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Tecnologia

OpenAI e Anthropic querem automatizar o trabalho, mas a Meta aposta em algo muito mais cotidiano

Enquanto gigantes da tecnologia desenvolvem agentes capazes de executar trabalhos complexos, uma estratégia mais simples promete levar a inteligência artificial para milhões de conversas cotidianas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Imagine enviar uma mensagem pedindo para organizar suas próximas férias, comprar produtos no supermercado ou cancelar uma assinatura. Minutos depois, tudo estaria resolvido, sem precisar abrir vários aplicativos ou preencher formulários. Essa é a promessa de uma nova geração de agentes de inteligência artificial. Mas, enquanto algumas empresas investem em sistemas cada vez mais sofisticados, outras perceberam que o segredo para conquistar o público talvez esteja em algo muito mais familiar.

Meta aposta no WhatsApp para transformar a IA em uma assistente pessoal

Durante anos, empresas como OpenAI, Google e Anthropic competiram para desenvolver modelos capazes de raciocinar melhor, programar e responder perguntas complexas.

Agora, a disputa começa a mudar. O objetivo não é apenas conversar com a inteligência artificial, mas permitir que ela execute tarefas reais.

A Meta apresentou, em 8 de setembro, o Muse, um agente capaz de enviar e-mails, organizar viagens, realizar compras e interagir com aplicativos conectados.

Seu principal diferencial está na facilidade de acesso: o serviço pode funcionar diretamente pelo WhatsApp.

Em vez de aprender a utilizar uma plataforma desconhecida, o usuário simplesmente conversa com a ferramenta.

Segundo a Meta, o Muse utiliza um computador virtual na nuvem para executar tarefas e solicita autorização antes de ações sensíveis, como pagamentos ou envio de mensagens.

O lançamento inicial ocorreu nos Estados Unidos, com diversas funcionalidades gratuitas.

No fim de setembro, o serviço já ultrapassava três milhões de usuários com pelo menos uma interação semanal, segundo dados internos divulgados pelo The Information.

O número não representa necessariamente usuários diários, mas indica o potencial de uma inteligência artificial integrada a aplicativos de mensagens.

Uma startup fundada por um jovem de 23 anos também quer conquistar esse mercado

A Meta não é a única empresa interessada em transformar conversas em comandos para agentes autônomos.

A startup Instinct, fundada por Noah Shinn, de 23 anos, desenvolveu uma proposta semelhante, baseada em mensagens e chamadas telefônicas.

Por meio de serviços como o iMessage, usuários podem solicitar compras de supermercado, procurar ingressos ou administrar assinaturas.

A ideia é reduzir ao máximo a necessidade de interação com diferentes aplicativos.

Apesar de seu alcance ainda limitado, a empresa chamou a atenção dos investidores.

Em agosto de 2026, a Instinct acumulava US$ 350 milhões em financiamento e alcançava uma avaliação de US$ 2,5 bilhões.

Seu crescimento mostra que investidores enxergam oportunidades em agentes voltados às tarefas cotidianas, não apenas ao ambiente profissional.

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© OpenAI

OpenAI e Anthropic seguem um caminho diferente

Enquanto Meta e Instinct procuram simplificar atividades pessoais, OpenAI e Anthropic desenvolvem ferramentas capazes de assumir fluxos de trabalho mais complexos.

Em 29 de setembro, a OpenAI apresentou o Dots, um sistema de agentes projetado para trabalhar continuamente, utilizar aplicativos conectados e avançar em projetos mesmo sem interação constante do usuário.

Já a Anthropic anunciou, em 21 de outubro, o Claude Duet, direcionado principalmente a profissionais e pequenas empresas.

Entre suas capacidades estão organizar reuniões, consultar e-mails, preparar resumos e desenvolver relatórios financeiros ou painéis de dados.

Inicialmente, o Duet foi disponibilizado por lista de espera para determinados assinantes americanos dos planos Pro e Max.

O Dots também começou com acesso restrito a grupos selecionados de usuários Pro e Business Premium.

Essas ferramentas oferecem automações mais profundas, mas exigem permissões para acessar documentos, calendários e informações potencialmente confidenciais.

O verdadeiro negócio pode estar nas compras realizadas pela inteligência artificial

Existe uma diferença comercial importante entre essas estratégias.

A Meta pretende manter grande parte das funções do Muse gratuitas e explorar receitas relacionadas às transações realizadas pelos agentes.

A Instinct também considera oportunidades comerciais associadas às compras e aos serviços intermediados.

Nesse modelo, a inteligência artificial poderia gerar receita não apenas por assinaturas, mas pelas operações que ajuda a concluir.

Entretanto, surgem questões importantes.

Um agente recomendaria determinado produto por ser a melhor opção ou porque existe uma comissão envolvida? Quem seria responsável por uma compra incorreta?

A privacidade também merece atenção. Em setembro, a Reuters relatou que a Meta havia testado o uso de assistentes humanos para concluir determinadas chamadas do Muse. A função experimental foi posteriormente suspensa.

Por enquanto, não existe um vencedor definido.

OpenAI e Anthropic apostam na profundidade das tarefas; Meta e Instinct, na simplicidade do acesso.

A grande oportunidade pode estar em transformar a inteligência artificial em um contato comum, capaz de resolver problemas reais com uma simples mensagem.

E, especialmente em mercados como o brasileiro, onde o WhatsApp faz parte da rotina de milhões de pessoas, essa estratégia pode representar uma vantagem decisiva.

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