Quando o assunto é riqueza, os Estados Unidos costumam ocupar o topo dos rankings internacionais. Mas a fotografia muda bastante quando a análise vai além da média e observa como o patrimônio está distribuído entre a população. Dados do UBS Global Wealth Report 2026 mostram que diversos países europeus superam os americanos em riqueza mediana, revelando diferenças profundas na concentração de patrimônio e na formação da classe média.
Suíça lidera o ranking mundial de riqueza por adulto

O relatório analisou 56 países que, juntos, concentram mais de 92% da riqueza global.
No fim de 2025, a Suíça apareceu como o país com maior riqueza média por adulto do planeta, alcançando € 777.506.
Os Estados Unidos ocupam a segunda posição, com € 594.651 (US$ 696.277), seguidos por Luxemburgo, que lidera entre os países da União Europeia com uma média de € 559.170 por adulto.
Hong Kong, Austrália e Singapura também figuram entre os primeiros colocados, todos acima de € 450 mil em riqueza média.
Na Europa, Dinamarca, Noruega e Países Baixos completam o grupo dos dez países mais ricos nesse indicador.
Além deles, Bélgica e Suécia também ultrapassam a marca de € 300 mil em patrimônio médio por adulto.
Segundo o relatório, os Estados Unidos concentram 38,1% de toda a riqueza pessoal existente entre os países analisados.
A Europa Ocidental aparece em segundo lugar, com 21,9%, enquanto a Europa Oriental representa apenas 3,3%.
As maiores economias da Europa apresentam patrimônios semelhantes
Entre as cinco maiores economias europeias, as diferenças são menores do que muitos imaginam.
A Alemanha ocupa a melhor colocação, na 14ª posição do ranking mundial, com riqueza média de € 296.023 por adulto.
Logo atrás aparecem França (€ 291.536), Espanha (€ 261.689), Reino Unido (€ 250.071) e Itália (€ 238.653).
Outros países europeus que aparecem entre os 30 primeiros incluem Irlanda, Áustria, Finlândia, Portugal, Malta e Grécia.
Embora existam diferenças entre eles, os valores permanecem relativamente próximos quando comparados aos extremos do ranking global.
O patrimônio mediano muda completamente a classificação
Quando os pesquisadores analisam a riqueza mediana — ou seja, o patrimônio do adulto que ocupa exatamente o centro da distribuição — o cenário muda de forma significativa.
Esse indicador reduz o peso dos bilionários e grandes fortunas, oferecendo uma visão mais próxima da realidade da população.
Nesse ranking, Luxemburgo assume a liderança mundial, com riqueza mediana de € 336.498.
Bélgica aparece em segundo lugar, seguida por Austrália, Nova Zelândia, Hong Kong, Dinamarca, Suíça e Noruega.
Entre as grandes economias europeias, a Itália passa a ocupar a melhor posição, com patrimônio mediano de € 111.881, alcançando o 11º lugar no mundo.
Reino Unido (€ 107.042), França (€ 104.106) e Espanha (€ 95.290) aparecem logo atrás.
A maior surpresa é a Alemanha.
Apesar de figurar entre os países com maior riqueza média, ela registra riqueza mediana de apenas € 45.679, ocupando a última posição entre os 30 países analisados nesse indicador.
A diferença revela onde a riqueza está concentrada
A comparação entre riqueza média e riqueza mediana mostra o quanto o patrimônio pode estar concentrado em uma pequena parcela da população.
Os Estados Unidos ilustram esse fenômeno de forma clara.
Enquanto ocupam o segundo lugar mundial em riqueza média, caem para a terceira posição a partir do fim no ranking de riqueza mediana, registrando apenas € 58.927.
É a maior queda observada em toda a pesquisa.
Alemanha, Suécia e Singapura também apresentam diferenças expressivas entre os dois indicadores, sugerindo elevada concentração de riqueza nas camadas mais ricas da população.
Em contrapartida, países como Itália, Bélgica, Reino Unido, Malta e Japão sobem várias posições quando a análise considera a riqueza mediana.
Segundo o UBS, isso indica uma distribuição patrimonial mais equilibrada e uma classe média relativamente mais robusta.
Os autores destacam que a riqueza mediana costuma representar melhor a situação da maioria da população do que a riqueza média, fortemente influenciada pelas grandes fortunas.
Ainda assim, o relatório faz uma ressalva importante.
Nenhum desses indicadores mede diretamente o poder de compra dos habitantes.
Mesmo assim, na comparação regional, os Estados Unidos continuam apresentando a maior riqueza média por adulto, com € 594.651, enquanto a Europa Ocidental registra € 287.884 e a Europa Oriental apenas € 53.055, evidenciando as profundas diferenças patrimoniais entre as regiões do mundo.
[Fonte: Euronews]