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Ciência

Ozempic pode causar queda de cabelo? Novo estudo identifica um efeito colateral raro dos medicamentos GLP-1

Pesquisa com mais de 12 mil pacientes encontrou um pequeno aumento no risco de alopecia entre usuários de Ozempic e outros medicamentos da classe GLP-1. Apesar disso, especialistas afirmam que o efeito costuma ser temporário.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Medicamentos da classe GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, revolucionaram o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade graças à sua eficácia na perda de peso. No entanto, um novo estudo indica que eles podem estar associados a um efeito colateral pouco conhecido: a queda de cabelo.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia analisaram prontuários de milhares de pacientes com diabetes tipo 2 e observaram que pessoas que iniciaram o uso de medicamentos GLP-1 apresentaram um risco maior de desenvolver alopecia em comparação com pacientes tratados com outras classes de medicamentos para diabetes.

Embora o risco absoluto seja baixo, os autores defendem que médicos e pacientes devem estar atentos a esse possível efeito durante o tratamento.

Estudo encontrou aumento no risco de alopecia

A pesquisa, publicada na revista científica The BMJ, analisou aproximadamente 12 mil pacientes atendidos pelo sistema de saúde da Universidade da Pensilvânia (Penn Medicine) entre 2019 e 2024.

Todos haviam iniciado recentemente um tratamento com medicamentos agonistas do receptor GLP-1.

Os pesquisadores compararam esses pacientes com grupos semelhantes que utilizavam inibidores de SGLT-2 ou de DPP-4, duas outras classes amplamente empregadas no tratamento do diabetes tipo 2.

Após ajustar fatores como idade e sexo, os resultados mostraram que os usuários de GLP-1 apresentaram um risco significativamente maior de desenvolver alopecia ao longo do acompanhamento.

Segundo o estudo, esse grupo teve um risco 37% maior de queda de cabelo em comparação com usuários de inibidores de SGLT-2 e 68% maior em relação aos pacientes tratados com medicamentos da classe DPP-4.

O risco existe, mas continua sendo pequeno

Apesar do aumento percentual parecer expressivo, os pesquisadores ressaltam que o número absoluto de casos permaneceu baixo.

Durante todo o período analisado, cerca de 200 dos 12 mil pacientes que utilizavam medicamentos GLP-1 desenvolveram alopecia, o equivalente a aproximadamente 1,6% dos participantes.

Além disso, a maior parte dos casos esteve relacionada à alopecia não cicatricial.

Nesse tipo de queda de cabelo, os folículos capilares permanecem preservados, aumentando as chances de que os fios voltem a crescer naturalmente após algum tempo.

A perda rápida de peso pode explicar o problema

O estudo não conseguiu demonstrar que os medicamentos sejam diretamente responsáveis pela queda de cabelo.

Como se trata de uma pesquisa observacional retrospectiva, ela identifica apenas uma associação entre o uso dos GLP-1 e o aparecimento de alopecia, sem estabelecer uma relação definitiva de causa e efeito.

Ainda assim, os pesquisadores acreditam que a explicação mais provável esteja ligada à perda rápida ou significativa de peso provocada por esses medicamentos.

Esse processo já é conhecido por desencadear uma condição chamada eflúvio telógeno (telogen effluvium), uma forma temporária de queda capilar que ocorre após situações de grande estresse para o organismo.

Outro fator possível é a redução da ingestão calórica durante o tratamento. Dietas muito restritivas podem favorecer deficiências nutricionais, principalmente de ferro e zinco, minerais importantes para o crescimento saudável dos cabelos.

Os autores também não descartam a participação de alterações hormonais ou imunológicas induzidas pelos medicamentos, embora essa hipótese ainda precise ser investigada.

Mais pesquisas serão necessárias

Nos últimos meses, relatos de alopecia associados ao uso de Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound levaram a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) a incluir a queda de cabelo como uma possível reação adversa nas bulas desses medicamentos.

Mesmo assim, especialistas reforçam que o benefício clínico dos agonistas de GLP-1 continua superando esse risco para a grande maioria dos pacientes.

Os pesquisadores defendem novos estudos para esclarecer os mecanismos envolvidos, determinar a frequência real desse efeito colateral e entender melhor sua gravidade e reversibilidade.

Enquanto essas respostas não chegam, a recomendação é simples: pacientes e médicos devem considerar essa possibilidade durante o acompanhamento do tratamento. Embora rara, a informação pode ajudar na tomada de decisões mais conscientes e individualizadas sobre o uso dos medicamentos.

 

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