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IA também pode ajudar o planeta: estudo aponta potencial para reduzir até 10% das emissões

Centros de dados consomem enormes quantidades de energia e água, mas a inteligência artificial também pode ser usada contra a crise ambiental. Um estudo estima que a tecnologia pode ajudar a identificar formas de reduzir entre 5% e 10% das emissões globais até 2030.
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Tempo de leitura: 5 minutos

Grandes centros de dados, consumo crescente de água, toneladas de equipamentos e uma demanda gigantesca por eletricidade. O impacto ambiental da inteligência artificial se tornou uma preocupação cada vez maior à medida que a tecnologia se espalha pelo mundo.

Mas existe outro lado dessa história.

A mesma IA responsável por aumentar o consumo de recursos também pode ajudar empresas, governos e pesquisadores a utilizá-los de maneira mais eficiente. Um estudo colocou números nesse potencial e estima que a tecnologia poderia contribuir para identificar oportunidades capazes de mitigar entre 5% e 10% das emissões globais de gases de efeito estufa até 2030.

A estimativa aparece em um relatório sobre inteligência artificial e sustentabilidade elaborado pelo BBVA, com base em projeções da Boston Consulting Group e do Google.

A conclusão, porém, vem acompanhada de uma condição importante: utilizar IA principalmente nas situações em que seus benefícios ambientais superem a própria pegada provocada pela tecnologia.

IA pode transformar enormes quantidades de dados em decisões

Centros de dados de IA estão atraindo um tipo de criminoso que ninguém esperava
© Unsplash

Um dos principais argumentos do relatório parte de uma ideia relativamente simples: é difícil solucionar aquilo que não conseguimos medir.

É justamente nessa área que a inteligência artificial pode apresentar uma vantagem importante.

Modelos conseguem processar enormes volumes de informações, identificar padrões, automatizar tarefas e produzir previsões em velocidades que seriam praticamente impossíveis para equipes humanas.

No campo ambiental, isso pode permitir uma mudança fundamental.

Em vez de descobrir que determinado problema aconteceu, sistemas de IA podem ajudar a identificar sinais de que ele está prestes a acontecer.

Simulações e modelos preditivos podem ser utilizados para antecipar fenômenos meteorológicos extremos, analisar emissões, acompanhar ecossistemas e melhorar a utilização de recursos.

O relatório destaca especialmente três grandes problemas identificados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente: mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição.

Trânsito inteligente pode reduzir emissões nas cidades

O transporte responde por uma parcela importante das emissões globais de CO₂.

A eletrificação de carros, ônibus e caminhões será importante para atingir metas climáticas, mas provavelmente não será suficiente sozinha.

Também será necessário melhorar a eficiência dos sistemas de transporte.

A inteligência artificial pode ajudar justamente nesse ponto, analisando informações sobre trânsito, rotas, logística e distribuição para reduzir deslocamentos desnecessários e congestionamentos.

Um exemplo citado é o Green Light, projeto desenvolvido pelo Google.

O sistema utiliza informações sobre o tráfego para recomendar mudanças na sincronização dos semáforos.

A ideia é reduzir o tempo que os veículos passam parados nos cruzamentos e, consequentemente, diminuir o consumo de combustível e as emissões.

Segundo estimativas apresentadas no relatório, a tecnologia pode reduzir em até 10% as emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao tráfego nos locais onde é aplicada.

É um exemplo de como pequenas otimizações realizadas em grande escala podem produzir resultados relevantes.

Inteligência artificial pode antecipar eventos climáticos extremos

Colapso Climático
© FreePik

Outro campo promissor envolve a previsão meteorológica e os eventos extremos associados às mudanças climáticas.

Ondas de calor, chuvas intensas, secas e outros fenômenos podem causar enormes danos quando comunidades não possuem tempo suficiente para se preparar.

Sistemas baseados em inteligência artificial podem acelerar algumas previsões.

