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Tecnologia

Uber prepara US$ 10 bilhões para expandir sua frota de robotáxis

A Uber quer transformar os veículos autônomos em uma das bases de seu negócio. Mas, depois da reação provocada pelo avanço acelerado da inteligência artificial, seu CEO acredita que os robotáxis precisam chegar às cidades de maneira mais lenta e cuidadosa.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A Uber está preparando uma ofensiva bilionária no mercado de veículos autônomos. A empresa pretende comprometer mais de US$ 10 bilhões nos próximos anos para colocar robotáxis em circulação em grande escala.

A informação foi revelada pelo CEO Dara Khosrowshahi em declarações preparadas para a apresentação dos resultados financeiros da companhia.

Segundo o executivo, a estratégia já começou a ganhar velocidade. Veículos autônomos estão disponíveis através da plataforma da Uber em sete cidades, e a expectativa é alcançar até 15 cidades até o final do ano.

Mas existe uma preocupação importante por trás dessa expansão: evitar que os robotáxis enfrentem uma rejeição semelhante àquela observada em torno da inteligência artificial.

Uber quer construir um império de veículos autônomos

A estratégia representa uma mudança importante para uma empresa que construiu seu negócio conectando passageiros a motoristas humanos.

Com os robotáxis, parte dessas viagens poderá eventualmente acontecer sem ninguém ao volante.

Para chegar a essa escala, porém, será necessário investir bilhões de dólares em tecnologia, infraestrutura e parcerias.

Khosrowshahi afirmou que a Uber espera comprometer mais de US$ 10 bilhões em capital ao longo dos próximos anos para levar veículos autônomos ao mercado em grande escala.

O objetivo não significa necessariamente que a companhia pretende fabricar todos esses veículos.

A estratégia da Uber vem sendo baseada principalmente na integração de diferentes operadores e tecnologias de direção autônoma dentro de sua própria plataforma.

Nesse cenário, o aplicativo funciona como uma espécie de porta de entrada para diferentes frotas.

Robotáxis precisam avançar mais devagar que a IA

Apesar dos planos ambiciosos, Khosrowshahi acredita que a expansão precisa acontecer de maneira cuidadosa.

O executivo defendeu que a proliferação dos veículos autônomos seja mais lenta e deliberada do que aconteceu com a inteligência artificial.

A preocupação está relacionada à reação pública contra tecnologias implementadas rapidamente.

A IA generativa avançou em poucos anos para escolas, empresas, mecanismos de busca, redes sociais, smartphones e praticamente todos os setores da economia.

Esse crescimento também trouxe controvérsias envolvendo empregos, direitos autorais, privacidade, desinformação e impacto ambiental.

Os veículos autônomos enfrentam outro conjunto de preocupações.

Um erro de um robotáxi acontece no mundo físico

Existe uma diferença fundamental entre um chatbot e um carro autônomo.

Quando um sistema de inteligência artificial produz uma resposta errada, o problema normalmente permanece no ambiente digital.

Um veículo autônomo opera no mundo físico.

Ele precisa interpretar pedestres, ciclistas, semáforos, obras, ambulâncias, outros motoristas e inúmeras situações imprevisíveis encontradas nas ruas.

Qualquer falha pode produzir consequências reais.

Além disso, empresas de veículos autônomos já enfrentaram problemas envolvendo acidentes, interrupções do trânsito e investigações regulatórias.

É por isso que conquistar a confiança do público pode ser tão importante quanto aperfeiçoar a própria tecnologia.

Uber já oferece veículos autônomos em sete cidades

Segundo Khosrowshahi, os veículos autônomos já estão disponíveis através da Uber em sete cidades.

A companhia pretende aumentar esse número para até 15 até o final do ano.

Essa expansão transforma a plataforma em uma peça estratégica para empresas que desenvolvem tecnologias autônomas.

Construir um sistema capaz de dirigir sozinho é apenas parte do desafio.

As empresas também precisam encontrar passageiros, administrar a demanda, organizar pagamentos e distribuir seus veículos pelas cidades.

A Uber já possui justamente essa infraestrutura.

Sua enorme base de usuários pode permitir que operadores de robotáxis encontrem passageiros sem precisar construir do zero uma plataforma de transporte.

Motoristas humanos não desaparecerão imediatamente

Mesmo com bilhões destinados aos veículos autônomos, uma substituição rápida dos motoristas parece improvável.

Robotáxis ainda enfrentam limitações geográficas, regulatórias e tecnológicas.

Sistemas autônomos normalmente começam funcionando em regiões específicas e cuidadosamente mapeadas, onde as condições de operação são conhecidas.

Expandir esse modelo para milhares de cidades com legislações, infraestrutura, clima e comportamento no trânsito diferentes representa um desafio muito maior.

Isso cria um cenário no qual veículos autônomos e motoristas humanos podem coexistir durante bastante tempo dentro da mesma plataforma.

A proporção entre eles poderá mudar gradualmente conforme a tecnologia amadurecer.

A Uber não quer repetir os erros da corrida pela IA

A estratégia mais cautelosa também possui uma dimensão política e social.

Uma expansão rápida demais poderia aumentar a resistência de motoristas, sindicatos, autoridades locais e da própria população.

Milhões de pessoas ao redor do mundo dependem de aplicativos de transporte como fonte de renda.

Por isso, uma transição em direção a veículos sem motorista envolve questões que ultrapassam a tecnologia.

Empregos, regulamentação, responsabilidade em acidentes e segurança pública provavelmente estarão no centro das discussões.

A própria experiência recente da indústria de tecnologia oferece um alerta.

Empresas de IA avançaram rapidamente antes que governos conseguissem estabelecer regras claras para seus produtos. O resultado foi uma sequência de disputas judiciais, investigações e críticas públicas.

A Uber parece querer evitar um caminho semelhante.

US$ 10 bilhões mostram o tamanho da aposta

Apesar do discurso de cautela, o tamanho do investimento deixa claro que a Uber considera os veículos autônomos fundamentais para seu futuro.

Mais de US$ 10 bilhões representam uma aposta gigantesca em uma tecnologia que ainda está construindo seu espaço nas cidades.

Se funcionar, a companhia poderá ocupar uma posição particularmente poderosa.

Em vez de existir uma única empresa dominando os robotáxis, diferentes fabricantes e desenvolvedores de sistemas autônomos poderiam utilizar a Uber para encontrar passageiros.

Nesse cenário, a companhia não precisaria necessariamente vencer a corrida para construir o melhor carro autônomo.

Bastaria se tornar a plataforma onde esses carros encontram seus clientes.

A corrida pelos robotáxis está acelerando. A diferença é que, desta vez, a Uber parece acreditar que chegar rápido demais pode ser tão perigoso quanto chegar tarde.

 

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