Depois de uma semana marcada por recordes nas bolsas e fortes oscilações cambiais, os mercados voltaram a adotar uma postura mais cautelosa. O dólar ganhou força nesta quinta-feira, enquanto os principais índices de Wall Street terminaram o pregão no vermelho. Por trás dos movimentos estão duas questões capazes de alterar rapidamente o humor dos investidores: as negociações envolvendo Estados Unidos e Irã e um importante indicador econômico que será conhecido na sexta-feira.
O dólar recuperou parte das perdas enquanto investidores buscaram proteção

O dólar avançou globalmente na passada quinta-feira e recuperou parte do terreno perdido no início da semana.
O movimento refletiu uma procura maior por segurança diante das incertezas geopolíticas e da expectativa pelo relatório de emprego dos Estados Unidos, considerado fundamental para avaliar os próximos passos da política monetária americana.
O índice dólar, que acompanha o desempenho da moeda dos Estados Unidos diante de uma cesta formada por seis importantes divisas, avançou 0,32%, para 99,98 pontos.
Com isso, afastou-se da mínima de seis semanas registrada na segunda-feira.
A recuperação também apareceu diante da moeda japonesa.
O dólar subiu 0,41% frente ao iene, chegando a 158,41 ienes, e completou a terceira sessão consecutiva de valorização. Dias antes, a moeda americana havia atingido sua mínima em 13 semanas após uma intervenção conjunta de Japão e Estados Unidos destinada a sustentar a divisa japonesa.
Entre as moedas europeias, o movimento foi inverso.
O euro caiu 0,29%, para US$ 1,1519, enquanto a libra esterlina recuou 0,12%, para US$ 1,3454.
Mas as oscilações cambiais não estavam relacionadas apenas aos indicadores econômicos.
Uma negociação no Oriente Médio mantém os mercados em estado de alerta

Os investidores continuaram acompanhando atentamente as negociações destinadas a encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã.
Uma das propostas em discussão teria sido impulsionada por Omã e envolveria uma questão particularmente sensível: o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.
A região representa uma das rotas estratégicas mais importantes do planeta para o transporte de petróleo e outros produtos energéticos.
Segundo informações divulgadas sobre as negociações, a proposta poderia conceder a Teerã algum nível de controle sobre o tráfego marítimo que atravessa o estreito.
Washington, entretanto, evitou confirmar sua aceitação e reforçou que não pretende permitir que o Irã controle uma rota considerada fundamental para o abastecimento energético mundial.
A possibilidade de algum tipo de entendimento ajudou a diminuir parcialmente a procura por determinados ativos considerados refúgios.
Ao mesmo tempo, a ausência de um acordo definitivo impediu uma mudança mais clara no comportamento dos investidores.
Enquanto o cenário geopolítico permanece indefinido, outra informação pode provocar movimentos ainda mais imediatos nos mercados.
Ela chegará na sexta-feira.
Um único relatório pode mudar as apostas sobre os próximos passos dos juros
O centro das atenções agora está no relatório de emprego dos Estados Unidos referente a julho.
As projeções apontam para a criação de aproximadamente 80 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola, depois de uma expansão de 57 mil postos em junho.
A taxa de desemprego, por sua vez, deverá permanecer em 4,2%.
Os números serão acompanhados atentamente porque oferecem pistas importantes sobre a temperatura da maior economia do mundo.
Um mercado de trabalho mais resistente do que o esperado poderia aumentar a preocupação com pressões inflacionárias e fortalecer a possibilidade de juros elevados por mais tempo.
Dados mais fracos poderiam produzir a interpretação oposta.
A Reserva Federal manteve as taxas de juros inalteradas em sua reunião mais recente, mas deixou aberta a possibilidade de uma nova alta em setembro caso a inflação continue resistente.
O presidente da instituição, Kevin Warsh, sinalizou que os próximos dados terão peso importante nessa decisão.
Outros integrantes do banco central também defenderam cautela. Lisa Cook indicou que um novo endurecimento da política monetária poderá ser necessário, enquanto Mary Daly, presidente do Fed de San Francisco, destacou a importância de observar informações adicionais antes da próxima reunião.
Toda essa incerteza chegou também ao mercado acionário.
Wall Street interrompeu a sequência de recordes e algumas ações despencaram quase 20%
Depois de Dow Jones e S&P 500 atingirem máximas históricas no começo da semana, investidores aproveitaram a quinta-feira para realizar parte dos lucros.
O Dow Jones caiu 0,85%, registrando a maior perda entre os principais índices americanos.
O S&P 500 recuou 0,18%, enquanto o Nasdaq perdeu 0,06%.
Além das preocupações com juros e geopolítica, uma nova rodada de resultados corporativos provocou fortes movimentos em determinadas ações.
A AppLovin despencou 19,7%, enquanto a Datadog caiu 19% após balanços que decepcionaram o mercado.
A Western Digital também enfrentou uma sessão difícil, encerrando o dia com queda de aproximadamente 13%.
Na direção contrária apareceu a SpaceX.
A companhia conseguiu reverter as perdas registradas no início da sessão e terminou o pregão com valorização de 6,1%, mesmo com o fim do período que restringia a venda de ações por alguns de seus primeiros investidores.
O comportamento aparentemente contraditório dos mercados resume bem o momento atual.
O dólar recupera força, as bolsas fazem uma pausa depois de recordes históricos e determinadas empresas enfrentam oscilações de dois dígitos em apenas algumas horas.
Agora, os investidores aguardam o relatório de emprego. Dependendo dos números apresentados, as expectativas sobre juros podem mudar novamente e dar uma direção completamente diferente aos mercados.
[Fonte: ambito]