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Ciência

Google e NASA testam robô que poderá ajudar astronautas quando a Terra estiver longe demais

O protótipo combina tarefas de logística com possíveis funções de apoio médico. A proposta é ampliar a autonomia de futuras tripulações em viagens a Marte, onde uma troca de mensagens pode levar até 44 minutos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Em uma missão a Marte, pedir ajuda à Terra pode exigir uma espera incompatível com situações urgentes. A distância entre os planetas impõe atrasos às comunicações e dificulta o acompanhamento em tempo real. É nesse cenário que Google Public Sector e equipes da NASA trabalham em um sistema robótico experimental: um assistente capaz de lidar com equipamentos e, futuramente, oferecer apoio físico em cuidados de saúde sob supervisão dos astronautas.

O problema não é apenas chegar a Marte

Foguetes nucleares e inteligência artificial podem mudar completamente a viagem até Marte
© Pexels

Missões ao espaço profundo exigem que a tripulação resolva mais problemas por conta própria. Segundo a reportagem do 20minutos, o tempo de ida e volta de uma comunicação entre Terra e Marte pode alcançar 44 minutos, dependendo da posição dos planetas.

Isso significa que uma pergunta enviada a especialistas em solo pode demorar muitos minutos para receber resposta. Em um procedimento médico, por exemplo, essa espera limita a possibilidade de orientação contínua.

A saúde e o desempenho dos astronautas estão entre as prioridades do Programa de Pesquisa Humana da NASA. A iniciativa utiliza instalações terrestres, a Estação Espacial Internacional e ambientes de simulação para desenvolver formas de reduzir os riscos das viagens espaciais.

O robô entra nessa discussão como uma possível ferramenta para ampliar os recursos disponíveis dentro da nave.

Um assistente para cargas, ferramentas e equipamentos

Conforme a descrição apresentada pelo 20minutos, o projeto reúne Google Public Sector, o Programa de Pesquisa Humana da NASA, a equipe de robótica do Centro Espacial Johnson e o Laboratório de Propulsão a Jato, o JPL.

O sistema foi concebido como um manipulador de cargas versátil. Entre as aplicações previstas estão organizar ferramentas, movimentar equipamentos e auxiliar em tarefas de logística.

Essa flexibilidade é importante porque o espaço e os recursos de uma missão são limitados. Um equipamento capaz de cumprir diferentes funções pode ter mais utilidade do que vários dispositivos dedicados a uma única atividade.

A proposta também prevê aproveitar o robô em tarefas de apoio médico quando ele não estiver ocupado com outras operações. O desenvolvimento é tema de uma publicação do Google Cloud sobre sistemas robóticos para missões no espaço profundo, citada pela reportagem.

Como a inteligência artificial participa

Operar dentro de uma nave representa um desafio diferente daquele enfrentado por um robô industrial instalado em uma área isolada. O sistema precisa lidar com espaços reduzidos, equipamentos próximos e pessoas em movimento.

Segundo as informações reproduzidas pelo 20minutos, o projeto utiliza recursos de computação em nuvem para treinar modelos e simular movimentos antes dos testes com o equipamento físico.

A execução das tarefas, porém, precisa funcionar em dispositivos locais, compactos e de baixo consumo. Essa característica faz sentido para operações nas quais a conexão com a Terra apresenta atrasos e os recursos de energia são restritos.

A equipe também trabalha com representações tridimensionais do ambiente, que podem ajudar o sistema a interpretar a posição dos objetos e planejar seus movimentos.

O que ele poderia fazer na área médica

O objetivo futuro é permitir que os astronautas solicitem diferentes tarefas por comandos de voz. Na área da saúde, as possibilidades mencionadas incluem auxiliar na coleta de sinais vitais e em exames simples de ultrassom.

Esses exemplos descrevem capacidades pretendidas, não procedimentos já disponíveis em uma missão a Marte. A proposta mantém a supervisão do responsável pelos cuidados médicos da tripulação e o comando humano sobre as atividades.

O apoio físico pode ser especialmente relevante quando um astronauta precisa realizar uma tarefa difícil de executar sozinho. Ainda assim, manipular instrumentos perto do corpo exige precisão, segurança e validação específica.

Um protótipo com várias etapas pela frente

Challenge
© NASA Space Tech – Youtube

A reportagem informa que a equipe avaliou aproximadamente 15 dispositivos de computação local nos últimos anos, buscando opções adequadas às limitações de peso e consumo energético.

O projeto permanece experimental. A descrição dos testes publicada pelo 20minutos não apresenta uma data de envio do sistema ao planeta vermelho nem confirma sua participação em uma missão tripulada.

O avanço está na tentativa de integrar logística, inteligência artificial e assistência física em um mesmo equipamento. Para futuras tripulações, essa combinação poderá significar mais recursos para trabalhar e cuidar da saúde durante os períodos em que uma resposta da Terra ainda estiver a caminho.

 

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