Pular para o conteúdo
Mundo

Um novo parque transforma robôs em estrelas e oferece um vislumbre surpreendente do futuro

Um novo espaço mistura inteligência artificial, música, máquinas e experiências interativas para transformar uma visita aparentemente comum em uma surpreendente amostra do entretenimento do futuro.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

Imagine entrar em um parque onde algumas das atrações aprendem movimentos, outras preparam seu café e certas estrelas do espetáculo nem sequer são humanas. Essa ideia deixou de pertencer aos filmes de ficção científica. Um espaço recém-inaugurado decidiu colocar inteligência artificial e robótica no centro da diversão, oferecendo uma pista bastante concreta de como tecnologia e entretenimento podem se misturar nos próximos anos.

Um parque onde os robôs deixaram de ser apenas atração

A novidade está em Seul, na Coreia do Sul. Batizado de Galaxy Robot Park, o espaço abriu oficialmente suas portas no fim de semana com uma proposta que parece saída de uma feira tecnológica transformada em parque de diversões.

Instalado em uma área de aproximadamente 16.500 metros quadrados no sul da capital sul-coreana, o complexo foi projetado para aproximar visitantes de robôs em situações muito diferentes daquelas normalmente associadas a fábricas, laboratórios ou centros de pesquisa.

Ali, as máquinas não permanecem atrás de vitrines esperando alguém apertar um botão. Elas lutam, dançam, desenham, servem alimentos e interagem diretamente com o público.

Segundo Choi Yong-ho, CEO da Galaxy Corp., a ideia é criar um ambiente no qual humanos e máquinas possam compartilhar o mesmo espaço de maneira natural. Durante a apresentação do projeto, o executivo descreveu um cenário em que robôs circulam livremente, servem sorvetes e até tocam piano durante comemorações.

É justamente essa sensação de convivência cotidiana que diferencia a proposta. Em vez de apresentar a robótica apenas como uma tecnologia distante, o parque tenta colocá-la ao alcance das mãos.

De cães mecânicos a retratos feitos por uma androide

Um novo parque transforma robôs em estrelas e oferece um vislumbre surpreendente do futuro
© Pexels

As experiências começam com atividades que parecem ter sido pensadas para transformar cada visitante em participante.

É possível controlar cães robóticos, comandar humanoides preparados para simulações de boxe e até pedir a uma androide que faça um retrato. Nas áreas de alimentação, máquinas assumem tarefas ainda mais familiares, preparando e servindo café e sorvete.

Mas existe uma atração que concentra boa parte das atenções.

O Robot Arena reúne grupos de humanoides capazes de executar coreografias sincronizadas ao som de sucessos conhecidos do K-pop e músicas infantis. Para aprender novos movimentos, os robôs utilizam sistemas de captura de movimento, aproximando seus gestos daqueles realizados por artistas humanos.

Durante a inauguração, o público também acompanhou demonstrações de artes marciais nas quais robôs dividiram o espaço com performers de carne e osso. A combinação ajudou a reforçar justamente a mensagem que o parque pretende transmitir: as máquinas não precisam necessariamente substituir os humanos para fazer parte do espetáculo.

Para alguns visitantes, a surpresa está na velocidade dessa evolução. A radialista Lee Ha-mi, que visitou o complexo acompanhada dos dois filhos, destacou o quanto a movimentação dos robôs avançou em relação às máquinas que conhecia quando era mais jovem. A reação das crianças, segundo ela, tornou a experiência ainda mais interessante.

O K-pop agora divide o palco com a inteligência artificial

Um novo parque transforma robôs em estrelas e oferece um vislumbre surpreendente do futuro
© Pexels

A inauguração oficial não foi exatamente o primeiro contato do público com o Galaxy Robot Park. Antes de abrir definitivamente, o complexo passou por um período experimental de seis semanas iniciado em julho.

De acordo com Choi Yong-ho, mais de 20 mil pessoas passaram pelo local durante essa fase de testes. Para a empresa, o número representa mais do que simples curiosidade diante de uma novidade tecnológica.

A aposta é que os robôs consigam ultrapassar as fronteiras tradicionais da indústria e se transformar em personagens de uma nova categoria de entretenimento.

Essa estratégia faz bastante sentido em um país que já demonstrou enorme capacidade de transformar produtos culturais em fenômenos internacionais. Depois da expansão mundial do K-pop, das séries sul-coreanas e do cinema do país, a próxima fronteira imaginada pela Galaxy Corp. combina conteúdo com aquilo que Choi chama de “inteligência artificial física”.

A expressão ajuda a explicar o conceito. Em vez de uma IA escondida dentro de um aplicativo ou respondendo perguntas em uma tela, algoritmos ganham braços, pernas, movimentos e presença física diante do público.

Um laboratório disfarçado de parque de diversões

O Galaxy Robot Park também funciona como uma espécie de vitrine para uma mudança maior na relação entre pessoas e máquinas.

Robôs humanoides vêm deixando lentamente os ambientes controlados dos laboratórios para aparecer em fábricas, restaurantes, eventos e demonstrações públicas. Transformá-los em artistas adiciona outra camada a essa evolução.

O entretenimento pode ser particularmente importante porque permite que o público tenha contato com essas tecnologias sem precisar compreender programação, engenharia ou inteligência artificial. Uma criança não precisa saber como funciona um algoritmo de controle de movimento para se surpreender vendo vários humanoides dançando juntos.

É justamente essa combinação de espetáculo e experimentação que torna o projeto sul-coreano interessante.

A Galaxy Corp. pretende fazer do parque o ponto inicial de uma nova etapa do entretenimento global. Ainda é cedo para saber se robôs dançarinos, garçons mecânicos e humanoides lutadores se tornarão atrações comuns ao redor do planeta.

Mas Seul acaba de transformar essa possibilidade em algo que qualquer visitante pode observar de perto. E talvez a parte mais curiosa seja justamente perceber que algumas cenas que pareciam pertencer a um futuro distante já estão vendendo ingressos no presente.

[Fonte: LT]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados