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Ciência

Adoçante xilitol é associado a maior risco de infarto e AVC em novo estudo

Uma pesquisa com cerca de 17 mil pessoas encontrou uma associação entre maior consumo de xilitol e aumento de eventos cardiovasculares graves. Os cientistas ressaltam, porém, que os resultados ainda não provam que o adoçante seja diretamente responsável pelo problema.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Produtos “sem açúcar” podem não ser automaticamente livres de riscos. Um novo estudo realizado por pesquisadores na Alemanha encontrou uma possível relação entre o consumo elevado de xilitol, adoçante bastante utilizado em alimentos de baixa caloria, e uma maior incidência de problemas cardiovasculares.

A análise acompanhou participantes de dois grandes estudos populacionais. Aqueles com maior consumo de xilitol apresentaram taxas superiores de eventos como infarto e AVC em comparação com pessoas que consumiam quantidades menores. Apesar dos números chamarem atenção, os próprios pesquisadores alertam que ainda são necessários mais estudos.

Xilitol está presente em diversos produtos sem açúcar

O xilitol pertence ao grupo dos chamados álcoois de açúcar, carboidratos encontrados naturalmente em pequenas quantidades em frutas, vegetais e outras plantas.

Na indústria alimentícia, essas substâncias são utilizadas para adoçar produtos oferecendo menos calorias do que o açúcar tradicional. Além do xilitol, outro exemplo bastante conhecido é o eritritol.

Eles podem aparecer em chicletes, balas, produtos dietéticos e outros alimentos vendidos como alternativas com pouco ou nenhum açúcar.

O consumo excessivo de álcoois de açúcar já é conhecido por provocar desconfortos gastrointestinais em algumas pessoas. Nos últimos anos, porém, pesquisas começaram a investigar possíveis efeitos além do sistema digestivo.

Alguns estudos levantaram preocupações sobre uma possível relação entre determinados adoçantes desse grupo e fenômenos cardiovasculares, incluindo formação de coágulos e AVC.

Pesquisa acompanhou cerca de 17 mil pessoas

No novo trabalho, cientistas analisaram informações de dois grandes estudos que acompanham a saúde de seus participantes ao longo do tempo.

Um deles foi o Canadian Longitudinal Study on Aging (CLSA). O outro foi o European Prospective Investigation into Cancer, em sua coorte EPIC-Norfolk.

Juntos, os bancos de dados incluíram aproximadamente 17 mil pessoas.

Os pesquisadores dividiram os participantes em quatro grupos de acordo com o nível de consumo de xilitol. Em seguida, compararam aqueles que consumiam as maiores quantidades com o grupo que apresentava o menor consumo.

Os resultados mostraram diferenças relevantes.

Risco foi até 57% maior em um dos grupos

Entre os participantes do estudo canadense, acompanhados durante seis anos, aqueles com maior consumo de xilitol apresentaram um risco 57% superior de sofrer um evento cardiovascular grave em comparação com o grupo de menor consumo.

Esses eventos incluem problemas como infarto e AVC.

Já na população do estudo EPIC-Norfolk, acompanhada por um período muito maior, de aproximadamente 30 anos, o risco foi 18% superior entre os participantes que apresentavam os maiores níveis de consumo.

Para Marco Witkowski, cardiologista do Hospital Universitário Charité, em Berlim, e principal autor do trabalho, os resultados mostram que ainda existem muitas dúvidas sobre a segurança cardiovascular do xilitol.

A preocupação ganha importância porque o adoçante aparece em uma quantidade crescente de produtos.

Associação não significa que xilitol cause infartos

Apesar dos resultados, existe uma diferença fundamental entre encontrar uma associação estatística e demonstrar uma relação de causa e efeito.

O estudo não comprova que consumir xilitol provoca diretamente infarto, AVC ou outros problemas cardiovasculares.

Outros fatores relacionados à alimentação, estilo de vida ou saúde dos participantes podem influenciar os resultados. Estudos observacionais conseguem identificar padrões importantes, mas possuem limitações para determinar exatamente o que causou determinado desfecho.

Além disso, os resultados serão apresentados no congresso anual da Sociedade Europeia de Cardiologia e ainda não passaram pelo processo convencional de revisão por pares.

Essa etapa permite que outros especialistas avaliem detalhadamente os métodos, dados e conclusões antes da publicação científica definitiva.

Adoçantes estão sob investigação crescente

Durante décadas, substitutos do açúcar foram cercados tanto por preocupações legítimas quanto por mitos sem fundamento científico.

Pesquisas recentes, entretanto, estão tentando responder uma questão mais específica: quais são os efeitos de longo prazo do consumo frequente dessas substâncias?

Isso não significa que todos os adoçantes apresentem os mesmos riscos. Aspartame, estévia, xilitol e eritritol são compostos diferentes e precisam ser avaliados individualmente.

No caso do xilitol, os novos resultados acrescentam mais uma razão para investigar sua segurança cardiovascular em estudos controlados.

Por enquanto, a pesquisa não oferece evidências suficientes para afirmar que seja necessário eliminar completamente o xilitol da alimentação. Mas sugere que considerar automaticamente qualquer produto “sem açúcar” como uma alternativa livre de riscos pode ser uma simplificação.

A próxima etapa será descobrir se a associação encontrada realmente representa um efeito causado pelo xilitol e, principalmente, quais quantidades poderiam representar um risco significativo para a saúde.

 

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