A cena é familiar: você chega à casa de alguém, precisa de internet e começa a procurar aquela combinação interminável de letras, números e símbolos escrita em algum lugar. Em outras situações, nem o próprio dono lembra a senha. O que muita gente desconhece é que existem maneiras legítimas de conectar um celular sem precisar digitar manualmente a chave da rede. Algumas levam apenas alguns segundos e utilizam recursos que provavelmente já estão disponíveis no aparelho.
A senha continua importante, mas você não precisa necessariamente digitá-la

As redes Wi-Fi fazem parte de praticamente toda a rotina digital. São usadas para trabalhar, estudar, assistir a vídeos, atualizar aplicativos, fazer chamadas e evitar que o pacote de dados móveis desapareça rapidamente.
Por isso, quando precisamos conectar um aparelho novo, a primeira reação costuma ser procurar a senha.
Essa proteção não deve ser subestimada. Uma chave fraca ou previsível pode facilitar acessos não autorizados e aumentar os riscos para os dispositivos conectados à mesma rede.
Mas existe uma diferença importante entre conectar-se sem digitar a senha e acessar uma rede sem autorização.
Celulares e roteadores oferecem recursos destinados justamente a permitir que o proprietário compartilhe sua conexão sem precisar revelar ou ditar a chave. São particularmente úteis para receber visitantes, conectar um aparelho secundário ou recuperar o acesso quando ninguém lembra imediatamente qual sequência foi configurada.
Entre essas alternativas, uma das mais práticas utiliza algo que encontramos em restaurantes, lojas, embalagens e praticamente todos os lugares: um código QR.
Um quadrado na tela pode resolver tudo em segundos

Em celulares compatíveis, o proprietário de uma rede pode gerar um código QR com as informações necessárias para estabelecer a conexão.
A outra pessoa simplesmente aponta a câmera do smartphone para o código. O aparelho reconhece os dados e oferece a possibilidade de entrar na rede automaticamente, sem que seja necessário copiar a senha caractere por caractere.
É uma solução especialmente conveniente quando a chave é longa e complexa, justamente o tipo de senha mais recomendado para proteger uma rede.
Em vez de dizer algo como “maiúscula, número sete, arroba, letra minúscula…”, basta mostrar uma imagem.
A função está disponível em dispositivos Android e também pode ser utilizada no ecossistema do iPhone, embora as opções e etapas específicas possam variar conforme a versão do sistema e o fabricante do aparelho.
Além da praticidade, existe outra vantagem: o proprietário não precisa necessariamente informar verbalmente sua senha.
Mas o código QR não é a única alternativa. Às vezes, a solução está fisicamente colada no equipamento responsável por distribuir a internet.
Antes de redefinir qualquer coisa, vale olhar o roteador
Muitos roteadores possuem uma etiqueta com informações originais do equipamento.
Dependendo do modelo e da operadora, nela podem aparecer o nome padrão da rede e a senha configurada de fábrica. Se o proprietário nunca alterou essas informações, a chave impressa pode continuar válida.
Esse método é particularmente útil quando a rede pertence ao próprio usuário e a senha foi simplesmente esquecida.
Há, porém, uma limitação evidente.
Se a chave original já tiver sido modificada, aquela sequência impressa na etiqueta não permitirá entrar na rede atual. Nesse caso, é melhor utilizar os mecanismos de compartilhamento disponíveis em um aparelho que já esteja conectado ou consultar as configurações administrativas pelos meios autorizados.
Existe ainda uma terceira possibilidade presente em determinados roteadores. Ela parece um simples botão na parte traseira ou lateral do equipamento, mas foi criada exatamente para simplificar novas conexões.
Um botão no roteador também pode abrir a conexão temporariamente

Alguns equipamentos contam com WPS, sigla de Wi-Fi Protected Setup.
A tecnologia foi desenvolvida para simplificar o processo de adicionar dispositivos a uma rede. Em equipamentos compatíveis, pressionar o botão WPS permite iniciar um processo de conexão sem precisar inserir manualmente a senha tradicional.
Nem todos os roteadores ou celulares modernos oferecem suporte a esse recurso, e sua disponibilidade depende das configurações adotadas pelo proprietário.
Além disso, o WPS merece mais cautela que o compartilhamento por QR.
Ele deve ser utilizado somente em equipamentos próprios ou com autorização explícita do responsável pela rede. A própria matéria original ressalta que o uso inadequado de mecanismos desse tipo pode criar problemas de segurança.
Na prática, portanto, o QR tende a ser uma das alternativas mais simples quando existe outro celular autorizado já conectado.
O verdadeiro truque não é descobrir a senha de outra pessoa
Todas essas opções possuem algo fundamental em comum: elas não foram desenvolvidas para invadir redes protegidas.
O objetivo é facilitar uma conexão autorizada sem obrigar alguém a digitar ou compartilhar manualmente uma senha.
Isso também explica por que aplicativos ou páginas que prometem revelar magicamente senhas de redes desconhecidas devem ser vistos com desconfiança. Além da questão de privacidade, ferramentas de procedência duvidosa podem tentar coletar informações do próprio usuário.
Se a rede pertence a outra pessoa, a opção correta continua sendo pedir autorização.
Se ela pertence a você, um QR gerado por um dispositivo já conectado, a etiqueta original do roteador ou recursos legítimos do próprio equipamento podem evitar uma redefinição desnecessária.
No fim, o recurso mais interessante não elimina a segurança do Wi-Fi. Ele faz justamente o contrário: permite compartilhar uma conexão sem transformar uma senha complexa em algo que precisa ser repetido, anotado ou digitado toda vez que alguém chega à sua casa.
[Fonte: semana]