A ideia de viver em um planeta onde os dias duram 25 horas parece saída da ficção científica. No entanto, para os astrônomos, esse cenário faz parte da evolução natural da Terra. Embora a mudança seja imperceptível para qualquer ser humano, nosso planeta está girando cada vez mais devagar. O processo acontece há milhões de anos e continuará por muito tempo, impulsionado principalmente pela interação entre a Terra e a Lua.
A rotação da Terra está ficando mais lenta

Os cientistas já sabem há décadas que a rotação da Terra não é perfeitamente constante.
Nosso planeta desacelera de forma extremamente lenta, fazendo com que a duração dos dias aumente pouco a pouco ao longo do tempo.
Essa mudança, porém, acontece em uma escala tão pequena que não produz qualquer efeito perceptível na vida cotidiana.
Apesar de convencionarmos que um dia possui exatamente 24 horas, a realidade é mais complexa.
Segundo a NASA, o chamado dia solar — utilizado para organizar nossos relógios — varia ligeiramente porque a órbita da Terra ao redor do Sol é elíptica, e não um círculo perfeito.
Existe ainda o dia sideral, que mede o tempo necessário para a Terra completar uma rotação em relação às estrelas distantes.
Nesse caso, a duração é de aproximadamente 23 horas e 56 minutos, cerca de quatro minutos menor que o dia solar.
Essas diferenças mostram que o tempo necessário para uma volta completa do planeta depende da referência utilizada pelos astrônomos.
A Lua é a principal responsável por esse fenômeno

O grande motor dessa desaceleração está muito mais perto do que imaginamos.
A gravidade da Lua, responsável pelas marés, também exerce uma força constante sobre a Terra.
Quando as marés movimentam enormes volumes de água pelos oceanos, ocorre atrito entre a água e o fundo oceânico.
Esse atrito retira uma quantidade minúscula de energia da rotação terrestre, fazendo com que o planeta gire cada vez um pouco mais devagar.
Ao mesmo tempo, acontece outro fenômeno curioso.
À medida que a Terra perde velocidade de rotação, a Lua se afasta lentamente.
As medições realizadas com refletores deixados na superfície lunar durante as missões Apollo mostram que o satélite natural se distancia da Terra cerca de 3,8 centímetros por ano.
Se esse processo continuar pelos próximos milhões de anos, os eclipses solares totais deixarão de acontecer da forma como os conhecemos atualmente, já que a Lua parecerá menor vista da Terra.
Até mudanças climáticas e grandes obras podem alterar a rotação
Embora a influência da Lua seja dominante, ela não é o único fator capaz de modificar a velocidade de rotação do planeta.
Pesquisadores identificaram que mudanças na distribuição da massa terrestre também provocam pequenas alterações.
O derretimento de geleiras e calotas polares, por exemplo, redistribui enormes volumes de água pelos oceanos, alterando discretamente o eixo de rotação da Terra.
Grandes obras de engenharia também podem produzir efeitos mensuráveis.
Em 2025, a NASA informou que a construção da Barragem das Três Gargantas, na China, modificou ligeiramente a distribuição de massa do planeta.
O impacto foi minúsculo, mas suficiente para aumentar a duração do dia em aproximadamente 0,6 microssegundo.
Esses efeitos são detectados graças a relógios atômicos extremamente precisos, observações astronômicas e registros históricos acumulados por mais de um século.
Instituições especializadas monitoram continuamente essas pequenas variações para compreender melhor o comportamento do planeta.
Quando os dias terão 25 horas?
Apesar de parecer um futuro distante, os cientistas já fizeram estimativas sobre quando um dia poderá alcançar 25 horas de duração.
Os cálculos mais aceitos indicam que isso só deverá acontecer daqui a cerca de 200 milhões de anos.
Essa projeção considera o ritmo atual de desaceleração provocado principalmente pela interação gravitacional entre Terra e Lua.
Mesmo assim, especialistas ressaltam que não é possível definir uma data exata.
Diversos fatores naturais podem acelerar ou desacelerar ligeiramente esse processo ao longo de milhões de anos.
Na prática, isso significa que nenhuma geração humana experimentará dias significativamente mais longos.
Ainda assim, acompanhar essas mudanças continua sendo fundamental para a astronomia, a geofísica e até para sistemas modernos de navegação e sincronização do tempo.
Afinal, pequenas variações na rotação terrestre podem influenciar desde cálculos astronômicos até o funcionamento de tecnologias que dependem de medições extremamente precisas.
[Fonte: Ambito]