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Ciência

Orcas foram flagradas destruindo um peixe gigante já morto — e os cientistas acreditam que fazem isso por diversão

Pela primeira vez, pesquisadores registraram orcas arremessando um enorme peixe-lua morto contra o próprio corpo para despedaçá-lo. O comportamento pode ajudar os filhotes a se alimentar, mas também pode ser uma forma de brincadeira.
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Tempo de leitura: 3 minutos

As orcas estão entre os predadores mais inteligentes do planeta, e um novo estudo acaba de revelar mais um comportamento surpreendente dessas gigantes dos oceanos. Pela primeira vez, cientistas registraram orcas colidindo deliberadamente contra um enorme peixe já morto, despedaçando completamente a carcaça.

A descoberta sugere que esse comportamento pode servir tanto para facilitar a alimentação dos filhotes quanto para reforçar laços sociais por meio de brincadeiras, algo que já havia sido observado em outras situações envolvendo esses cetáceos.

O estudo foi publicado na revista Frontiers in Ethology.

Um comportamento nunca visto antes

Apesar do nome popular “baleia-assassina”, as orcas (Orcinus orca) pertencem, na verdade, à família dos golfinhos, embora todos façam parte do grupo dos cetáceos.

Os pesquisadores não estavam procurando esse comportamento quando fizeram a descoberta.

O primeiro registro aconteceu em dezembro de 2021, mas a equipe decidiu aguardar novas evidências antes de divulgar o achado.

A confirmação veio em julho de 2024, durante a observação de um grupo de orcas no Golfo da Califórnia, no México, logo após a captura de um peixe-lua-de-cauda-pontuda (Masturus lanceolatus), uma das maiores espécies de peixes ósseos do mundo.

Os cientistas filmaram uma fêmea segurando o peixe pela cauda enquanto um macho acelerava em sua direção.

Pouco antes do impacto, a fêmea soltou a presa, permitindo que o macho atingisse a carcaça em cheio.

A colisão foi tão forte que o peixe literalmente explodiu em pedaços.

Mais de um ano depois, em setembro de 2025, outro grupo registrou uma cena praticamente idêntica no mesmo golfo, reforçando que não se tratava de um evento isolado.

O peixe já estava morto antes da colisão

Inicialmente, os pesquisadores imaginaram que a batida fazia parte da estratégia de caça.

No entanto, uma análise quadro a quadro das gravações revelou algo inesperado.

Segundo Erick Higuera, biólogo marinho e um dos autores do estudo, o peixe já estava morto quando ocorreu a colisão.

Além disso, seus órgãos internos já haviam sido removidos antes do impacto.

Essa descoberta mudou completamente a interpretação do comportamento.

Em vez de representar o golpe final para matar a presa, a colisão parece funcionar como uma técnica para fragmentar uma carcaça grande e elástica, facilitando seu consumo.

Filhotes podem ser os principais beneficiados

As orcas não mastigam seus alimentos.

Quando capturam presas grandes, elas arrancam pedaços que são engolidos inteiros.

Os pesquisadores acreditam que despedaçar o peixe-lua pode facilitar a alimentação dos indivíduos mais jovens do grupo, funcionando de forma semelhante a um adulto cortando um alimento em pedaços menores para uma criança.

Essa hipótese ganhou força porque, tanto no registro de 2021 quanto no de 2024, filhotes foram vistos consumindo os pequenos fragmentos lançados pela colisão, enquanto os adultos se alimentavam da maior parte da carcaça.

Mas as orcas também podem estar apenas brincando

Existe, porém, outra possibilidade.

As orcas são conhecidas por interagir de maneiras curiosas com suas presas.

Já foram observadas lançando leões-marinhos para o alto, empurrando arraias como se fossem bolas de futebol e manipulando animais mesmo depois de mortos.

Em alguns casos, sequer chegam a consumir a presa.

Para muitos pesquisadores, essas atividades fazem parte do comportamento lúdico da espécie.

Brincadeiras desse tipo ajudam os jovens a desenvolver habilidades de caça, aprimorar movimentos complexos e fortalecer os vínculos sociais dentro do grupo.

Segundo Erick Higuera, os peixes-lua representam um excelente alvo para esse aprendizado porque são lentos, praticamente indefesos e oferecem pouco risco aos predadores.

Ainda há muitos mistérios sobre esse comportamento

Os cientistas também levantam outras hipóteses.

Uma delas é que a fragmentação da carcaça facilite o contato das orcas com os microrganismos presentes na pele e nos tecidos do peixe-lua, o que poderia trazer algum benefício biológico ainda desconhecido.

Outra questão é saber se esse comportamento é exclusivo das orcas que vivem no Golfo da Califórnia ou se ocorre em outras populações espalhadas pelo planeta.

Como diferentes grupos de cetáceos desenvolvem tradições próprias, transmitidas entre gerações de forma semelhante às culturas humanas, é possível que essa técnica faça parte de uma tradição local de caça e alimentação.

Os pesquisadores pretendem continuar monitorando essas populações utilizando métodos não invasivos. Eles destacam que o crescimento do turismo de observação de orcas torna ainda mais importante manter distância dos animais para evitar interferências em comportamentos naturais que podem revelar novos aspectos da inteligência e da vida social desses extraordinários predadores marinhos.

 

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