Rolar a tela sem perceber o tempo passar, assistir a vídeos que começam automaticamente e receber notificações constantes já fazem parte da rotina de milhões de pessoas. Agora, esses recursos estão no centro de uma investigação da União Europeia que pode mudar o funcionamento das maiores redes sociais do mundo e custar bilhões de dólares à Meta.
União Europeia vê indícios de que Instagram e Facebook estimulam comportamento compulsivo

A Comissão Europeia anunciou uma conclusão preliminar contundente contra a Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook. Segundo o órgão, o design das duas plataformas pode violar a Lei de Serviços Digitais (DSA) por incentivar padrões de uso considerados compulsivos e potencialmente prejudiciais à saúde física e mental dos usuários.
A investigação foi aberta em maio de 2024 e analisou diversos elementos presentes nas redes sociais que, na avaliação das autoridades europeias, favorecem a permanência prolongada dos usuários nas plataformas.
Entre os recursos citados estão a rolagem infinita (scroll infinito), a reprodução automática de vídeos, o envio constante de notificações e os algoritmos altamente personalizados de recomendação de conteúdo.
Para a Comissão Europeia, essas ferramentas estimulam um comportamento automático, reduzindo a percepção do tempo de uso e incentivando sessões cada vez mais longas nas redes sociais.
O caso reforça a crescente pressão internacional sobre as grandes empresas de tecnologia. Ainda neste ano, Meta e YouTube também enfrentaram decisões judiciais nos Estados Unidos relacionadas ao potencial viciante de suas plataformas.
Proteção de crianças e adolescentes está no centro da investigação

Um dos principais pontos da investigação envolve os riscos enfrentados por crianças e adolescentes.
Segundo Bruxelas, a Meta não avaliou de forma adequada os impactos que o próprio design do Instagram e do Facebook pode causar ao público mais jovem nem implementou medidas suficientemente eficazes para reduzir esses riscos.
As autoridades europeias afirmam que a empresa também deixou de considerar adequadamente informações sobre o tempo que muitos adolescentes permanecem conectados durante a noite.
Outro aspecto criticado são as ferramentas de bem-estar digital oferecidas pelas plataformas. Para a Comissão, esses recursos podem ser facilmente desativados pelos próprios usuários, reduzindo sua eficácia.
Os controles parentais também foram alvo de questionamentos. Segundo o relatório preliminar, essas ferramentas só funcionam plenamente quando pais ou responsáveis possuem conhecimento técnico suficiente para configurá-las corretamente e acompanham continuamente sua utilização.
Na avaliação do órgão europeu, essa dependência limita a proteção efetiva dos menores de idade.
Meta contesta acusações e pode enfrentar multa de até US$ 12 bilhões
A Meta rejeitou as conclusões preliminares da Comissão Europeia e afirmou que o relatório não reflete os investimentos feitos pela empresa para aumentar a segurança dos adolescentes.
Entre as iniciativas destacadas estão as chamadas Contas de Adolescentes, que aplicam automaticamente restrições a determinados conteúdos, oferecem opções de supervisão familiar e permitem que os responsáveis definam limites diários de uso ou bloqueiem o acesso ao Instagram durante a noite.
Mesmo assim, a investigação continua em andamento.
A empresa ainda poderá apresentar sua defesa e responder formalmente às observações feitas pela Comissão antes da decisão definitiva.
Caso as conclusões sejam confirmadas e a Meta não promova mudanças consideradas suficientes no funcionamento de suas plataformas, poderá receber uma multa equivalente a até 6% de seu faturamento anual global.
Considerando a receita mundial da companhia, a penalidade pode chegar a aproximadamente US$ 12 bilhões, tornando-se uma das maiores sanções já previstas pela legislação europeia para empresas de tecnologia.
A vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela política digital, Henna Virkkunen, afirmou que proteger a saúde física e mental da população deve ser uma prioridade para as plataformas digitais.
A investigação contra a Meta integra uma ofensiva mais ampla da União Europeia sobre as chamadas Big Techs. Outras empresas, como TikTok, Shein e Temu, também são alvo de investigações relacionadas ao possível uso de mecanismos capazes de estimular comportamentos compulsivos entre seus usuários.
[Fonte: LV]