Shakes, barrinhas e alimentos com proteína extra conquistaram espaço na rotina de adolescentes. As embalagens sugerem benefícios para os músculos, o desempenho esportivo e o controle do peso. No entanto, a popularidade desses produtos não significa que sejam necessários. Para muitos jovens, uma alimentação variada já fornece a proteína de que o organismo precisa, enquanto suplementos podem acrescentar ingredientes indesejados e ocupar o lugar de refeições completas.
Mais proteína não significa mais músculos

A proteína participa do crescimento e da reparação dos tecidos. Durante a adolescência, ela ajuda a sustentar as transformações do corpo, mas aumentar seu consumo indiscriminadamente não acelera esses processos.
A Academia Americana de Pediatria explica que jovens envolvidos em exercícios de força e resistência podem precisar de um pouco mais desse nutriente. Ainda assim, consumir grandes quantidades não basta para desenvolver a musculatura: o treinamento tem papel fundamental nesse resultado.
A entidade também aponta que estudos não demonstraram benefícios dos suplementos de proteína para melhorar o desempenho esportivo de jovens atletas. Isso enfraquece a ideia de que um shake seja uma etapa obrigatória para quem começa a treinar.
As necessidades individuais variam conforme idade, peso, sexo e nível de atividade física. Por isso, recomendações destinadas a adultos ou atletas profissionais não devem virar metas automáticas para adolescentes.
O que explica o interesse dos jovens
Uma pesquisa divulgada pela Universidade de Michigan, em 2024, identificou diferentes motivações para o consumo. Entre os meninos, ganhar músculos e melhorar o desempenho esportivo apareciam com destaque. Entre as meninas, substituir refeições era uma razão mais frequente do que entre os meninos.
O comportamento dos adultos também influenciava as escolhas. Jovens cujos pais consumiam suplementos apresentavam maior probabilidade de utilizá-los. O levantamento mostra como esses produtos podem entrar na rotina familiar associados à ideia de saúde, mesmo sem avaliação das necessidades alimentares.
O problema pode estar além da proteína
A composição merece atenção. Alguns shakes e barrinhas contêm muito açúcar adicionado ou cafeína. Além disso, substituir refeições por esses produtos pode reduzir a variedade de nutrientes consumidos durante o dia. A expressão “rico em proteína”, portanto, não garante uma escolha nutricionalmente equilibrada.
Outra questão envolve o controle dos suplementos. Nos Estados Unidos, a FDA esclarece que não aprova previamente esses produtos antes da comercialização. Os fabricantes são responsáveis por cumprir as exigências de segurança e rotulagem. Essa regra se refere ao mercado americano, mas ajuda a entender por que suplementos não devem ser confundidos com medicamentos avaliados antes da venda.
A reportagem da DW também aborda uma possível relação entre proteínas do leite, presentes em muitos suplementos, e o agravamento da acne. O próprio texto ressalta, porém, que essa associação ainda não foi demonstrada de maneira inequívoca.
Pessoas com doença renal preexistente também exigem atenção especial ao consumo elevado de proteína. Isso não significa que todo shake provoque danos aos rins, mas reforça a importância de considerar o histórico de saúde.
Quando o suplemento pode fazer sentido

Existem situações em que complementar a alimentação pode ajudar. A DW cita dificuldades para mastigar ou engolir, problemas digestivos e apetite muito reduzido entre os exemplos que podem justificar uma avaliação individual.
Para a maioria dos adolescentes, porém, o ponto de partida continua sendo a alimentação cotidiana. A decisão de acrescentar um suplemento deve considerar o que falta na dieta, as condições de saúde e os objetivos do jovem. Um produto popular não substitui essa análise.