Pular para o conteúdo
Tecnologia

Um ataque digital derrubou hospitais na Romênia e obrigou médicos a voltar ao papel

Um ciberataque atingiu dezenas de hospitais e revelou como a dependência da tecnologia pode colocar o atendimento médico em risco. A solução encontrada foi tão simples quanto inesperada.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A transformação digital revolucionou os hospitais nas últimas décadas. Prontuários eletrônicos, exames, prescrições, agendas e sistemas administrativos passaram a funcionar de forma integrada, tornando o atendimento mais rápido e eficiente. Mas quando toda essa estrutura depende da tecnologia, basta uma única falha para comprometer serviços essenciais. Foi exatamente esse cenário que um país europeu enfrentou ao sofrer um dos maiores ataques cibernéticos contra seu sistema de saúde.

Quando a tecnologia falhou, hospitais precisaram voltar ao papel

Em fevereiro de 2024, um ataque de ransomware atingiu o Hipocrate Information System, plataforma utilizada por diversos hospitais da Romênia para gerenciar prontuários médicos, informações de pacientes e processos internos. Em poucos minutos, arquivos importantes foram criptografados e os profissionais perderam acesso às ferramentas digitais que utilizavam diariamente.

O episódio mostrou como a modernização da saúde também trouxe uma nova vulnerabilidade. Atualmente, praticamente todas as etapas do atendimento dependem de sistemas conectados, desde a admissão do paciente até a emissão de receitas e o acompanhamento dos exames.

Quando esses sistemas deixam de funcionar, não é apenas a informática que para. Médicos, enfermeiros, laboratórios e setores administrativos precisam reorganizar toda a rotina para manter os atendimentos funcionando.

Foi exatamente isso que aconteceu. Sem acesso aos computadores, diversas equipes passaram a registrar informações manualmente, utilizando papel e caneta para anotar consultas, resultados de exames, prescrições e dados clínicos. Em pleno século XXI, hospitais altamente digitalizados precisaram recorrer a métodos tradicionais para continuar salvando vidas.

Romênia1
© Magnific

O impacto foi nacional e exigiu decisões imediatas

Embora cerca de 26 hospitais tenham tido seus dados criptografados diretamente pelos criminosos, o impacto foi muito maior. Mais de cem unidades de saúde ficaram temporariamente desconectadas da rede ou perderam acesso aos seus sistemas digitais.

Em muitos casos, a própria desconexão foi uma medida preventiva. Especialistas em segurança recomendaram isolar imediatamente os hospitais para impedir que o ransomware continuasse se espalhando entre outras instituições.

Essa decisão ajudou a conter os danos, mas criou um enorme desafio operacional.

Sem acesso aos sistemas eletrônicos, profissionais passaram a solicitar exames em formulários impressos, registrar pacientes manualmente e utilizar documentos físicos para manter o fluxo de atendimento. Diversos hospitais também recorreram a planilhas offline enquanto aguardavam a recuperação da infraestrutura digital.

Os criminosos exigiram o pagamento de 3,5 bitcoins em troca da suposta chave para desbloquear os arquivos. As autoridades romenas orientaram que nenhum resgate fosse pago, evitando financiar novos ataques e sem garantia de que os dados realmente seriam recuperados.

Grande parte da restauração foi possível graças às cópias de segurança mantidas por vários hospitais. Mesmo assim, o processo levou dias e exigiu um enorme trabalho para inserir novamente no sistema todas as informações registradas manualmente durante o período da paralisação.

O episódio deixou uma lição importante para hospitais do mundo inteiro

O caso da Romênia mostrou que investir apenas em antivírus e servidores modernos não é suficiente para proteger instituições de saúde. A continuidade do atendimento também depende de protocolos bem definidos para situações em que a tecnologia deixa de funcionar.

Especialistas destacam que hospitais precisam manter backups atualizados, realizar treinamentos frequentes, promover simulações de ataques cibernéticos e estabelecer procedimentos claros para trabalhar temporariamente sem acesso aos sistemas digitais.

Esses planos de contingência permitem que médicos e enfermeiros continuem atendendo pacientes mesmo durante uma crise tecnológica, reduzindo riscos para quem depende do sistema de saúde.

O episódio também reforçou uma realidade que muitos países começam a enfrentar. À medida que hospitais se tornam cada vez mais digitais, também aumentam o interesse de grupos criminosos especializados em ataques de ransomware.

No fim das contas, a maior lição deixada pelo incidente não foi apenas sobre segurança digital, mas sobre preparação. A tecnologia tornou os hospitais mais eficientes, porém também criou uma dependência que exige alternativas confiáveis quando tudo para de funcionar.

Na Romênia, esse plano de emergência foi surpreendentemente simples: voltar ao papel, às anotações manuais e à organização das equipes para garantir que nenhum paciente ficasse sem atendimento.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados