Salário continua importando, mas já não explica sozinho por que algumas empresas conseguem atrair e manter profissionais em diferentes partes do planeta. Flexibilidade, desenvolvimento, propósito, estabilidade e adaptação à inteligência artificial entraram definitivamente nessa equação. Um novo ranking global ouviu trabalhadores de dezenas de países para descobrir quais organizações estão fazendo isso melhor. E, em meio a gigantes internacionais, 11 companhias brasileiras conseguiram espaço na lista.
Um ranking construído a partir da opinião dos trabalhadores

A edição de 2026 do ranking World’s Best Employers, elaborado pela Forbes em parceria com a Statista, reúne 900 empresas de 52 países. Para chegar ao resultado, foram consideradas as opiniões de mais de 300 mil profissionais de mais de 50 países, responsáveis por mais de 5 milhões de avaliações.
A metodologia ajuda a entender por que o levantamento é diferente de uma simples comparação de salários ou benefícios. Os participantes avaliaram tanto seus próprios empregadores quanto outras companhias de seus respectivos setores.
Segundo a metodologia oficial da Statista, a pontuação direta considera principalmente a disposição do funcionário de recomendar sua própria empresa a amigos ou familiares. Esse componente tem o maior peso na nota final. Já a avaliação indireta mede a reputação de outras organizações dentro do mesmo setor profissional.
As respostas também consideram diferentes aspectos da experiência profissional, incluindo remuneração, oportunidades de crescimento, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e reputação da companhia.
E o resultado de 2026 mostra que algumas empresas estão conseguindo repetir a fórmula.
A empresa que conseguiu permanecer no topo

Pelo terceiro ano consecutivo, a Microsoft aparece como a melhor empresa do mundo para trabalhar no levantamento. A liderança ocorre justamente em um período no qual o setor de tecnologia atravessa profundas transformações provocadas pela inteligência artificial, automação e mudanças na organização do trabalho.
Logo atrás está a Delta Air Lines, na segunda posição. A canadense Shopify ocupa o terceiro lugar, enquanto Costco e NVIDIA completam as cinco primeiras colocações.
O top 10 ainda inclui Adobe, Apple, Sony, Alphabet, controladora do Google, e Lego.
A forte presença de empresas de tecnologia chama atenção, mas o ranking também inclui aviação, varejo, entretenimento, finanças, indústria e muitos outros setores. Ao todo, as 900 organizações selecionadas foram agrupadas em 25 segmentos.
O Brasil colocou 11 empresas entre as melhores
Para os brasileiros, um dos aspectos mais interessantes do levantamento aparece fora das primeiras posições.
Onze empresas brasileiras entraram no ranking global de 2026. A mais bem colocada foi a Petrobras, que alcançou a 74ª posição. A Embraer ficou em 132º lugar, enquanto a Gerdau aparece em 274º.
Depois vêm Vale, em 278º; Natura, em 342º; Banco do Brasil, em 409º; e Nubank, na 428ª posição.
Completam a representação brasileira Votorantim, em 576º; Bradesco, em 626º; Braskem, em 635º; e Suzano, na 775ª colocação.
A diversidade é significativa: petróleo, aviação, siderurgia, mineração, cosméticos, bancos, fintechs, indústria e papel e celulose aparecem entre os representantes nacionais.
Existe um problema maior por trás dessa lista
O ranking ganha outra dimensão quando colocado diante do cenário global do trabalho.
O relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup, citado pela Forbes, indica que apenas 20% dos trabalhadores pesquisados em mais de 140 países se consideram engajados no trabalho. Ao mesmo tempo, 40% dizem experimentar níveis consideráveis de estresse diariamente.
Isso transforma rankings de empregadores em algo mais relevante do que uma disputa por prestígio corporativo.
Empresas precisam competir por profissionais ao mesmo tempo em que enfrentam inteligência artificial, novas exigências de qualificação e expectativas diferentes sobre flexibilidade e qualidade de vida. Para os trabalhadores, por sua vez, escolher um emprego envolve cada vez mais fatores além do salário.
A lista não determina automaticamente que uma companhia oferecerá a experiência ideal para qualquer profissional. Afinal, trata-se de uma classificação baseada em avaliações agregadas e percepções. Mas seus resultados mostram quais organizações construíram uma reputação suficientemente forte para serem recomendadas dentro e fora de seus próprios escritórios.
E talvez esse seja o dado mais importante: em um mercado de trabalho no qual engajamento se tornou um recurso escasso, conseguir que os próprios funcionários recomendem uma empresa pode valer tanto quanto qualquer benefício estampado em uma vaga.