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Brasil chama embaixador na Argentina para consultas após declarações de Javier Milei contra Lula

O governo brasileiro convocou seu embaixador em Buenos Aires para consultas depois que o presidente argentino Javier Milei voltou a atacar Luiz Inácio Lula da Silva durante um evento político em São Paulo. A decisão amplia a crise diplomática entre os dois principais parceiros comerciais da América do Sul.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O governo do Brasil decidiu convocar para consultas seu embaixador na Argentina após as declarações do presidente Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva durante um evento do Partido Liberal, realizado em São Paulo.

A medida foi determinada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e já foi comunicada à embaixada brasileira em Buenos Aires.

A decisão representa um novo capítulo na deterioração das relações entre os dois países, que, apesar das divergências políticas, mantêm uma das mais importantes parcerias comerciais da região.

Declarações de Milei aumentaram a tensão diplomática

A crise começou um dia após Milei participar da convenção do Partido Liberal em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro para as eleições de outubro.

Durante o discurso, o presidente argentino voltou a fazer ataques pessoais contra Lula, chamando o chefe de Estado brasileiro de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”.

Milei também dirigiu críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, utilizando termos ofensivos durante sua fala.

Além dos ataques pessoais, o presidente argentino afirmou que o Brasil enfrenta um “Risco Lula” e argumentou que o país caminha para uma crise fiscal por não ter realizado, segundo sua avaliação, um ajuste nas contas públicas.

Governo brasileiro vê interferência em assuntos internos

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Integrantes do governo Lula interpretaram a participação de Milei no evento político como uma interferência em assuntos internos do Brasil.

A avaliação do Palácio do Planalto foi agravada pelo fato de as declarações terem sido feitas em território brasileiro e direcionadas tanto ao presidente da República quanto a um integrante da mais alta Corte do país.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin, condenou publicamente os ataques contra Alexandre de Moraes.

Integrantes do governo federal e dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) também criticaram o discurso do presidente argentino.

Lideranças do PT reagiram às declarações

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que é inaceitável que um chefe de Estado estrangeiro visite o Brasil para desrespeitar suas instituições.

Já o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que esperava que Milei aproveitasse sua visita ao país para compreender que governar significa cuidar das pessoas e não desmontar direitos.

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Esta foi a terceira visita de Javier Milei ao Brasil desde que assumiu a Presidência da Argentina.

Assim como nas viagens anteriores, o presidente argentino não manteve encontros com representantes do governo federal.

Sua agenda concentrou-se exclusivamente em lideranças ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Antes do evento político, Milei foi recebido pelo governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no Palácio dos Bandeirantes.

Na ocasião, recebeu a Ordem do Ipiranga no grau Grã-Cruz, a mais alta honraria concedida pelo governo paulista.

A comitiva argentina contou ainda com a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, além de integrantes da diplomacia argentina.

Pesquisas indicam vantagem de Lula na corrida presidencial

A visita ocorreu em um momento desfavorável para o candidato apoiado por Milei.

Uma pesquisa do instituto Genial/Quaest mostrou que 55% dos entrevistados acreditam que Lula será reeleito, enquanto 25% apostam em uma vitória de Flávio Bolsonaro.

Outro levantamento, realizado pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, apontou Lula com 48,8% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 42,3% de Flávio Bolsonaro.

Entre os eleitores independentes, a vantagem do atual presidente também apareceu significativa.

Defesa de Jair Bolsonaro ampliou a crise

Durante sua passagem pelo Brasil, Milei também manifestou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando-o como “um amigo injustamente preso”.

Bolsonaro cumpre atualmente prisão domiciliar após ser condenado a mais de 27 anos de prisão por seu envolvimento na tentativa de golpe de Estado ocorrida em janeiro de 2023, após a vitória eleitoral de Lula.

Segundo fontes do governo brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores considera este episódio um dos momentos mais delicados da relação bilateral desde a posse de Milei.

Embora Lula e Milei mantenham profundas divergências políticas desde o início do governo argentino, integrantes do Itamaraty afirmam que o presidente brasileiro vinha mantendo uma postura institucional em relação ao chefe de Estado argentino.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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