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Uruguai constrói usina inédita na América Latina para produzir combustível sustentável de aviação

Megaprojeto utilizará biogás agrícola e eletricidade renovável para fabricar SAF, reduzindo em até 90% as emissões ao longo do ciclo de vida. A planta será a primeira do mundo a empregar essa tecnologia em escala comercial.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Uruguai está prestes a se tornar um dos principais polos de inovação em energia limpa da América Latina. O país iniciou a construção de uma usina pioneira que produzirá combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) utilizando uma combinação de biogás proveniente de resíduos agrícolas e eletricidade renovável.

O empreendimento será instalado no departamento de Durazno e deverá iniciar suas operações em 2028. A expectativa é produzir cerca de 350 mil galões de SAF por ano, combustível considerado essencial para reduzir as emissões da aviação sem exigir modificações nas aeronaves ou na infraestrutura aeroportuária existente.

Além da capacidade de produção, o projeto chama atenção por utilizar uma tecnologia inédita em escala comercial, tornando-se o primeiro do mundo a fabricar esse tipo de combustível a partir de biogás eletrificado.

Como funciona a nova usina de combustível sustentável

O Brasil Tem Biomassa, Experiência E Escala Agora Quer Se Tornar Uma Potência Global No Combustível Sustentável Para Aviação
© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

Batizada de NovaSAF-1, a planta utilizará resíduos da atividade agrícola para produzir biogás, que será combinado com eletricidade proveniente da matriz energética renovável do Uruguai.

Esse processo permitirá fabricar SAF compatível com os motores das aeronaves atuais. O combustível poderá ser misturado diretamente ao querosene de aviação convencional, facilitando sua adoção pelas companhias aéreas sem necessidade de adaptações técnicas.

A tecnologia empregada utiliza reatores químicos ativados por luz, desenvolvidos pela empresa norte-americana Syzygy Plasmonics. O projeto também já recebeu uma pré-certificação internacional para combustíveis renováveis de origem não biológica, reforçando seu potencial para atender às exigências do mercado global.

O combustível pode reduzir até 90% das emissões

Um dos principais objetivos da iniciativa é contribuir para a descarbonização da aviação, setor considerado um dos mais difíceis de eletrificar.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o combustível produzido pela NovaSAF-1 poderá reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa ao longo de todo o seu ciclo de vida quando comparado ao combustível fóssil tradicional.

Entre as principais características do SAF produzido pela usina estão:

  • Produção a partir de biogás gerado por resíduos agrícolas.
  • Utilização de eletricidade proveniente de fontes renováveis.
  • Compatibilidade total com a frota aérea atual.
  • Redução de até 90% das emissões de carbono ao longo do ciclo de vida.

Essas características fazem do combustível uma das alternativas mais promissoras para diminuir o impacto ambiental do transporte aéreo nas próximas décadas.

Produção já tem comprador garantido

Outro diferencial do projeto é que toda a produção da usina já possui destino definido.

A comercialização foi garantida por meio de um contrato de seis anos firmado com a Trafigura, uma das maiores empresas globais de comercialização de energia e commodities.

O acordo assegura tanto a viabilidade financeira do empreendimento quanto a distribuição internacional do combustível, atendendo à crescente demanda por soluções sustentáveis no setor da aviação.

Projeto reforça liderança do Uruguai em energia limpa

A NovaSAF-1 será construída ao lado das instalações da Estancias del Lago, uma das maiores empresas agroenergéticas do Uruguai.

A integração entre a produção agrícola, a geração de biogás e a matriz elétrica renovável do país cria um modelo considerado praticamente único no mundo para a fabricação de combustível sustentável de aviação.

Além de impulsionar a economia local, o projeto fortalece a posição do Uruguai como referência latino-americana em energias renováveis e inovação tecnológica.

Com a expectativa de iniciar a produção em 2028, a usina representa um passo importante para acelerar a transição energética da aviação. À medida que governos e companhias aéreas buscam reduzir suas emissões, iniciativas como a NovaSAF-1 podem desempenhar um papel estratégico no futuro do transporte aéreo global.

 

[ Fonte: El Cronista ]

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