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Agricultor de 86 anos recusa oferta de R$ 89 bilhões para proteger suas terras de um data center de IA

Um agricultor da Pensilvânia rejeitou uma proposta de US$ 15 milhões para vender suas fazendas destinadas à construção de um centro de dados para inteligência artificial. Em vez disso, optou por garantir que as terras permaneçam dedicadas exclusivamente à agricultura para sempre.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A corrida pela construção de data centers para inteligência artificial está transformando o mercado imobiliário em diversas regiões dos Estados Unidos. Empresas buscam grandes áreas com acesso à rede elétrica e abundância de água para instalar complexos capazes de alimentar milhões de processadores. Em meio a esse cenário, um agricultor de 86 anos tomou uma decisão que chamou atenção: recusou uma oferta milionária para preservar suas terras agrícolas.

Mervin Raudabaugh, produtor rural de Silver Spring Township, no estado da Pensilvânia, abriu mão de receber US$ 15 milhões para impedir que suas propriedades fossem transformadas em um enorme campus de servidores voltado à inteligência artificial.

Oferta milionária foi recusada sem hesitação

Segundo informações publicadas pelo veículo PennLive, um incorporador procurou Raudabaugh com uma proposta verbal de US$ 15 milhões — cerca de € 14 milhões — por suas duas fazendas, que somam aproximadamente 106 hectares.

O objetivo era unir sua propriedade a terrenos vizinhos para construir um grande complexo de data centers.

Mas o agricultor já havia tomado outra decisão.

No fim de dezembro de 2025, ele vendeu os direitos de desenvolvimento das terras ao Lancaster Farmland Trust por cerca de US$ 1,9 milhão.

Na prática, o acordo impede permanentemente que aquelas áreas recebam qualquer tipo de empreendimento urbano ou industrial. Elas só poderão ser utilizadas para atividades agrícolas.

“Eu simplesmente não queria que minhas duas fazendas fossem destruídas. É simples assim”, afirmou.

Preservar a terra era mais importante que o dinheiro

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© Pexels

Raudabaugh contou que já estudava havia anos maneiras de garantir a preservação das propriedades.

Embora a diferença financeira entre as propostas fosse enorme, ele afirma não considerar que tenha feito um grande sacrifício econômico.

Segundo o agricultor, ao longo da vida administrou seus investimentos com prudência e acredita que seus herdeiros ainda poderão vender as terras para outros produtores rurais no futuro.

Seu principal objetivo era garantir que o destino das fazendas permanecesse ligado à agricultura mesmo depois de sua morte.

Foi nessas propriedades que ele criou os filhos ao lado da esposa, Anna Mae, enfermeira da região de Carlisle.

Também foi ali que consolidou uma filosofia que resume sua trajetória.

“Se você ama o que faz, nunca trabalhará um único dia da sua vida.”

Outros proprietários também impediram o projeto

Raudabaugh não foi o único morador da região a rejeitar propostas milionárias.

Jeff Austin, proprietário do campo de golfe Rich Valley, também recusou vender sua área, apesar de ela fazer parte da região pretendida pelo empreendimento.

Segundo Austin, permanecer no local tinha um valor muito maior do que qualquer oferta financeira.

A resistência dos dois proprietários acabou inviabilizando o projeto.

Para que um data center desse porte fosse construído, seria necessário reunir todas as áreas planejadas em um único terreno com acesso suficiente à rede elétrica e ao abastecimento de água.

Sem essas propriedades, o empreendimento perdeu sua viabilidade.

Expansão dos data centers aumenta pressão sobre áreas rurais

Data Centers E Inteligência Artificial
© Caureem – Shutterstock

A demanda por infraestrutura para inteligência artificial vem acelerando a construção de data centers em diversas partes do mundo.

Além de grandes quantidades de energia elétrica, essas instalações exigem acesso constante à água para resfriamento dos equipamentos e enormes extensões de terreno.

Como consequência, muitas áreas agrícolas passaram a despertar o interesse de incorporadoras e empresas de tecnologia.

Na região onde Raudabaugh vive, ele acompanhou ao longo das décadas a construção da Interestadual 81, a expansão urbana e o crescimento de empreendimentos comerciais.

Agora, afirma enxergar os data centers como a mais recente ameaça à preservação das terras agrícolas.

Disputa chegou à política local

Segundo a reportagem do PennLive, o debate sobre a ocupação das áreas rurais também ganhou dimensão política.

Durante as eleições primárias de 2025, um comitê independente investiu cerca de US$ 20 mil em uma campanha contra Laura Brown, supervisora municipal conhecida por defender políticas de preservação agrícola.

Os recursos teriam sido fornecidos por uma organização sem fins lucrativos sediada na Virgínia, cujos financiadores não precisam ser divulgados publicamente.

Raudabaugh criticou a iniciativa e lamentou a tentativa de pressionar autoridades favoráveis à conservação das áreas rurais.

Apesar da campanha, Brown foi reeleita e os programas de preservação continuaram avançando.

Hoje, o agricultor afirma estar tranquilo com a decisão tomada.

Para ele, o verdadeiro legado não está no valor da proposta recusada, mas na certeza de que suas terras continuarão produzindo alimentos pelas próximas gerações.

Na visão de Raudabaugh, daqui a cem anos alguém poderá olhar para aquela região e reconhecer que preservar aquelas fazendas foi uma decisão inteligente.

 

[ Fonte: La Razón ]

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