Depois de quase oito anos viajando pelo Sistema Solar, a BepiColombo está prestes a enfrentar uma das etapas mais importantes de sua missão. No dia 3 de setembro, a espaçonave começará uma sequência de manobras que determinará se seus dois orbitadores científicos conseguirão se instalar ao redor de Mercúrio.
A missão é uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a agência espacial japonesa JAXA. Se tudo ocorrer como planejado, os dois equipamentos começarão a estudar regularmente o planeta em 2027.
Uma missão espacial formada por várias partes
Join us live from our Main Control Room on 3 September as mission controllers oversee #BepiColombo's first critical step towards orbiting Mercury: the separation of its Mercury Transfer Module (MTM).
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— European Space Agency (@esa) August 31, 2026
A BepiColombo não é uma única espaçonave. Durante a viagem até Mercúrio, diferentes módulos permaneceram conectados e funcionaram como um único conjunto.
Agora começa a separação dessas partes.
O primeiro passo será abandonar o módulo de transferência responsável por impulsionar a missão durante grande parte da viagem. Depois disso, permanecerão os dois principais equipamentos científicos.
Um deles é o Mercury Planetary Orbiter (MPO), desenvolvido pela ESA. Ele estudará principalmente a superfície, a composição e a estrutura interna de Mercúrio.
O segundo é Mio, construído pela JAXA. Sua missão será investigar o campo magnético e o ambiente espacial ao redor do planeta, especialmente sua interação com as partículas emitidas pelo Sol.
Os dois equipamentos trabalharão de forma complementar para criar uma visão muito mais completa de Mercúrio.
A chegada a Mercúrio acontecerá aos poucos
A missão ainda terá vários meses de operações delicadas antes de alcançar sua configuração definitiva.
Em novembro está prevista a manobra de inserção orbital. Será um dos momentos mais críticos da missão, pois a espaçonave precisará reduzir sua velocidade com enorme precisão para ser capturada pela gravidade de Mercúrio.
Depois disso, em dezembro, Mio será liberado para seguir sua própria órbita.
O MPO continuará realizando ajustes até alcançar sua trajetória científica definitiva em março de 2027. Se o cronograma for cumprido, as observações regulares começarão em abril.
Até lá, qualquer erro importante durante as manobras poderá comprometer anos de trabalho.
Por que é tão difícil chegar ao planeta mais próximo do Sol?

Pode parecer que viajar até Mercúrio deveria ser relativamente simples. Afinal, o planeta está mais próximo do Sol do que a Terra.
Na prática, acontece exatamente o contrário.
Uma espaçonave enviada para essa região acelera devido à enorme atração gravitacional do Sol. Por isso, não basta simplesmente apontar para Mercúrio. É necessário reduzir cuidadosamente a velocidade para que o pequeno planeta consiga capturar a nave.
A BepiColombo precisou seguir uma longa rota desde seu lançamento, em 2018.
Durante a viagem, realizou nove sobrevoos planetários: um da Terra, dois de Vênus e seis de Mercúrio. Essas aproximações permitiram usar a gravidade dos planetas para modificar gradualmente sua velocidade e trajetória.
Temperaturas podem passar dos 450 °C
Existe ainda outro desafio: o calor.
Por estar tão perto do Sol, Mercúrio apresenta condições extremas. As temperaturas de sua superfície podem ultrapassar 450 °C durante o dia.
A BepiColombo foi projetada especificamente para sobreviver nesse ambiente, onde também ficará exposta a níveis muito elevados de radiação solar.
Essas condições ajudam a explicar por que Mercúrio continua sendo um dos planetas menos explorados do Sistema Solar.
O que existe dentro de Mercúrio?
Uma das principais perguntas que a missão tentará responder está escondida abaixo da superfície.
Mercúrio é o menor planeta do Sistema Solar, mas possui uma densidade surpreendentemente alta. Isso indica a presença de um núcleo proporcionalmente enorme, cuja origem ainda intriga os cientistas.
A BepiColombo tentará descobrir como o planeta se formou e como sua estrutura interna evoluiu ao longo de bilhões de anos.
Os instrumentos também estudarão seu campo magnético e a magnetosfera, região influenciada pelo campo magnético que ajuda a desviar partículas vindas do Sol.
Outra área de interesse será a exosfera, uma camada extremamente fina de gases que envolve o planeta.
Mercúrio pode esconder gelo
Talvez uma das buscas mais curiosas aconteça nos polos.
Apesar das temperaturas extremas registradas em Mercúrio, alguns de seus cráteres polares permanecem permanentemente na sombra. Nessas regiões, as temperaturas podem ser baixas o suficiente para preservar depósitos de gelo.
Os orbitadores tentarão analisar essas áreas com mais detalhes.
A missão também poderá revelar se Mercúrio ainda apresenta algum tipo de atividade interna ou se atualmente é um mundo geologicamente praticamente inativo.
Se todas as etapas funcionarem, a partir de abril de 2027 a BepiColombo começará finalmente sua missão científica completa.
Depois de quase uma década de viagem, os cientistas poderão observar de perto um dos mundos mais misteriosos da vizinhança do Sol.
[ Fonte: Infobae ]