Os smartphones revolucionaram a tecnologia nas últimas duas décadas, transformando-se em ferramentas indispensáveis para comunicação, entretenimento, trabalho e acesso à informação. No entanto, se depender da visão de Mark Zuckerberg, eles podem estar entrando em seus últimos anos como protagonistas da vida digital.
O CEO da Meta, empresa responsável por plataformas como WhatsApp, Instagram e Facebook, acredita que os celulares serão gradualmente substituídos por uma nova geração de dispositivos vestíveis. A aposta da companhia está concentrada nas chamadas óculos inteligentes com realidade aumentada, uma tecnologia que Zuckerberg considera o próximo grande salto da computação pessoal.
A visão da Meta para o pós-smartphone

Nos últimos anos, Zuckerberg tem repetido uma previsão ambiciosa: dentro da próxima década, muitas pessoas deixarão de carregar smartphones como principal dispositivo tecnológico.
Segundo ele, os óculos inteligentes serão capazes de executar a maior parte das tarefas que hoje exigem um celular. Em vez de olhar constantemente para uma tela nas mãos, os usuários passariam a visualizar informações diretamente em seu campo de visão.
A ideia ganhou destaque durante o Meta Connect, evento anual da companhia dedicado às suas tecnologias de realidade virtual, realidade aumentada e inteligência artificial.
Para o executivo, os smartphones chegaram a um ponto de maturidade em que as inovações passaram a ser incrementais. Os avanços continuam existindo, mas já não provocam as transformações radicais observadas nos anos iniciais da revolução móvel.
Como funcionam os novos óculos inteligentes
O principal destaque da nova geração apresentada pela Meta é o modelo conhecido como Meta Ray-Ban Display.
Diferentemente dos óculos inteligentes tradicionais, o dispositivo incorpora uma tela de alta resolução praticamente invisível para quem observa de fora, mas perfeitamente visível para o usuário.
Essa tecnologia permite exibir notificações, instruções de navegação, traduções em tempo real, mensagens, legendas e diversas outras informações sem a necessidade de consultar um celular.
A interação pode ocorrer por comandos de voz, gestos ou por meio de acessórios complementares desenvolvidos pela empresa.
O papel da inteligência artificial

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Um dos pilares da estratégia da Meta é a integração profunda entre os óculos e sistemas avançados de inteligência artificial.
Segundo Zuckerberg, esses dispositivos representam o formato ideal para o conceito que ele chama de “superinteligência pessoal”. Na prática, trata-se de uma IA capaz de acompanhar o usuário durante todo o dia, compreendendo o ambiente ao seu redor e fornecendo informações contextuais em tempo real.
Como os óculos podem ver, ouvir e interagir constantemente com o usuário, a IA teria acesso a um volume muito maior de informações do que os assistentes digitais atuais.
Isso abriria espaço para aplicações que vão desde auxílio profissional até entretenimento, comunicação instantânea e experiências de realidade aumentada muito mais avançadas.
O celular ainda não desapareceu
Apesar do discurso otimista, a substituição completa dos smartphones ainda está distante.
Os novos óculos da Meta continuam dependendo de dispositivos complementares para algumas funções. Além disso, várias capacidades ainda não operam de forma totalmente independente.
Questões relacionadas à autonomia da bateria, conectividade, privacidade e aceitação do público também permanecem como desafios importantes para a popularização da tecnologia.
Mesmo assim, Zuckerberg acredita que essas limitações serão superadas gradualmente ao longo dos próximos anos.
Quanto custam os novos dispositivos?
A Meta anunciou que os Meta Ray-Ban Display chegarão inicialmente ao mercado norte-americano com preço sugerido de US$ 799.
O lançamento ocorrerá em mercados selecionados, com expansão gradual para outros países prevista ao longo dos próximos anos.
Além dos óculos, a empresa também trabalha em pulseiras neurais e outros dispositivos vestíveis que deverão compor um ecossistema integrado de interação digital.
O futuro será visto através das lentes?
A aposta da Meta reflete uma tendência crescente no setor de tecnologia. Grandes empresas vêm investindo bilhões de dólares em dispositivos que buscam tornar a computação mais natural e menos dependente de telas tradicionais.
Se a previsão de Zuckerberg estiver correta, os smartphones podem seguir o mesmo caminho de tecnologias que já dominaram o mercado no passado, como câmeras compactas, tocadores de música e aparelhos de GPS dedicados.
A transição não deve acontecer da noite para o dia. Mas, para a Meta, o próximo capítulo da computação pessoal não estará no bolso dos usuários — estará diante dos seus olhos.
[ Fonte: El Cronista ]