C, estabelecendo novos recordes.

Idosos foram os mais afetados pelas altas temperaturas

Portugal Ola De Calor
© YouTube

O relatório semanal do Instituto Robert Koch mostra que pessoas com 75 anos ou mais formaram o grupo mais atingido.

Idosos são especialmente vulneráveis ao calor extremo porque o organismo perde parte da capacidade de regular a temperatura com o avanço da idade. Além disso, doenças crônicas e determinados medicamentos podem aumentar o risco de complicações durante períodos muito quentes.

No entanto, determinar quantas pessoas morreram diretamente por causa de uma onda de calor não é simples.

Por isso, o RKI utiliza modelos estatísticos para calcular a chamada mortalidade relacionada ao calor. Os pesquisadores comparam o número de mortes registrado durante semanas de verão com temperaturas normais com aquele observado em períodos excepcionalmente quentes.

Quando existe um aumento significativo da mortalidade durante uma onda de calor, parte desse excesso pode ser associada às altas temperaturas.

Por que o calor não aparece como causa direta da morte?

Uma das dificuldades está nos próprios registros médicos. Normalmente, o calor não aparece como causa principal nos certificados de óbito.

Em muitos casos, as temperaturas extremas agravam problemas de saúde que a pessoa já apresentava. Doenças cardiovasculares, pulmonares e renais estão entre as condições que podem se tornar mais perigosas durante uma onda de calor.

O organismo precisa trabalhar mais para manter sua temperatura interna estável. Isso pode provocar desidratação, queda da pressão arterial e sobrecarga do coração e dos rins.

Por esse motivo, especialistas utilizam o termo “mortes relacionadas ao calor”, em vez de afirmar que todas foram provocadas exclusivamente pelas altas temperaturas.

Uma semana concentrou a maior parte das mortes

Os números de 2026 chamam atenção principalmente pela velocidade com que a mortalidade aumentou.

Das aproximadamente 14 mil mortes estimadas até o início de agosto, 9.600 ocorreram durante a semana mais quente de junho. O episódio mostra como poucos dias de temperaturas extremas podem produzir consequências graves para a saúde pública.

Com ondas de calor cada vez mais intensas, períodos de temperaturas excepcionalmente altas representam um desafio crescente para países europeus tradicionalmente menos preparados para enfrentar calor prolongado.

Na Alemanha, os dados deste verão já colocam 2026 acima do recorde de 2018 e mostram que o calor extremo pode se transformar rapidamente em uma ameaça especialmente perigosa para idosos e pessoas com doenças preexistentes.

 

[ Fonte: DW ]

 

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