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Ciência

O plano da SpaceX para novembro pode representar um salto histórico na reutilização de foguetes

Após um avanço importante em seu último teste, a SpaceX planeja uma operação ainda mais arriscada. O próximo lançamento poderá representar um marco na reutilização de foguetes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Imagine um foguete gigantesco decolando, cumprindo sua missão no espaço e retornando à base sem precisar descartar nenhuma de suas duas etapas. Esse é um dos objetivos mais ambiciosos da SpaceX, empresa de Elon Musk. Depois dos resultados obtidos com a Starship em setembro, a companhia prepara uma demonstração que poderá aproximar essa ideia da realidade. O desafio envolve uma tecnologia impressionante e uma sequência de manobras extremamente precisas.

SpaceX quer recuperar as duas etapas da Starship no mesmo voo

O próximo grande objetivo da SpaceX é realizar uma recuperação dupla durante o voo 15 da Starship, previsto para novembro de 2026, ainda sem data oficial confirmada.

A operação envolve o propulsor Super Heavy e a etapa superior Starship, que juntos formam um sistema de lançamento com aproximadamente 122 metros de altura.

A proposta é fazer com que os dois veículos retornem à Terra e sejam capturados pelos braços mecânicos da torre de lançamento.

O equipamento, conhecido como Mechazilla, utiliza duas enormes estruturas metálicas para segurar os veículos durante a aproximação final.

Diferentemente dos foguetes que pousam sobre pernas retráteis, o sistema foi projetado para dispensar esse mecanismo.

A SpaceX já conseguiu capturar o Super Heavy em três ocasiões, mas ainda não realizou uma recuperação equivalente da etapa superior.

E é justamente essa segunda parte que torna o próximo teste especialmente complexo.

Por que capturar a nave Starship é muito mais difícil?

O Super Heavy é responsável por fornecer o impulso inicial necessário para colocar o conjunto em trajetória de voo.

Depois da separação, ele pode retornar à região de lançamento e executar uma descida controlada.

A etapa superior, entretanto, enfrenta condições muito mais exigentes.

Projetada para alcançar velocidades orbitais, a nave precisa suportar o intenso aquecimento provocado pela reentrada na atmosfera.

Além disso, deve controlar sua trajetória, reduzir a velocidade e chegar à torre com precisão suficiente para ser capturada.

Qualquer problema no escudo térmico, nos motores ou no sistema de orientação pode comprometer a tentativa.

Por isso, recuperar a nave representa um desafio tecnológico diferente de capturar apenas o propulsor.

Se a operação funcionar, a empresa demonstrará uma capacidade essencial para desenvolver um sistema espacial completamente reutilizável.

Isso não significa, porém, que a Starship estará imediatamente pronta para voar novamente: inspeções, manutenção e novos testes continuarão sendo necessários.

O voo 14 abriu caminho para uma tentativa ainda mais ambiciosa

A preparação acontece após o voo 14, realizado em 28 de setembro de 2026.

Segundo os resultados apresentados pela empresa, a missão conseguiu alcançar a órbita terrestre pela primeira vez e colocar 26 satélites Starlink V3 em operação de lançamento.

O desempenho representou um avanço importante para o programa, permitindo que a SpaceX passasse a planejar testes de recuperação mais complexos.

Agora, a expectativa se concentra no voo 15.

Elon Musk afirmou considerar as chances de sucesso da primeira tentativa de captura dupla superiores às de fracasso.

Ainda assim, reconheceu que uma eventual falha exigiria novos testes e ajustes.

A recuperação simultânea das duas etapas seria um marco, mas apenas uma parte do caminho até operações espaciais frequentes e economicamente sustentáveis.

A China também está entrando na disputa pelos foguetes reutilizáveis

A SpaceX não está sozinha nessa corrida tecnológica.

Empresas chinesas, como a Deep Blue Aerospace, desenvolvem soluções para recuperar propulsores e reduzir o desperdício de componentes após os lançamentos.

Alguns projetos exploram estruturas de captura semelhantes às utilizadas pela companhia americana.

O interesse crescente pela reutilização tem uma explicação econômica.

Fabricar um foguete novo para cada missão exige investimentos elevados em materiais, motores e sistemas eletrônicos.

A possibilidade de utilizar os mesmos veículos repetidamente pode reduzir esses custos e aumentar a frequência dos lançamentos.

Entretanto, a economia real dependerá também do preço das inspeções, dos reparos e da preparação entre os voos.

O sucesso da manobra pode acelerar os planos para a Lua e Marte

O desafio acontece em um momento de expansão financeira da SpaceX.

Segundo os números apresentados no anúncio, a companhia registrou US$ 14,6 bilhões em receitas no terceiro trimestre de 2026, com crescimento anual de 161% e lucro líquido de US$ 4,4 bilhões.

As atividades espaciais teriam contribuído com aproximadamente US$ 1,8 bilhão, enquanto outras operações, incluindo conectividade por satélite e inteligência artificial, responderam por grande parte das receitas.

O desenvolvimento da Starship continua sendo estratégico para os planos da empresa.

Um sistema totalmente reutilizável poderia facilitar missões mais frequentes, ampliar a capacidade de transporte de cargas e apoiar futuras operações lunares e marcianas.

Se o voo 15 conseguir recuperar o Super Heavy e a Starship no mesmo lançamento, a SpaceX terá demonstrado uma etapa decisiva dessa tecnologia.

O próximo desafio será provar que a operação pode ser repetida com segurança, rapidez e custos realmente menores.

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