Bernat Jiménez, pesquisador de pós-doutorado do Instituto de Geociências, explica no relatório que já existem modelos capazes de aprender diretamente com grandes conjuntos de dados atmosféricos.

Essas ferramentas conseguem reproduzir a evolução das condições meteorológicas e também podem ser utilizadas para simular eventos extremos.

Na prática, isso pode reduzir custos computacionais e acelerar análises importantes.

Se uma previsão puder ser realizada mais rapidamente, autoridades também podem ganhar tempo para organizar evacuações, preparar hospitais ou proteger determinadas infraestruturas.

A inteligência artificial não impede a ocorrência de um evento climático extremo, mas pode melhorar nossa capacidade de antecipar suas consequências.

IA também pode ajudar a proteger animais e ecossistemas

O potencial ambiental da tecnologia não se limita ao clima.

Monitorar populações de animais selvagens é um trabalho extremamente complexo. Pesquisadores utilizam câmeras automáticas, sensores acústicos, drones e satélites para acompanhar aquilo que acontece em grandes áreas naturais.

O problema aparece depois: alguém precisa analisar uma quantidade gigantesca de informações.

É aí que a inteligência artificial pode acelerar o processo.

O Wildlife Insights, plataforma desenvolvida com organizações de conservação e parceiros tecnológicos como o Google, utiliza IA para identificar automaticamente animais registrados por câmeras instaladas na natureza.

Uma tarefa que poderia exigir muitas horas de trabalho humano pode ser realizada em poucos minutos.

Com essas informações, pesquisadores conseguem descobrir quais espécies vivem em determinada região, acompanhar mudanças nas populações e identificar possíveis ameaças.

O objetivo é transformar o monitoramento ambiental em uma ferramenta cada vez mais preventiva.

Em vez de perceber o desaparecimento de uma espécie quando a situação já se tornou crítica, sistemas automatizados poderiam ajudar a identificar alterações muito antes.

Existe um problema: a própria IA também consome muitos recursos

Toda essa capacidade possui um custo ambiental.

Treinar e operar grandes modelos de inteligência artificial exige centros de dados repletos de servidores. Essas instalações consomem eletricidade e também podem utilizar grandes quantidades de água em seus sistemas de resfriamento.

A fabricação dos equipamentos necessários envolve ainda matérias-primas, processos industriais e substituição periódica de hardware.

Por isso, utilizar IA para resolver qualquer problema ambiental não significa automaticamente produzir um benefício líquido para o planeta.

É necessário comparar aquilo que a tecnologia consome com aquilo que consegue economizar.

Se um sistema extremamente complexo utilizar grandes quantidades de energia para produzir uma redução ambiental mínima, talvez sua aplicação não faça sentido.

Por outro lado, se a IA conseguir otimizar redes elétricas, reduzir congestionamentos ou antecipar desastres, os benefícios podem superar seu impacto operacional.

Usar mais IA não significa necessariamente ser mais sustentável

Essa é justamente uma das principais conclusões do relatório.

Um futuro mais sustentável não depende simplesmente de colocar inteligência artificial em todas as atividades possíveis.

O desafio está em escolher onde ela realmente faz diferença.

Também serão necessários marcos regulatórios e maior colaboração entre governos, empresas, universidades, centros de pesquisa e sociedade.

A tecnologia precisa ser avaliada não apenas por aquilo que consegue fazer, mas também pelos recursos necessários para realizar essas tarefas.

A inteligência artificial apresenta, portanto, uma relação contraditória com a crise ambiental.

De um lado, aumenta a demanda por energia, água, equipamentos e infraestrutura digital. Do outro, oferece ferramentas capazes de melhorar previsões, otimizar sistemas e reduzir desperdícios.

A questão não é simplesmente utilizar mais ou menos IA.

É descobrir onde o custo de utilizá-la é menor do que o problema que ela pode ajudar a resolver.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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