Para muita gente, o café é apenas uma maneira de começar o dia com mais disposição. Mas essa bebida também desperta o interesse dos cientistas por outro motivo: diversos estudos encontraram uma associação entre seu consumo regular e uma melhor saúde do fígado.
Pesquisas indicam que beber cerca de duas ou mais xícaras por dia está relacionado a menor risco de algumas doenças hepáticas. Os possíveis benefícios incluem menor progressão da fibrose e da cirrose, além de associações favoráveis em pessoas com doença hepática gordurosa.
Isso não significa que café seja um tratamento. Mas os resultados ajudam a explicar por que a bebida aparece cada vez mais nas pesquisas sobre saúde do fígado.
O que acontece com o fígado de quem bebe café?

Uma das condições analisadas pelos pesquisadores é a fibrose hepática.
Ela ocorre quando agressões repetidas ao fígado provocam a formação de tecido cicatricial. Conforme o problema avança, o funcionamento do órgão pode ser comprometido e, em casos mais graves, evoluir para cirrose.
Estudos publicados na área de hepatologia observaram que pessoas que consomem café regularmente apresentam, em média, indicadores mais favoráveis de fibrose do que aquelas que não bebem a bebida.
Uma pesquisa realizada na Holanda, por exemplo, encontrou menor rigidez hepática entre participantes que consumiam café com maior frequência.
Outros trabalhos também associaram a bebida a uma progressão mais lenta de doenças hepáticas, inclusive em alguns grupos que já apresentavam problemas no fígado.
Café também está associado a menor risco de câncer de fígado
Os possíveis benefícios não parecem terminar na fibrose.
Diversas pesquisas epidemiológicas encontraram uma associação entre maior consumo de café e menor risco de carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer primário do fígado.
É importante destacar a palavra “associação”. Esses estudos não demonstram que simplesmente começar a beber café impedirá o desenvolvimento da doença.
Ainda assim, a repetição desse resultado em diferentes pesquisas tornou o café um dos alimentos mais estudados quando o assunto é proteção hepática.
Qual café é melhor para o fígado?
Tanto o café com cafeína quanto o descafeinado aparecem associados a possíveis benefícios.
Isso sugere que a cafeína provavelmente não é a única responsável pelo efeito observado. O café contém centenas de compostos biologicamente ativos, incluindo substâncias com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
Quando o objetivo é aproveitar os potenciais benefícios sem adicionar outros problemas à dieta, uma opção simples é consumir café sem grandes quantidades de açúcar, xaropes, cremes ou outros ingredientes calóricos.
O café filtrado também pode ser uma boa escolha. Além de ser uma das formas mais comuns de preparo, o filtro de papel retém parte de substâncias presentes no café que podem elevar o colesterol quando consumidas em maiores quantidades.
E quantas xícaras por dia?

Não existe um número mágico que funcione para todas as pessoas.
Entretanto, vários estudos sobre saúde hepática encontram associações favoráveis a partir de aproximadamente duas xícaras diárias, enquanto outros apontam benefícios com consumos um pouco maiores.
Para adultos saudáveis, a quantidade total de cafeína também precisa ser considerada. Sensibilidade individual, gravidez, medicamentos, ansiedade, palpitações e problemas de sono podem exigir limites diferentes.
Além disso, tamanho e concentração variam bastante. Uma pequena xícara de café não contém necessariamente a mesma quantidade de cafeína que uma caneca grande.
Café pode ajudar quem tem fígado gorduroso?
A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, anteriormente conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica, tornou-se uma das causas mais comuns de doença crônica do fígado.
Alguns estudos encontraram associações entre o consumo de café e menor gravidade da doença.
Pesquisadores também identificaram relações entre metabólitos do café presentes no organismo e indicadores mais favoráveis entre pessoas com excesso de peso e diabetes tipo 2.
Os mecanismos ainda estão sendo investigados, mas compostos presentes na bebida podem atuar sobre processos relacionados à inflamação, estresse oxidativo e metabolismo.
Café não compensa outros fatores de risco
Os possíveis benefícios não transformam o café em uma proteção contra todos os danos ao fígado.
Excesso de peso, sedentarismo, alterações metabólicas, hepatites virais, determinados medicamentos e consumo de álcool continuam sendo fatores importantes para a saúde hepática.
E não existe uma quantidade de álcool que deva ser consumida para proteger o fígado. Para quem não bebe, não há benefício em começar. De maneira geral, quanto menor o consumo de álcool, menor o risco relacionado a ele.
O café também não substitui alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso ou acompanhamento médico.
Por enquanto, as evidências apontam para uma conclusão interessante: para quem já gosta de café e pode consumi-lo sem contraindicações, algumas xícaras por dia podem fazer mais do que fornecer energia pela manhã. Elas também parecem estar associadas a um fígado mais saudável.
[ Fonte: Infobae ]