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Ciência

Talvez estejamos procurando alienígenas do jeito errado — a resposta pode estar escondida na Lua

Em vez de esperar uma mensagem vinda das estrelas, pesquisadores querem examinar o solo lunar em busca de fragmentos microscópicos que poderiam ter atravessado a galáxia durante bilhões de anos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quando pensamos em tecnologia extraterrestre, imaginamos sinais de rádio, enormes estruturas no espaço ou até uma nave abandonada. Um grupo de pesquisadores propõe procurar algo muito menor. Tão pequeno, na verdade, que seria invisível a olho nu. A ideia é analisar o regolito da Lua em busca de partículas artificiais que possam ter viajado entre sistemas estelares. Nenhuma foi encontrada até agora, mas os cientistas acreditam que nosso satélite funciona como um gigantesco arquivo cósmico.

A Lua pode estar guardando bilhões de anos de história

Talvez estejamos procurando alienígenas do jeito errado — a resposta pode estar escondida na Lua
© NASA – Unsplash

A Terra parece o lugar óbvio para procurar vestígios vindos do espaço. Na prática, existe um problema: nosso planeta é extremamente eficiente em apagar seu próprio passado.

Atmosfera, chuva, oceanos, erosão e atividade geológica modificam continuamente a superfície.

A Lua é completamente diferente.

Sem oceanos, praticamente sem atmosfera e sem tectônica de placas como a terrestre, seu regolito acumula partículas vindas do espaço há bilhões de anos. É justamente essa característica que levou uma equipe liderada pelo cientista Lewis J. Pinault, afiliado ao SETI Institute, a propor uma nova estratégia para procurar tecnossinaturas extraterrestres.

Em vez de tentar encontrar uma civilização que exista agora, poderíamos procurar aquilo que ela deixou para trás.

E esses restos talvez sejam incrivelmente pequenos.

Uma civilização desaparecida poderia deixar “poeira tecnológica”

Imagine uma civilização tecnologicamente avançada que tenha existido há centenas de milhões de anos em algum sistema distante.

Mesmo que ela já tenha desaparecido completamente, suas máquinas poderiam ter deixado resíduos.

Satélites, sondas, naves e até hipotéticas megaestruturas poderiam sofrer colisões ou se degradar ao longo do tempo. Impactos de asteroides em planetas habitados também poderiam lançar fragmentos artificiais ao espaço.

Algumas dessas partículas eventualmente escapariam de seus sistemas estelares e começariam uma viagem pela galáxia.

Os pesquisadores chamam uma categoria desses possíveis fragmentos de partículas Arkhipov, em referência à ideia de procurar resíduos tecnológicos microscópicos acumulados em corpos do Sistema Solar.

Modelos apresentados pela equipe indicam que partículas tecnológicas de aproximadamente 3 micrômetros, cerca de 3% da espessura de um fio de cabelo humano, poderiam sobreviver a viagens interestelares durante períodos que chegariam a aproximadamente um bilhão de anos.

O mais surpreendente é a quantidade de solo que seria necessária

Talvez estejamos procurando alienígenas do jeito errado — a resposta pode estar escondida na Lua
© NASA Hubble Space Telescope

Não seria preciso escavar quilômetros da Lua.

De acordo com as estimativas do estudo, um metro cúbico de regolito lunar poderia ser suficiente para ter uma chance de encontrar pelo menos um fragmento tecnológico, caso as premissas utilizadas pelos pesquisadores estejam corretas.

A busca seria extremamente delicada.

Microscopia avançada, caracterização de materiais, espectroscopia e sistemas de análise de imagens auxiliados por inteligência artificial poderiam ajudar a identificar partículas incomuns.

O objetivo seria encontrar materiais, ligas, estruturas microscópicas ou características químicas difíceis de explicar por processos naturais.

Mas encontrar algo estranho não significaria imediatamente descobrir alienígenas.

Contaminação terrestre, fragmentos de equipamentos espaciais humanos, meteoritos e processos geológicos precisariam ser descartados antes de considerar uma origem tecnológica extraterrestre.

Seria uma investigação extremamente rigorosa.

As amostras que já temos talvez simplesmente sejam pequenas demais

Missões Apollo trouxeram centenas de quilogramas de material lunar para a Terra.

Então por que ninguém encontrou tecnologia alienígena?

Uma possibilidade bastante simples é que ninguém estivesse procurando especificamente por partículas desse tipo.

Outra é estatística.

As amostras estudadas até hoje podem ser pequenas demais para detectar partículas que, se existirem, provavelmente seriam extremamente raras. Os métodos utilizados originalmente também não foram desenvolvidos especificamente para identificar tecnossinaturas microscópicas.

Isso pode começar a mudar.

Novas missões lunares deverão ampliar a quantidade e a diversidade de material disponível para estudo. O SETI Institute cita diretamente o programa Artemis, as missões chinesas Chang’e e futuras iniciativas comerciais como oportunidades para incorporar esse tipo de análise.

Uma presença científica permanente na Lua tornaria a ideia ainda mais interessante, porque grandes quantidades de regolito poderiam ser analisadas diretamente no satélite.

Existe um detalhe fundamental: ninguém encontrou tecnologia alienígena

Talvez estejamos procurando alienígenas do jeito errado — a resposta pode estar escondida na Lua
© Derpy CG – Pexels

É justamente aqui que a hipótese precisa ser colocada em perspectiva.

O estudo não afirma ter encontrado qualquer evidência de uma civilização extraterrestre.

Também não afirma que partículas tecnológicas alienígenas necessariamente estejam espalhadas pela Lua.

A pesquisa, atualmente apresentada como preprint e em processo de revisão, desenvolve um modelo quantitativo para mostrar que procurar esse tipo de tecnossinatura pode ser cientificamente testável com tecnologias que já existem.

Isso representa uma diferença enorme.

A hipótese pode produzir um resultado negativo.

Se grandes volumes de regolito forem examinados cuidadosamente e nenhuma partícula artificial aparecer, os pesquisadores poderão usar essa ausência para ajustar modelos sobre a quantidade e a distribuição de possíveis civilizações tecnológicas na Via Láctea.

Ou seja, até encontrar nada pode produzir informação.

Talvez a maior pista sobre alienígenas não venha de uma mensagem

Durante décadas, o SETI ficou associado principalmente à tentativa de detectar transmissões artificiais vindas de outros sistemas estelares.

Essa estratégia possui uma limitação inevitável.

Para receber uma mensagem, alguém precisa estar transmitindo em um momento compatível com nossa capacidade de escutá-la.

Partículas físicas funcionariam de maneira diferente.

Uma civilização poderia desaparecer milhões ou até bilhões de anos antes do surgimento dos humanos, enquanto pequenos fragmentos de sua tecnologia continuariam atravessando o espaço.

Se alguns acabassem presos no regolito lunar, nosso satélite poderia conservar uma espécie de registro arqueológico da tecnologia existente na galáxia muito antes de nossa própria civilização aparecer.

É uma possibilidade extraordinariamente especulativa.

Mas também é verificável.

Talvez seja essa a parte mais interessante da proposta: em vez de imaginar onde os alienígenas poderiam estar, os pesquisadores querem pegar uma quantidade relativamente pequena de poeira lunar, colocá-la sob microscópios extremamente poderosos e começar a procurar.

Porque, nesse caso, uma única partícula artificial confirmada como extraterrestre seria suficiente para mudar completamente nossa história.

[Fonte: La Razon]

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