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Santiago Peña apresenta renúncia no Paraguai após crise bancária e perda de apoio político

Intervenção no Ueno Bank deixou milhões de clientes sem acesso imediato ao dinheiro e desencadeou protestos e um pedido de impeachment.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira, 5 de novembro, em meio à crise provocada pela intervenção no Ueno Bank. A decisão ocorreu enquanto o Congresso discutia seu impeachment e manifestantes cobravam a recuperação dos depósitos. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Peña afirmou que sua saída buscava preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.

A crise financeira chegou ao Palácio de Governo

A situação se agravou depois que o Banco Central do Paraguai anunciou, em 3 de novembro, o início do procedimento de resolução do Ueno Bank. A instituição reunia aproximadamente 2,9 milhões de clientes, dimensão que ampliou o impacto da suspensão dos serviços.

Segundo a agência EFE, a medida ocorreu por problemas de solvência. O caso rapidamente ultrapassou o setor financeiro: Peña cancelou sua participação na Cúpula Ibero-Americana de Madri, enquanto cresciam os questionamentos sobre a supervisão do banco.

A impossibilidade de acessar o dinheiro acrescentou urgência à crise. Para os clientes, a discussão sobre indicadores financeiros passou a significar incerteza sobre recursos necessários para despesas e compromissos cotidianos.

O que o Banco Central encontrou

No comunicado oficial sobre o Ueno Bank, o Banco Central informou que ajustes nas demonstrações financeiras revelaram um índice de solvência inferior à metade do mínimo exigido.

O procedimento de resolução segue a legislação paraguaia sobre garantia de depósitos e tratamento de instituições financeiras em dificuldades. O regulador apresentou a medida como uma forma de enfrentar a situação de maneira ordenada, proteger os depositantes e preservar a estabilidade.

O Banco Central também afirmou que o problema era específico daquela instituição, sem representar uma condição generalizada do sistema financeiro paraguaio.

Essa distinção é relevante: a intervenção em um banco pode gerar apreensão entre clientes de outras instituições, mas não demonstra, por si só, que todos enfrentem o mesmo problema. O regulador orientou a população a acompanhar seus canais oficiais e evitar decisões baseadas em rumores.

Vínculos empresariais alimentaram as acusações

A pressão sobre Peña ganhou força por sua antiga participação em um grupo empresarial ligado ao controle do Ueno. Segundo a Reuters, o presidente manteve essa participação até março de 2025.

O banco também administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, conforme a reportagem da agência. Esse volume colocou no centro do debate a destinação de verbas estatais e previdenciárias.

Deputados oposicionistas atribuíram ao presidente possíveis conflitos de interesse, uso indevido de recursos previdenciários e encobrimento institucional. Essas alegações integraram a ofensiva política; não devem ser confundidas com condenações judiciais.

Na quarta-feira, antes do anúncio de renúncia, Peña havia defendido que os responsáveis por irregularidades enfrentassem a Justiça e pedido que as lideranças priorizassem os interesses dos depositantes.

A perda de apoio tornou a situação insustentável

O pedido de impeachment começou com a apresentação de uma acusação por 35 deputados em uma Câmara composta por 80 integrantes. Para avançar, o processo precisava reunir apoio de dois terços dos parlamentares presentes à sessão.

A possibilidade ganhou força quando figuras centrais do governismo retiraram seu respaldo a Peña. Entre elas estavam o presidente do Congresso, Basilio Núñez, e Horacio Cartes, líder do Partido Colorado e principal padrinho político do mandatário.

Esse movimento alterou o equilíbrio da disputa. A contestação já não dependia apenas da oposição: alcançava a estrutura partidária que sustentava o governo.

Peña havia assumido em agosto de 2023, com mandato previsto até 2028. A apresentação da renúncia ocorreu, portanto, antes da conclusão desse período e em meio ao avanço da pressão parlamentar.

Investigações e depósitos continuam no centro da crise

A intervenção também provocou a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central, a pedido de Peña. Carvallo havia comandado a financeira Ueno antes de assumir o órgão regulador em 2023.

Paralelamente, a Justiça determinou a detenção de oito dirigentes da instituição. A apuração das responsabilidades financeiras constitui uma frente própria, que continua relevante independentemente do desfecho político.

Para os clientes, o anúncio presidencial não resolve automaticamente a recuperação dos valores. O Banco Central afirmou que comunicará oficialmente os mecanismos e as orientações aplicáveis aos depositantes.

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